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fevereiro 28, 2005
Feiras

tenazes; roupas; botas; cintos; aros; fogareiros; sapatos; gorros; cd's; grelhas; molas; chapéus...
Publicado por MatosB às 05:40 PM
Casais

Publicado por nelourenco às 10:00 AM
Do tempo que se não tem
Older chests reveal themselves
Like a crack in a wall
Starting small, and grow in time
And we all seem to need the help
Of someone else
To mend that shelf
Too many books
Read me your favourite line
Papa went to other lands
And he found someone who understands
The ticking, and the western man's need to cry
He came back the other day, yeah you know
Some things in life may change
And some things
They stay the same
Like time, there's always time
On my mind
So pass me by, I'll be fine
Just give me time
Older gents sit on the fence
With their cap in hand
Looking grand
They watch their city change
Children scream, or so it seems,
Louder than before
Out of doors, into stores with bigger names
Mama tried to wash their faces
But these kids they lost their graces
And daddy lost at the races too many times
She broke down the other day, yeah you know
Some things in life may change
But some things they stay the same
Like time, time, there's always time
On my mind
So pass me by, I'll be fine
Just give me time,
Time, there's always time
On my mind
Pass me by, I'll be fine
Just give me time
"Older Chests"; Damien Rice.
Publicado por MatosB às 05:00 AM
fevereiro 27, 2005
Da Costa

Hoje. Tanto mar. Parado.
Publicado por MatosB às 05:12 PM
Retomar o ciclo
Hoje é noite de os fulanos chamados "Óscares" aparecerem.
Logo hoje, prenúncio de retoma de correrias, após curtíssimas 72 horas de liberdade ao final do dia.
Um aperto...
Nem deu para cabar de ler o "Tóquio", o "Volte Face" e o "Vodka", ali, perto do "Cão como nós" e do "Passo da Floresta", todos a gritar "escolhe-me a mim"; logo agora que, no dia 3, há novidades editoriais...
Contento-me com o visionamento do "twisted".
Publicado por MatosB às 12:16 PM | Comentários (1)
Da política geográfica
"as relações entre nações não são essencialmente diferentes das relações entre indivíduos; são somente relações entre indivíduos a uma escala maior"
Morgenthau.
Publicado por MatosB às 02:03 AM
fevereiro 26, 2005
Livros (z)
A história é leve, curta e interessante e tem como fundo amores e desamores medievais, investigados entre (e por) amores contemporâneos.
Lev Grossman é o autor de um dos mais recentes livros no mercado, aparentemente já com boa aceitação; é editado pela Presença e chama-se "O Códice Secreto".
Prometia não escapar à moda da última leva de "romances-históricos" nos habitou: a resolução do mistério teria de passar por uma descodificação, no caso, a esteganografia.
Ninguém ligava a estes assuntos, mas aparentemente a "net" e algumas das capacidades técnicas de cifragem de informação levou uma série de escritores novos a incluir a temática nas suas obras.
Afinal a solução encontrada por este autor é bem mais simples, igualmente eficaz e só mesmo nas últimas páginas se percebe o final.
Publicado por MatosB às 07:25 PM
Excertos (3) ou, jogos de vida
"- eu não gostei deste torneio de xadrez.
- eu gostei!
- pois! não te puseram a jogar com o melhor! ele ganha sempre!
- não faz mal: vocês jogam suficientemente bem para terem sido admitidos ao torneio...
- joguei bem, pai?
- jogaste;
- mas não fiquei em primeiro!
- mas não perdeste todos os jogos;
- então joguei bem!
- sim;
- e o mano?
- também;
- pois, empatei três vezes; e ganhei uma; e só perdi uma vez; porque é que mesmo assim não fiquei melhor classsificado?
- porque és burro! fizeram-te um pastor logo ao início!
- ninguém te pediu a opinião, mano!
- deixa lá: para a próxima o pastor fica com as ovelhas...
- mas, porque é que não fiquei melhor classificado?
- não ficaste melhor classificado, porque demoraste muito tempo com as tuas jogadas; tinhas que decidir mais depressa;
- decidir?
- decidir a jogada; este jogo é feito de decisões, perante o que o adversário, também decide; não é como os jogos de cartas e de dados, em que o resultado depende da sorte do que sai aos jogadores;
- ah! o resultado é o fim! por isso é que quando termino as contas de dividir, digo que chego ao fim!
- e como é que os senhores que lá estavam adivinharam que empatei?
- porque, ou tu, ou o teu adversário, fizeram a mesma jogada por três vezes e não tinham peças que pudesse alterar o jogo; é como as decisões da vida!
- o xadrez é como a vida?!?
- há um denominador comum: em ambas as situações, as jogadas que fazes têm consequências nas peças que contigo se dão no tabuleiro da vida e raramente podes voltar atrás para tomares melhores decisões;
- a vida é, então, um jogo em que se tem de decidir depressa?
- só se te distraíres; mas às vezes, só por vezes, é preciso decidir depressa;
- então a vida não é um jogo: isso já percebi; então, o que é um denominador comum?
- és um fixe; filho, posso explicar-te isso depois de almoço?"
Publicado por MatosB às 03:23 PM | Comentários (1)
fevereiro 25, 2005
Bom fim de semana

