Entrada | fevereiro 2005 »

janeiro 30, 2005

Este momento,

é de descanso selectivo.
Está frio.
Fico-me com a "as time goes by" (Jane Monheit, in full swing); café bem quente, whisky e natas, tudo numa caneca grossa; "a room of one's own", Virginia Woolf.

Uma lareira dava jeito.
Preciso de férias.
Já passou o Natal?

Publicado por MatosB às 11:54 PM | Comentários (1)

O silêncio é de ouro

A meu ver, há perfeita harmonia entre duas pessoas quando o silêncio entre elas é confortável.

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can't you understand
Oh my little girl

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Enjoy the silence

(Depeche Mode - Enjoy the silence)

Publicado por rita às 10:08 PM | Comentários (1)

janeiro 29, 2005

Opiniões: a fraude académica

Espero que não tenha havido fraude - é ainda uma esperança.

Há vários tipos de fraude. Há a fraude nas telecomunicações; há a fraude bancária; há a fraude na Net; há a fraude na obtenção de subsídios; há a fraude fiscal; há a fraude política e há até a fraude sexual.
A fraude é sempre um engano com intenção de tal, com a qual se pretende ganhar algo às custas de outrém - enganando outra ou outras pessoas.

Neste contexto, a fraude académica não é mau: é horripilante – desrespeita todos (docentes e discentes) e a pessoa que o faz fica assim ao nível daquelas para quem "plágio" é o nome de um romano qualquer...

Cabular (leia-se anotar à margem) é próprio dos estudantes. Na maioria das vezes, são tão bem elaboradas, escritas e re-escritas, encolhidas e enriquecidas, que não se usam: ficou sabido. Há até Professores que "citam as remessas" e "ditam as anotações". Não vejo aqui problema.

Agora, coisa diferente, é aquele género de pessoas que "para se safar e tirar a licenciatura", usam na íntegra e sem qualquer pejo um trabalho de terceiro, como se dele fosse. A única "coisa que se muda" (convém) é o nome do autor. Eventualmente acrescenta-se o logotipo da Universidade onde vai decorrer a apresentação.
Mas pior do que entregar um "trabalho de investigação" com esta triste origem, é apresentá-lo publicamente numa turma, nos mesmos termos de pretensa autoria. Isto nada tem a ver com coragem: é fraude.
Um acto em que simultaneamente se perde a cara e a vergonha.

Perde quem apresenta, porque apresenta e nem percebe o âmbito do trabalho apresentado. Perdem os destinatários, porque não percebem porque é que quem apresenta não percebe o que devia perceber e devia tentar fazer com que os outros percebessem. Da apresentação fica um resíduo de oca prelecção, de construção bem pior do que este parágrafo.
Mas o pior nem é a injustiça da classificação que lhe seja atribuída: o pior é quem apresenta "não ver mal", ou dizer que "não vem mal ao mundo" com este tipo de actos, porque dela nos ficará sempre a suspeita de que não haverá lealdade e honestidade intelectual no exercício dessa licenciatura pela sua vida fora, por "mais fixe", mais simpática, ou mais "inn" que seja.
Ficará sempre uma ideia de desonestidade e por mais que se faça e melhores notações obtenha, nunca limpará a imagem usurpadora do trabalho de outrém.

Fez-me lembrar uma citação atribuída a Lincoln: "Podeis enganar toda a gente durante um certo tempo; podeis mesmo enganar algumas pessoas todo o tempo; mas não vos será possível enganar sempre toda a gente."
Fico triste por esta figura de gente não perceber sequer, que por mais que tente, não poderá sequer, enganar-se a si própria. Espero que não tenha havido fraude.

Publicado por MatosB às 02:30 PM | Comentários (4)

janeiro 27, 2005

Politicos Governantes (M/F)

jornal.jpg

País membro da UE procura para integrar a sua equipa de quadros dirigentes:

- Politicos Governantes (Ref: CRISE2005)

Descrição da função:

Os candidatos admitidos ficarão responsáveis por tirar o país da crise e manter a vida politica nacional afastada de embaraços e contradições vergonhosas.

Remuneração: Aos candidatos serão pagos prémios por objectivos governativos com base num plano comissional sem salário base.

Viatura de serviço: BTT

Outras Regalias:
Passe Social e acesso gratuito à cantina.
Bilhetes de comboio em classe económica para viagens de longo curso.

