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janeiro 29, 2005

Opiniões: a fraude académica

Espero que não tenha havido fraude - é ainda uma esperança.

Há vários tipos de fraude. Há a fraude nas telecomunicações; há a fraude bancária; há a fraude na Net; há a fraude na obtenção de subsídios; há a fraude fiscal; há a fraude política e há até a fraude sexual.
A fraude é sempre um engano com intenção de tal, com a qual se pretende ganhar algo às custas de outrém - enganando outra ou outras pessoas.

Neste contexto, a fraude académica não é mau: é horripilante – desrespeita todos (docentes e discentes) e a pessoa que o faz fica assim ao nível daquelas para quem "plágio" é o nome de um romano qualquer...

Cabular (leia-se anotar à margem) é próprio dos estudantes. Na maioria das vezes, são tão bem elaboradas, escritas e re-escritas, encolhidas e enriquecidas, que não se usam: ficou sabido. Há até Professores que "citam as remessas" e "ditam as anotações". Não vejo aqui problema.

Agora, coisa diferente, é aquele género de pessoas que "para se safar e tirar a licenciatura", usam na íntegra e sem qualquer pejo um trabalho de terceiro, como se dele fosse. A única "coisa que se muda" (convém) é o nome do autor. Eventualmente acrescenta-se o logotipo da Universidade onde vai decorrer a apresentação.
Mas pior do que entregar um "trabalho de investigação" com esta triste origem, é apresentá-lo publicamente numa turma, nos mesmos termos de pretensa autoria. Isto nada tem a ver com coragem: é fraude.
Um acto em que simultaneamente se perde a cara e a vergonha.

Perde quem apresenta, porque apresenta e nem percebe o âmbito do trabalho apresentado. Perdem os destinatários, porque não percebem porque é que quem apresenta não percebe o que devia perceber e devia tentar fazer com que os outros percebessem. Da apresentação fica um resíduo de oca prelecção, de construção bem pior do que este parágrafo.
Mas o pior nem é a injustiça da classificação que lhe seja atribuída: o pior é quem apresenta "não ver mal", ou dizer que "não vem mal ao mundo" com este tipo de actos, porque dela nos ficará sempre a suspeita de que não haverá lealdade e honestidade intelectual no exercício dessa licenciatura pela sua vida fora, por "mais fixe", mais simpática, ou mais "inn" que seja.
Ficará sempre uma ideia de desonestidade e por mais que se faça e melhores notações obtenha, nunca limpará a imagem usurpadora do trabalho de outrém.

Fez-me lembrar uma citação atribuída a Lincoln: "Podeis enganar toda a gente durante um certo tempo; podeis mesmo enganar algumas pessoas todo o tempo; mas não vos será possível enganar sempre toda a gente."
Fico triste por esta figura de gente não perceber sequer, que por mais que tente, não poderá sequer, enganar-se a si própria. Espero que não tenha havido fraude.

Publicado por MatosB às janeiro 29, 2005 02:30 PM

Comentários

OS factos provam-se! Caso contário, são alegações sem qualquer fundamento. Podem tornar-se numa grave injustiça!

Publicado por: Anónimo às janeiro 29, 2005 10:06 PM

É por isso que "Espero que não tenha havido fraude" e é por isso que há "ainda uma esperança." - não te preocupes com "más intenções" do "post": não há.
Importante é saber ler; principalmente, ler o "post" na sua dimensão de "passado" e de "porvir" e distinguir entre a mera intenção de acusar, com a de alarmar a pessoa visada, no sentido de, se o fez ou vai fazer de novo, deve "arrepiar caminho" e perceber enquanto ainda é tempo, que no mercado de trabalho (maxime o jurídico) não se toleram "erros" desta natureza.
Mas em regra, este tipo de factos deixam-se provar com facilidade. Aqui, como em outras coisas na vida, interessa não acumular tristes coincidências, nem deixar fenómenos de incoerência.

O que interessava mesmo, era que não houvesse "fraude". Se não houve(r), tanto melhor: fica um "post" sobre uma matéria; e fica neutro como está desde o início, quanto à eventual pessoa visada.

Publicado por: MatosB às janeiro 30, 2005 10:37 AM

Ai! Alguns "calcanhares de Aquiles" começaram a doer.

Publicado por: Mâ-Belona às janeiro 31, 2005 11:01 PM

dói dói.... trim trim!

Publicado por: Nelson Lourenço às fevereiro 1, 2005 02:23 PM