Mais uma semana chega ao fim.
Agora é tempo de diminuir a velocidade e sentir a brisa calma. É tempo de observar as coisas simples, o por do sol, o mar.
Para todos vocês, meus amigos, um BOM FIM DE SEMANA.
Publicado por nelourenco às 04:52 PM | Comentários (2)
Memórias do verão

Publicado por nelourenco às 03:22 PM | Comentários (1)
Excertos (2)
- fala inglês?
- sim;
- então?!? vão embora?
- sim; não há aqui nada...
- estou cá eu! Não gosta de dançar?
- mais do tipo rebolar na areia...
- mas aqui não há areia!
- é por isso que tenho cabelo castanho;
- gosta de salsa latina?
- depende dos outros condimentos e do prato;
- ai que engraçado! vejo que é pessoa de humor!
- só com amigos;
- olhe! eu tenho ali imensas amigas, desejando de dançar e...
- conhece o "nirvana"?
- como?!?
- conhece o nirvana?
- é algum clube privado?
- não; é alguém com quem você devia estar a falar.
- pois, ainda não conheço; olhe, pode parecer-lhe um pouco estranho, mas apresento-me: sou sueca, tenho 33 anos e quero engravidar...
- boa! com quem?"
Publicado por MatosB às 10:06 AM | Comentários (4)
Esta noite
Muito cansaço.
Muito longe.
Muito Alentejo.
Muita velocidade para Lisboa.
Muita "ginja" no Rossio, doce, rosa-escuro, suave, desinibidora.
Muita gente, muito amigo, muito ser.
Muito "docas". Muita "guiness".
Muito "irish".
Muito "budah"; Bar;
Muito "bar". Muita túnica e turbante.
Muito ritmo simétrico-repetitivo.
Muita cor.
Muita "juventude".
Muita aparência;
Muita gente cheia de nada.
Constatámos que está tudo na mesma; só mudou o nome comercial.
Lá continuam numa vida falsa, feita de aparências do que se não é e
do que se não tem; persistem na pobreza dos espíritos.
É a venda de um produto inacabado:
imagem; tipo "senta-te meu dinheiro, que a pessoa não vale nada".
Só a idade deles (e a minha) é que aumentou.
Muita triste.
Publicado por MatosB às 04:45 AM | Comentários (1)
Excertos (1)
“…
- o futuro deixa-se levar para algum lado, devagar, como um rio;
- e desagua sempre nalguma foz?
- desagua; ou, seca e não há rio.
- não sei o que o futuro me reserva; não sei que "rápidos" desço.
- ninguém sabe com certeza…
- a idade permite-me ter o desaire por professor.
- a mim, a contrariedade verdadeiramente nova, continua a surpreender-me; foi talvez alguma variável da "função vida" que me escapou;
- tanto calculismo?!?
- tanta evitação...
- tanto tempo gasto com planos!
- o plano é não ter planos; sabe-se que as variáveis estão lá, alterando-se os seus valores a cada inspiração;
- isso é muita incerteza e mutação...
- só as variáveis mudam; a função em si, formalmente, é estática: absolutamente constante; o seu valor é que muda consoante o valor dos tempos - variáveis.
- no meu templo, não há lugar para tempos pequenos;
- emenda a mão.
- com o quê?
- com conselhos calmos a quem desespera;
- por exemplo?
- um dia, perante a tristezas da tua neta Margarida, diz-lhe que efectivamente, numa data tão longínqua na noite da tua memoria, conheceste alguém que te amava e te deu exemplos de vida daquilo a que ainda hoje os filósofos e os idealistas chamam de "amores apaixonados".
- verei se não me esqueço.
- anota. Nota.
Publicado por MatosB às 12:32 AM | Comentários (3)
fevereiro 24, 2005
Original é o poeta

Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutro pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho ás palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever um sismo.
Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte faz
devorar um jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.
Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce á rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.
Original é o poeta
que chegar ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia
como se fosse uma mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.
Ary dos Santos
Publicado por nelourenco às 04:40 PM | Comentários (3)
Brindemos

Um por Reais (eu ainda lá vou "esgravatar" a nota),
um por Comercial,
um por Executivo,
um por Processo Penal,
um por Penal.
Melhor ou pior....
JÀ ESTÃO.
Publicado por nelourenco às 02:02 PM | Comentários (5)
Retratos... (2)
"And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off of you
...
I can't take my eyes...
And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my eyes off of you
...
I can't take my eyes..."
... de mim.
Obrigado ao Carriço por nos dizer do Damien (The Blower's Daughter).
Publicado por MatosB às 12:10 AM | Comentários (1)
fevereiro 23, 2005
Post horário

São 15H15.
Já só faltam 3 horas e quarenta e cinco minutos...
Publicado por nelourenco às 03:30 PM
Viver poesia
Há quem a escreva.
Há quem a diga.
Há quem a toque.
Até há quem a leia.
Mas ela só o é, quando é vivida.
Nisso consiste ser sentida.
Publicado por MatosB às 02:05 PM | Comentários (1)
Olhares ditos
E disse-me:
"Atira ao olhar e sente o que não és.
Dá-lhe um chegado abraço,
um daqueles que se deixam abraçar.
Dá-lhe também um beijo, pelo regaço
que lhe pedes sem falar.
Dá-lhe do tempo em que não foste, nem és,
daquele tempo que já não tens para dar
e respira devagar o ar que não tens,
nem a ver o azul do mar.
Atira ao olhar e percebe quem és.
Se aqui ficas quieto e sem nada ter
e se ali és como aqui, sem nada ser,
ficas comigo
e com o resto dos tempos que temos,
para esquecer."
in "Nenhures".
Publicado por MatosB às 12:14 AM | Comentários (1)
fevereiro 22, 2005
Conjuração catilina
Afinal, o mal é muito antigo:
"12. Depois que as riquezas começaram a ser consideradas e as seguiam fama, poder, influência, veio a virtude a fenecer, a pobreza a ser olhada como opróbio e a honradez a ter-se por ofensa."
In "Obras completas." Salústio.
Publicado por MatosB às 08:31 PM
Ao longe, ao luar

Ao longe, ao luar,
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela ?
Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.
Que angústia me enlaça ?
Que amor não se explica ?
É a vela que passa
Na noite que fica.
Fernando Pessoa
Publicado por nelourenco às 03:00 PM | Comentários (1)
Retratos... (1)
"How can I think I'm standing strong,
Yet feel the air beneath my feet?
How can happiness feel so wrong?
How can misery feel so sweet?
How can you let me watch you sleep,
Then break my dreams the way you do?
How can I have got in so deep?
Why did I fall in love with you?
This is the closest thing to crazy I have ever been
Feeling twenty-two, acting seventeen,
This is the nearest thing to crazy I have ever known,
I was never crazy on my own…
And now I know that there's a link between the two,
Being close to craziness and being close to you.
How can you make me fall apart
Then break my fall with loving lies?
It's so easy to break a heart;
It's so easy to close your eyes.
How can you treat me like a child
Yet like a child I yearn from you?
How can anyone feel so wild?
How can anyone feel so blue?
...and being close to you,
and being close to you."
Melua. "The Closest Thing To Crazy".
Publicado por MatosB às 02:21 PM
Reanalisar
É olhar o mesmo e nunca o vêr da mesma maneira.
Como olhar para cima: a perspectiva nunca é a mesma; só se mantem o objecto.
Por em perspectiva é nunca ver da mesma maneira o mesmo.