Os candidatos devem:

- Ter formação académica e experiência profissional relevante adequada às funções a desempenhar, nomeadamente na área da gestão, economia e finanças.
- Muita disponibilidade para trabalhar.
- Não ter amigos, conhecidos ou familiares no mundo da politica.
- Sentido prático e objectivo.
- Capacidade para trabalhar sobre pressão e produzir resultados.

Os candidatos seleccionados serão contactados no prazo de 15 dias para serem submetidos a provas de selecção escritas e práticas.

Não perca esta oportunidade de trabalhar a sério! Ajude-nos a sair desta situação em que fomos colocados involutáriamente.


(recebido por e-mail)

Publicado por nelourenco às 04:25 PM | Comentários (2)

OS SAPATOS DE AUSCHWITZ

No Museu de Auschwitz, a sala dos sapatos

"Por estes sapatos que tiveram
dentro da noite os pés
arrastou-se a eternidade

Sapatos que sobem ao Céu
no seu último passo
que arranham as paredes
que se aconchegam
com as solas em silêncio
como peças de um passado

Aonde vão os pés a flutuar?
Os pés no fumo do sonho
ou nas nuvens
como linho tecidas pelo ar
subindo uns pelos outros
os sapatos têm cor de cinza
como a cinza dos corpos
que lhes estão a faltar

Estes sapatos traspassam
nossa alma
como um frio de névoa
como um rio de lama."

Publicado em: 19.12.2004
© J. T. Parreira

Publicado por analourenco às 03:04 PM

Tudo num só dia...

Ontem foi um dia de descobertas:
descobri amigos,
descobri que há pessoas más,
descobri como ter calma,
descobri que ficar calada é uma mais valia,
descobri a arrogância numa pessoa,
descobri como é difícil sentir a falta de quem está presente,
descobri que sou forte,
descobri como sou fraca.
Foi um dia cansativo! Mas construtivo!

Publicado por rita às 11:51 AM | Comentários (4)

Ser Professor

Já não é debitar, estilo “magister dixit”, para cansados alunos da vida que tentam aprender com seriedade.
É procurar e experimentar novos modelos pela contínua e renovada implementação daquilo que melhor serve a formação.
É, pelo exemplo, cativar para o estudo, apontar a investigação académica, indicando mais bibliografia – em especial a que está contra a corrente defendida.
É apelar aos alunos para que “...não desistam!”.
É receber os alunos depois disso e insistir para que “façam o teste” arranjando "um tempinho" para que apresentem os trabalhos.
É criticar os trabalhos na forma e no conteúdo.
É valorá-los pelo esforço e não pela falsa atenção enquanto se olha para o tecto e ecoa o papaguear ininterrupto e sem sentido desta ou daquela doutrina.

Há Professores assim.
Há quem tenha sorte em ter Professores assim.
Nós temos.

Publicado por MatosB às 10:30 AM | Comentários (4)

janeiro 26, 2005

Agradecimentos...

... ao Portugal Profundo, pelo link e pelo elogio que muito nos honra.
... ao Direitos pelo link.

Publicado por nelourenco às 03:11 PM | Comentários (2)

Restaurantes devem criar salas de fumo

1422083-eb17c0b44d67762a.jpg


O Ministério da Saúde manteve a proposta de proibição de fumar nos restaurantes e bares, bem como nos locais de trabalho fechados, unidades de saúde, escolas e transportes públicos, tal como o CM noticiou na edição de 5 de Agosto do ano passado. Contudo, a versão definitiva do diploma, que será apresentada quinta-feira em Conselho de Ministros e à qual o CM teve acesso, é mais flexível e permite o uso do tabaco nos bares e restaurantes, desde que dentro de cerca de seis meses todos tenham criado zona para fumadores, bem separadas e com ventilação própria.
A consagração desta possibilidade parece constituir uma espécie de compromisso do ministro Luís Filipe Pereira, que ainda na semana passada deu a entender que a nova lei pouparia os restaurantes e bares.
O secretário-geral da Associação dos Restaurantes e Similares de Portugal (ARESP), José Manuel Esteves, considera a obrigação das salas de fumo “inexequível”, alegando a incapacidade financeira do sector para suportar o investimento. “Tendo em conta que existem 90 mil estabelecimentos, seriam necessários vários milhões de euros”, estima aquele responsável. O uso do tabaco nos locais onde passará a ser proibido e a não sinalização da interdição, através do dístico próprio, punirá os proprietários das casas com coimas de valores entre 50 e 2500 euros (...)

In Correio da Manhã

Publicado por nelourenco às 09:44 AM | Comentários (2)

janeiro 25, 2005

Companhias

friends2.jpg

Costuma-se dizer que ninguém pode escolher a família em que nasce.
Mas é possível seleccionar os amigos.
No relacionamento diário, entra-se em contacto com muitas pessoas. Mas o amigo torna-se alguém diferente, especial e único. É visto com outros olhos, é uma pessoa por quem a gente torce, vibra e sofre. Está presente nos bons e nos maus momentos, é amado e tratado com muita sinceridade.
É nos amigos que obtemos a confiança de estar a seguir a direcção certa.
Com essa confiança chegamos a um entendimento próprio muito grande, e a uma grande compreensão das pessoas que nos rodeiam.
Como resultado de estarmos plenamente integrados em nós mesmos, as situações e as pessoas que se identificam connosco também aparecem.
Nesse momento vivemos situações que nos permitem ter um grande entendimento do processo da vida, da compreensão, como instrumento do amor pleno e incondicional.
Amigos são, em conclusão, pessoas capazes de nos entender, que sentem as mesmas coisas que nós, e que têm o mesmo sentido de vida.
Parafraseando Adam Parfrey:

Nenhum indício melhor se pode ter a respeito de um homem do que a companhia que frequenta: o que tem companheiros decentes e honestos adquire, merecidamente, bom-nome, porque é impossível que não tenha alguma semelhança com eles.”

Publicado por nelourenco às 03:57 PM | Comentários (1)

Obrigada!

Pelo apoio, ajuda, carinho e principalmente amizade aqui vai uma beijoca repenicada muito grande para todos!
Que GRUPO fantástico!

Publicado por rita às 12:20 PM | Comentários (3)

Ontem no forum

Na hora da "aula a que ninguém vai", reunimos no Forum.
Acabados de sentar, ainda as cadeiras estavam frias, eis que entra na sala um impressionante Cajun que se dirigiu a nós nos seguintes termos...

> CLICAR <

Publicado por nelourenco às 11:58 AM

Escrever em blogs

Muitos tentam escrever com uma ambição desmedida. Querendo que o seu blog conquiste números de leitura excepcionais, faça história. A meu ver tal situação não teria nada de mal se não fosse o culminar daquele ponto em que o interesse e a vaidade se sobrepõem ao próprio respeito pelo trabalho de outros.
Como disse Napoleão Bonaparte e se enquadra ainda nos nossos dias:

"To write history one must be more than a man, since the author who holds the pen of this great justiciary should be free from all pre-occupation of interest, or of vanity."

Publicado por analourenco às 11:42 AM

Toda a poesia é feita de traição

e ao que somos fiéis já não sabemos:
da terra de que vimos só retemos
memórias que nos duram sem razão.
...
É infiel ao verso a poesia:
nela se apura a noite contra o dia
e a nós mesmos nos trai o coração.


Luís Filipe Castro Mendes.

Publicado por MatosB às 12:59 AM

Brejeirice

Foi uma oferta que me fizeram; era "um miminho" - disseram-me.
à surpresa seguiu-se o sorriso. Obrigado à TaEja.

Eu e os meus amigos...

Publicado por MatosB às 12:04 AM | Comentários (1)

janeiro 24, 2005

Será isto que ouvimos todos os dias?

"Chamo teatro (o lugar em que) todas as acções de palavras e de pensamentos e os pormenores de um discurso e de argumentos são mostrados como num teatro público, em que se representam tragédias e comédias."

De: Robert Fludd, Utriusque Cosmi Historia, Tomi secundi, Tractatus Primi, Sectio Secunda, Oppenheim (?) p. 55

Publicado por analourenco às 01:49 PM | Comentários (1)

Fim de sexta

bowling.bmp

Depois de muitos avanços e recuos nas combinações (sempre difíceis quando se tenta juntar muita gente) lá se conseguiu marcar a ida ao Bowling.
Uns depois das aulas, outros depois do trabalho, um depois do polo aquático, todos nos encontrámos no BIL e fizemos o gostinho ao dedo.
Aquilo é que foi derrubar pinos :)
Ficou já a promessa... a próxima vez é a tiro .... no paintball!