Publicado por MatosB às 12:30 PM | Comentários (5)
fevereiro 21, 2005
Os textos dos outros (1)
É o óbvio, por tornado simples na explicação.
Publicado por MatosB às 08:06 PM | Comentários (1)
A porta

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.
Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.
Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.
Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!
Vinicius de Moraes
in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"
Publicado por nelourenco às 03:20 PM
Estudo de penal, consequências

Efeitos
Juiz de instrução
Pessoa
Segredo de justiça
Meios de prova
Crime
Imputação
Agravação limites máximos
Sanções
Verdade
Criminalidade violenta
Previstos
Código
Artigo penal
Dolosamente
Liberdade
Judiciária
Puníveis
Arguido
Nulidade
Decisão instrutória
Assistência
Cinco anos
Actos processuais
Termos
Certidões
Auto de notícia
Litígio
Investigação
A pedido
Excepcionalmente
Perturbação
Publicado por nelourenco às 12:54 PM | Comentários (2)
Ministros da Justiça - reload e bis
É só para recordar; pode ser que leiam...
"...os Ministros da Justiça, parecem fazer da sua assinatura num Código Penal um ponto alto da sua passagem pelo Poder; mas se assim for, estar-se-á diante de uma vã glória, pois que logo um dos seus sucessores se encarregará de apagar essa memória, gravando a sua própria num novo código penal."
Prof. Taipa de Carvalho.
Publicado por MatosB às 09:05 AM
fevereiro 20, 2005
Leituras políticas
Vi as notícias e percebi que há duas grandes vitórias:
- a do BE, que muito me admirou; parece que o PC vai ter de se renovar a sério;
e a
- do PS; espero que liberalismo económico e apoio social possam efectivamente coexistir.
Publicado por MatosB às 09:50 PM | Comentários (1)
Voto em
Hoje é dia de votar.
Hoje, é dia de ensinar (por exemplo os seus filhos, levando-os consigo até á urna)
que que em democracia, se não deve ficar em casa em dia de eleições.
Não fique em casa: vá votar!
Vá votar, mesmo que seja "em branco"; mas vá!
Publicado por MatosB às 09:26 AM | Comentários (3)
Estupidez e poder
In Allegro ma non troppo. De Cipolla.
"(...) estúpida é uma pessoa que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer um prejuízo."
E diz mais adiante:
"...existe uma fracção de votantes que são estúpidos e as eleições oferecem-lhes uma magnífica ocasião para prejudicar todos o outros, sem obter qualquer ganho com as suas acções."
Publicado por MatosB às 05:39 AM | Comentários (2)
fevereiro 19, 2005
Códigos de quase 31 anos
Iniciou-se então um processo militar que veio a permitir a implantação de um verdadeiro Estado, de Direito e Democrático.
Hoje, até há uma Constituição que o diz expressamente.
O dito processo militar, foi conduzido por militares e consistiu numa operação militar.
Por isso, foi desenhada militarmente, incluindo o uso de cifras e de códigos nas comunicações entre esses militares.
Saiba então que amanhã, se vota para (com as necessárias adaptações) a constituição de um novo "cairo".
E em consequência, o "galo" deverá convidar alguém para, como "coelho", formar Governo.