Publicado por nelourenco às 12:05 PM | Comentários (1)

Vem aí o frio

snow2.jpg


Preparem-se.... ele vem aí.
Segundo o Serviço Nacional de Protecção Civíl, deve-se usar várias camadas de roupa, devendo ser evitadas as roupas muito justas ou que façam transpirar, pois as roupas devem manter-se secas.
Beber água é aconselhável, para combater a desidratação, e se tiver alguma queimadura pelo frio ou sinta um estado de hipotermia, “tente aquecer-se gradualmente”.
Devem-se fazer pequenos exercícios com os braços, pernas e dedos, de modo a manter a circulação sanguínea.
No entanto, são de evitar actividades físicas intensas, pois “obrigam o coração a um maior esforço e podem até conduzir a um ataque cardíaco”.
Se sair de casa, utilize um chapéu ou gorro e use luvas.

Publicado por nelourenco às 10:54 AM | Comentários (1)

janeiro 23, 2005

Eles crescem

Se for levar os filhos a um lado qualquer e de repente eles demonstrarem vergonhinha por irem de mão dada consigo, ou por se lhes dar um beijo de despedida na face, ou por se ter uma brincadeira qualquer em voz alta, não se surpreenda se um deles lhe disser ruborizado “estão todos a olhar para nós! Não digas parvoíces!”

Eles transformam-se e não se dá por isso, porque "cá dentro" continuam como no primeiro dia em que os vi: pequeninos.

Publicado por MatosB às 02:00 AM | Comentários (2)

janeiro 22, 2005

Ésses

Salta cima;
Ser.
Sótão.
Sente.
Cinzeiro;
Semana,
Só,
Silêncio.
Sítio.
Sinta.
Sim.
Sílaba solta,
Sem.

Escrita.

Publicado por MatosB às 05:50 AM | Comentários (4)

Mais um

Nem fui eu que reparei nele.
Foi a Ana que continua a gastar as patacas em livros e por causa da conversa, lembrou-se do sítio. Faz-me lembrar alguém.
Quando todos os livros forem corporizados naquela nova forma que ainda não conhecemos, sem ser em qualquer dos suportes actuais (ainda são papel, à muito que são audio-livros e livros-digitais) vai ser uma chatice.
"Não dá para eu enrugar o cantinho da folha!" - dizem-me.
Uma chatice.

Os weblog não são uma leitura rápida e de deitar fora; e não dão para enrugar o cantinho da folha. Uma chatice.
E podem ser mais ou menos densos, pelo conteúdo citando ou porque quem o escreve mistura o seu ser viajado com peças intimistas.

É um blog denso. Está aí ao lado nos nossos links: "zona densa".

Lê-lo, não é uma chatice.

Publicado por MatosB às 05:30 AM

janeiro 21, 2005

O gosto pela profissão

"Se havia alguém que não odiava o sistema, era ele. Vivia com gosto a sua profissão, mais até um vício, como toda a arte é."

Podia ser sobre uma profissão qualquer.
Mas é sobre um falsário.

In "A Alma dos Ricos", Agustina

Publicado por MatosB às 11:59 PM

janeiro 20, 2005

Companheirismo

Desconheço a origem da imagem. Chegou-me em peça solta.

Mas sei que se tornaram inseparáveis; são dois companheiros que, lutando contra as convenções que os espartilham, acabam por promover a libertação do ser de todos os demais, rasgando as malhas da opressão.
Convivem em perigos, desafiam e une-os o mesmo sentimento.

Eles, são amigos.

Publicado por MatosB às 07:07 AM

janeiro 19, 2005

Os reflexos da minha existência

mirror.bmp

Se um dia o teu sorriso
Fitasse um espelho divino,
Jamais a tua imagem dele sairia.
Assim como
Jamais saiu de mim
O teu olhar,
O teu brilho,
O macio da tua pele,
A doçura da tua voz.

É imensa a alegria que sinto
Quando te tenho perto de mim
Com esse sorriso.

Sabê-lo parte do meu universo,
Leva-me a sonhar
Um sonho doce…
Um sonho real.


Nelson Lourenço

Publicado por nelourenco às 01:58 PM | Comentários (3)

janeiro 18, 2005

verdadeira paz...

paz.jpg

Nelson Lourenço

Publicado por MatosB às 11:54 AM | Comentários (1)

Fragmentos de elogios

"Dizei-me, pelos deuses imortais!, se há gente mais feliz do que aquela espécie de homens que o vulgo denomina loucos.

Esta afirmação parece a princípio estulta e absurda e no entanto é muito verdadeira.

Falta a tais homens o medo da morte, o que, por Jove, já não é pequeno benefício.

Não se envergonham, não temem, não ambicionam, não invejam, não amam."

Há por aí mais destes, mas que nem por isso são tão loucos, nem são "os loucos de Lisboa" como já foram por alguém cantados.

E afinal, quem é hoje o louco, quando pela vida "de mercado", artificializada compra e venda do tempo, se não tem tempo para amar, para ambicionar, para temer os estragos que se provocam todos os dias a alguém, ou simplesmente ter a humildade para se envergonhar.

Publicado por MatosB às 04:06 AM

janeiro 17, 2005

bluedrop.bmp

A partir de agora,
E em qualquer instante,
Tudo e nada acontece...
Quando a ideia
Se torna página ilustrada
Materializa-se o sonho...

Quando uma palavra cai,
Vem outra, buscando
Recuperar os sentimentos
Presos nos espaços
Desocupados...

Assim, nascem
Novas páginas,
Novas folhas,
Novo livro,
Novo mundo...

E as letras brincam,
Desenhando gotas de água
Coloridas,
Perfumadas.
Por elas
Descubro caminhos
Desvendo mentiras
Persigo verdades...

Nelas encontro,
Um Universo,
Que se refaz
a cada momento…
Em tudo a cor.
Em tudo o som.
Em tudo, o começo,
Em tudo o final.

A partir de agora,
E em qualquer instante
Tudo e nada acontece...


Nelson Lourenço

Publicado por MatosB às 01:42 PM | Comentários (1)

As facas

"Quatro letras nos matam
quatro facas que no corpo me gravam o teu nome.
Quatro facas amor com que me matas
sem que eu mate esta sede e esta fome.
Este amor é de guerra. (De arma branca).
Amando ataco
amando contra-atacas
este amor é de sangue que não estanca.
Quatro letras nos matam quatro facas.
Armado estou de amor. E desarmado.
Morro assaltando morro se me assaltas.
E em cada assalto sou assassinado.
Quatro letras amor com que me matas.
E as facas ferem mais quando me faltas.
Quatro letras nos matam quatro facas."

Manuel Alegre

Publicado por MatosB às 02:02 AM

janeiro 16, 2005

O socialmente correcto

Os mortos e os doentes têm uma tendência natural para aborrecer os outros. Em regra, morrem sempre quando dá menos jeito aos vivos e os doentes adoecem quando é inconveniente, estragando férias e planos de viagem. Mas os mortos são os piores, porque se vão embora e nos deixam cheios de trabalhos.

Ainda se morressem sem ser possível avisar, como num acidente ou isso… mas não!
Insistem em morrer ao fim-de-semana, a horas que não lembra a ninguém, ou pior ainda, durante as férias e em qualquer das formas, sempre sem dizer nada a ninguém, apanhando desprevenidos os familiares e amigos que os não visitam à semanas e não lhes telefonam à meses.

Morrer assim, não se faz!

Estas e outras conclusões retirei-as este fim-de-semana das conversas normais entre os participantes num velório. O velório é um acto de circunstância social estranho, em que cada pessoa que lá chega tenta martirizar ao máximo os familiares do de cujos, relembrando-os em cada chegada, que o morto se finou mesmo e que não há dúvida que é ele mesmo que ali está no caixão.
Parece não se entender que este ritual tem em vista confortar os que estão vivos e tentar perceber de forma genuína se os que ficam, ficam em maus lençóis e de como podem ser ajudados.

Em regra, os usos mais antigos mostram que o respeito para com os mortos se demonstra presencialmente no funeral, seja ele "o enterro" ou seja outra forma de disposição do cadáver.

Voltando ao assunto: típico do velório é aquele vestir de um ar de espanto enquanto se pergunta “foi de doença?”; “Quando foi que o vi a última vez?”; e a melhor, "morreu de quê?"; e há também aquela preocupação de se saber se o morto tem onde morar, perguntando-se se têm mausoléu; fica-se sempre em suspenso, à espera de ouvir dizer em tom de oferta "pode usar o meu...". E então aquela insistência e curiosidade em destapar a cara de quem já não é gente e estando deitado já não dorme, misto aparente de "para um último adeus", "deixa ver como está", "um último adeus", são uma coisa digna de filme negro...