Publicado por MatosB às 05:15 PM
Em circuito fechado - ficar só
Lê-se sob o título "Quem ajuda J.Lo?", em "Vaidades", no caderno "100%" do Independente, onde ao lado se deixa notar uma imagem de uma (por coincidência) loura cheia de curvas e de contra-curvas:
"A latina norte-americana que menos sabe falar espanhol confessou que o seu principal medo é estar sozinha."
AH! afinal, sempre é verdade!
Há mesmo quem tenha medo de ficar só!
Publicado por MatosB às 03:20 AM | Comentários (1)
Nos e a tal gia
Sorry
Is all that you can't say
Years gone by and still
Words don't come easily
Like sorry like sorry
Forgive me
Is all that you can't say
Years gone by and still
Words don't come easily
Like forgive me forgive me
But you can say baby
Baby can I hold you tonight
Maybe if I told you the right words
At the right time you'd be mine
I love you
Is all that you can't say
Years gone by and still
Words don't come easily
Like I love you I love you"
Chapman.
Publicado por MatosB às 01:04 AM
fevereiro 18, 2005
La rose
L'important
C'est la rose l'important
C'est la rose l'important
C'est la rose crois moi.
Gilbert Bécaud
Publicado por ze_do_teclado às 11:59 PM
Contra informação - Sócrates
E eles a darem-lhe!
Numa obervação shrekiana poder-se-ía deixar escapar um "ciça búrru"...
À laia de notícia de uma pretensa-pseudo-demissão de "uma coordenadora de Setúbal", a revista lá vai insistindo em noticiar que Sócrates está envolvido num free-não-sei-o-kê-porte: até parece coincidência com o "indesmentível" título do "Independente".
Assim se revela o enorme poder que os media têm actualmente: a Sábado e "a sua fonte da PJ", criaram mais uma Direcção Central que até 18 de Fevereiro de 2005 não existia naquela polícia:
"Só a Direcção Central de Combate ao Crime e Evasão Fiscal foi avisada, no início da semana."
Sábado, n.º 42. Pág. 58.
Publicado por MatosB às 09:45 PM | Comentários (1)
A revolta das máquinas
O tema, pelo menos no cinema, é recorrente: é uma visão trágica de um futuro próximo-longe em que um dia, as máquinas se revoltam, autonomizam em relação aos humanos, conseguem auto-repar-se e colocam em perigo o Homem. Melhores exemplos:
- 2001, odisseia no espaço;
- blade runner;
- os vários filmes com o "exterminador impecável"...
e o último, o
- I robot;
A coisa, por hora, parece controlada, mas aqui e ali já aparecem manifestações desse futuro:
- o elevador que não eleva nem desce e guarda as pessoas dentro dele;
- o integrado do carro que se esquece das instruções e nem deixa abrir as portas;
- a máquina de lavar loiça, que a quer centrifugar;
- o frigorífico que no Inverno insiste em fazer toneladas de gelo;
- a máquina de lavar roupa que informa ter terminado o programa, deixa abrir a porta e nos inunda a casa toda;
- e segundo o Rui (vocês não conhecem - ainda não está no blog) as placas eléctricas do fogão, que não aceitam aquecer todo o tipo de frigideira, mas esturricam perfeitamente os deditos.
Tecnologias.
Publicado por MatosB às 08:05 PM
O que ainda me falta...
...ler para a frequência de penal.

HELP!!
Publicado por nelourenco às 04:39 PM | Comentários (8)
A uma ausência
"Sinto-me, sem sentir, todo abrasado
No rigoroso fogo que me alenta;
O mal, que me consome, me sustenta,
O bem que me entretém, me dá cuidado;
Ando sem me mover, falo calado,
O que mais perto vejo se me ausenta,
E o que estou sem ver mais me atormenta,
Alegro-me de ver-me atormentado;
...
Mas se de confiado desconfio,
É porque entre os receios da mudança
Ando perdido em mim, como em deserto."
Barbosa Bacelar.
Publicado por MatosB às 04:45 AM | Comentários (2)
fevereiro 17, 2005
Direito de voto
" O instituto do sufrágio universal pode ser considerado o meio através do qual ocorrre a constitucionalização do poder do Povo de derrubar os governantes."
Bobbio.
Teoria Geral da Política.
Publicado por MatosB às 11:40 PM
Amor de "dreads"
É escrever-lhe e subscrever num papelito pautado arrancado do caderno da escola, entregando-lhe no Dia da Mãe:
"o amor é a melhor coisa que há depois do bolo de chocolate."
Porque sim... digo eu.
Publicado por MatosB às 05:00 AM
fevereiro 16, 2005
Músicas (dos campos frescos)
O grupo chama-se "Agricantus".
A designação parece vir do latim, querendo significar "sons dos campos".
É "folk-étnico-plural".
A faixa "Carrizi R'amuri (Es Souk)", é a minha preferida.
É música; e é "diferente".
Publicado por MatosB às 05:00 AM | Comentários (2)
fevereiro 15, 2005
Prioridades enresinadas: um caso prático
Aprende-se em Constitucional, em Penal e em Administrativo, mas há quem
esqueça rapidamente o que estudou. É um caso clássico de exame:
"Nos quadros públicos, a definição de prioridades de serviço, sem despacho
fundamentado e sem cabimento em quadros pré-definidos por instruções de
serviço ou outros regulamentos, ou seja, por boca, são ilegais.
Não são ordens sequer: são cunhas; e como tal, são ilícitas.
Se acompanhadas de determinado tipo de promessas, são corrupção, para obtenção de acto lícito.
Se acompanhadas de ameaça, velada ou expressa, pelo não acatamento, ainda é pior.
São o caso das cunhas disfarçadas de ordens, tipo "dêm prioridades a isto", quando nem se percebe onde está a urgência ou porque há-de a tarefa passar à frente de outras em curso e mais antigas, principalmente quando nem consta qualquer despacho justificativo ou determinativo.
E então se for para dar prioridade em função de um calendário político, estas cunhas são
do pior que há."
Nunca tinha visto um caso prático destes. Se existisse esta realidade, ficava a ideia de ser o espelho da sociedade ".pt".
E nesse caso, enquanto persistir este esquecimento selectivo (por alguns de quem devia partir o exemplo) de que se jurou cumprir de boa-fé e determinação para com a "boa Função Pública" e enquanto se trabalhar a pedido de oportunismo político, Portugal continuará raquítico; mesquinho; medíocre.
Esperava (mas ainda tenho esperança que assim seja) que "os Juízes de Liberdades" o sejam efectivamente e que os Procuradores, os Advogados e mesmo os polícias se lembrem todos dos seus juramentos públicos de tomada de posse e saibam ser dignos, i.e., cumpram com lealdade e isenção as funções que lhes foram confiadas.
Ainda bem que é só um acaso prático.
Publicado por MatosB às 11:14 PM | Comentários (1)
E a escolha certa...
"...é um segredo dentro de um segredo, o segredo de algo que permanece coberto, um segredo que só outro segredo pode explicar, é um segredo sobre um segredo que se sacia de um segredo."
De: Ja'far al-Sâdiq
:)
Publicado por analourenco às 05:09 PM | Comentários (1)
Sondagens
Sou leitora assídua de vários outros blogs e surgiu um no inicio deste ano, ao qual não prestei muita atenção. Quero agora reparar o meu erro e dar os devidos créditos.
O Margens de Erro é um blog de referência sobre sondagens, explicito e actual, uma boa fonte de informação. Os meus parabéns a Pedro Magalhães.
Publicado por analourenco às 04:28 PM
Anversos
Des.
Futuro. Des.
Concerto.
Desconcertado. Desconfortado.
Desestabilizado. Desgastado.
Descascado. Descarrilhado.
Descomandado. Destituído.
Passado. Sem. Agora.
Ausência. Falta.
Esvaziado. Esgotado.
Gasto. Sem. Gesto.
Gosto.
Publicado por MatosB às 06:11 AM
fevereiro 14, 2005
Pour Julia
Je n'ai jamais su,
je n'ai jamais cru
que ça existait
hors des romans,
hors des poèmes.
Tu m'as dis
que c'était vrai.
Je t'ai écouté
mais je n'ai pas compris.
Alors tu me l'as montré.
Fou que j'étai,
fou que je suis.
D'abord pour l'avoir nié,
après, pour y croire
comme seul un naïf croit.
Est-ce l’amour?
Est-ce un rêve?
Je ne veux pas me réveiller
car j'ai peur de découvrir
que seul les oiseaux volent.
Je veux voler aussi
dans tes bras,
dans tes caresses,
sur les nuages et sur la mer,
sur toute la terre.
Anonyme, siècle XXI
Publicado por ze_do_teclado às 11:59 PM
Para a minha namorada