Neste quadro, para além dos filhos, de alguns amigos sinceros e do cônjuge sobrevivo, os familiares mais chegados, mas não necessariamente mais abalados com a partida do ente querido, lá vão agradecendo as sucessivas marretadas que levam com frases do género “foi melhor assim…” e “esperemos que não tenha sofrido”.

E depois, as conversas. Ai, as conversas! Há que passar o tempo! Ou se dizem coisas impensáveis, ou, calados, se cruzam olhares furtivos de quem pensa baixinho que será talvez aquele o melhor momento de se fugir. “Pois, vá, vá…” ouve-se algum familiar dizer enquanto liberta o interlocutor do fardo de ali estar sem nada sentir, em regra a seguir a um murmúrio de desculpação de alguém que apresenta os melhores motivos para se querer ir embora.

À saída, passamos por vultos vestidos de cores negras que contam anedotas em voz baixa entre risos sufocados, relembram a última grande comezaina onde o falecido nem estava, falam dos problemas dos clubes desportivos, ou marcam já outro convívio entre eles que se sabe já que nunca acontecerá.

Pessoalmente, o que mais me custa é ouvir dizer em tom de admiração aos familiares, sempre com ar sério, que o morto, ainda há pouco tempo, estava vivo. Se eu fosse o morto, penso mesmo, que me revoltaria na urna.

Depois, há a “questão do dia seguinte”: o funeral. É mais um conjunto de impedimentos a invocar. Juntam-se as últimas flores em tom de compensação dos que não puderam ir ao velório, com aquelas frases originais e sobretudo sentidas de “eterna saudade” que um empregado qualquer de uma florista escreveu e espera-se que finalmente o pesadelo acabe. Não sei é quem, face às circunstâncias, vive afinal, o pesadelo…

Contudo, tudo foi socialmente correcto.

Façam-me um favor quando chegar a minha vez: lembrem-se de mim enquanto fui vivo, não martirizem os meus, apareçam uns meses depois a ver se a família precisa de algum cuidado ou ajuda concreta e sobretudo, não me enterrem com vista à perpetuação do desgosto e do ritual da tristeza: é melhor mesmo o crematório.

Publicado por MatosB às 06:54 PM | Comentários (2)

janeiro 15, 2005

Legenda


"Nada garante que tu existas!

Não acredito que tu existas...

Só necessito que tu existas."


"Um Momento de Palavras"; Mourão Ferreira.

Publicado por MatosB às 04:49 PM

janeiro 14, 2005

Regras de uso

Depois de renhidas defesas de diferentes pontos de vista e de alongadas discussões, encontrou-se um denominador comum nas opiniões dos vários co-bloger's: há que estabelecer regras de utilização do nosso sítio, ou pântano de letras, de letras com imagens, tudo com, ou sem som.

Por maioria qualificadamente estranha, com um virtual voto de vencido, determinaram-se as regras essenciais, todas muito importantes e que são as seguintes:

- presidência do blog: não existe;
- necessidade de manter a designação de "cajun": não há;
- ordem de seguimento nos post's: não há;
- preferência por um blog nos links: não vai haver;
- mínimo de post's por dia, semana, mês e ano: não há;
- máximo: também não há;
- temas específicos: pois, não há;
- temas desaconselhados, vetados ou proibidos: não há;
- obrigação de escrever só neste: não há;
- obrigação de usar o nome verdadeiro: também não há;
- obrigação de usar a língua portuguesa: não há;
- obrigação de responder a comentários: pois não, pois também não vai haver;
- espaço disponível para cada um: sujeito a regras especiais (ver em baixo).

Sanções para o desrespeito por estas determinações: não há.

A gestão é semi-diária, género da espécie "quando tiver mesmo de ser", assegurada e executada por dez de nós.

Das condicionantes do direito de superfície sobre o disco rígido:
o Paulo, que é um querido, ficou de considerar a hipótese de nos aumentar o espaço em disco, atendendo à previsível descarga de poemas e de fotos só de um dos nossos contribuintes de conteúdos: o NL; constou-nos que vêm aí uns 12 Gb de poemas, duas fotos e um mp3. Já perceberam: o problema está no tamanho das imagens e do mp3...

Publicado por MatosB às 12:01 AM | Comentários (1)

janeiro 13, 2005

Chegámos!

Nélchóne! táje aí?

Donde estaum uje sherekeje todosje? humm?

s0.jpg

Download file

Publicado por MatosB às 12:07 PM | Comentários (6)