Su
Quis eu escrever uma canção.
Quis eu que fosse a mais bela.
Que vinda do fundo do coração
Fossem notas coloridas numa tela.
Quis eu escrever um poema
Que tivesse a mais bela rima.
Que versasse sobre o tema
Deste amor que me domina
Quis dar-lhe o murmúrio do mar
Doce, calmo, sereno.
Quis eu a brisa a soprar
Brisa fresca em calor ameno.
Mas unicamente sei como te amar
Com um amor do tamanho do mundo.
Serei para ti canção, poema, brisa, mar.
Serei a tua vida a cada segundo.
Publicado por nelourenco às 09:00 AM
Its that day...
"I've got sunshine
On a cloudy day.
When it's cold outside,
I've got the month of May.
Well, I guess you'll say
What can make me feel this way?
My girl! My girl, my girl!"
Publicado por MatosB às 12:05 AM
fevereiro 13, 2005
Livros
"...
Um martelo e alguns pregos.
...
Pensas que és o Messias?
...
Muito bem. Então podes morrer como o Messias."
Não é assim, nem é aqui que termina "O Messias", de Starling: ainda há mais umas (muito poucas) páginas para ler com sofreguidão.
A questão está em saber o que acontece mesmo no finalzinho do livro, porque o leitor percebe com alívio (e desconcerto?!?) que um polícia, vai cometer um crime: nada menos que um homicídio.
Mais do que o início do fim de um livro, inicia-se também um processo de dúvida interna, sobre se o acto era ou não de justiça privada santificável: necessário, adequado e proporcional... sobretudo de "justiça no caso concreto"...
Há mais uns livros de Boris Starling, traduzidos para português, como "A Tempestade" ou o recente "VodKa".
Já leram?
Publicado por MatosB às 12:50 AM
fevereiro 12, 2005
Os poetas fazem-me confusão
Os poetas fazem-me confusão. Sempre me fizeram confusão. Porque não dizem o que sentem de uma forma escorreita que todos possam compreender?
Se escrever é comunicar, porque escolhem uma escrita que torna tão difícil a comunicação? Porque escondem os seus sentimentos atrás de uma parede translúcida de palavras com sentidos que fogem pelo texto fora, sentidos que se escondem quando os procuramos, que escorregam das mãos quando os agarramos, que se tornam fluidos quando por fim os capturamos, ficando nas mãos com coisa nenhuma e na boca, com o travo de quem não chegou a saborear, mas apenas a adivinhar o sabor pelo aroma suave que fugazmente aflorou as narinas.
Ocorre-me pensar que os poetas não comunicam histórias ou enredos, factos ou realidades palpáveis, razões ou argumentos. Não, eles comunicam sensações, emoções, frémitos fugazes, olhares etéreos que só eles registam. Eles renunciaram à deusa Razão e à sua inseparável comadre Lógica. Eles tentam transmitir o intransmissível, eles tentam fazer sentir aos outros o que nem eles próprios têm a certeza de sentir. Não, não fingem: transformam a alusão de uma emoção na emoção que gostavam que tivesse existido, prendem no tempo um olhar demasiado breve sobre uma realidade que não teve tempo de se definir antes de deixar de existir. É o reino do indefinido, do que não chegou a ser, do que não se pode identificar, é a dimensão mais que humana, a dimensão que nem todos conhecem e que menos ainda querem conhecer. É um mundo irreal e inseguro, onde não nos conseguimos mover mas apenas assistir, não com os sentidos alerta, mas com a alma aberta à sedução, com a emoção desperta e pronta a reagir em instantes, sem seguir o antes e sem esperar o depois.
O poeta também cultiva as emoções em excesso: a dor a que ninguém resistiria ou a paixão que impediria qualquer um de dormir, comer ou sequer respirar. O poeta usa cores tão intensas que não foram inventadas. O poeta escreve melodias que o ouvido humano não capta. Mas é sempre o mesmo poeta que assiste imóvel, deixando a alma seduzir-se pelas emoções. Não é a outra face da mesma moeda. As moedas do poeta só têm uma face que pode ganhar muitas formas: difusas, suaves, intensas, marcadas.
Os poetas serão retratistas da alma? Antes da fotografia, havia o retrato. Saber que um retrato pode ser melhor que uma fotografia, teve que esperar pela invenção da fotografia. Teremos que esperar pela invenção da almografia para louvar os poetas? Tarefa ciclópica a deles, sem garantias de ser compreendida e sempre na dúvida quanto ao resultado. Como posso explicar a um cego a cor? Como posso transmitir a um surdo o prazer da música? Como pode um poeta despertar a alma que não sabemos que temos, evocar emoções que não sentimos, fazer-nos ver o que não chega a existir?
Publicado por ze_do_teclado às 09:26 PM | Comentários (2)
Déjà vú
Ainda há pouco (algum) tempo Pacheco Pereira analisava num telejornal as "verdadeiras estratégias" por detrás das notícias na imprensa escrita, a respeito do chamado "processo Casa Pia".
Num "tablet-pc", lá ía circundando com cores garridas partes de notícias, de frases, expressões, para explicar o seu ponto de vista.
Se estão recordados, eram nitidamente técnicas de desinformação, típicas de agências policiais - disse ele.
Nunca ninguém se quis referir à "utilização" dos jornais (e dos jornalistas) para efeitos propangadisticos, a cobro do "dever de informar".
E agora? São novamente as "polícias de informação"? Não aprendem? Vale tudo? Para onde nos querem levar?
A propósito de notícias vindas a público hoje em mais do que um órgão de comunicação social, nos termos das quais estaria a ser investigado o eventual envolvimento do Sr. Engº José Sócrates no processo que viabilizou o licenciamento do empreendimento “Freeport” em Alcochete,
pode informar-se, ao abrigo da alínea b) do nº 9 do artigo 86º do Código de Processo Penal que:
- Está pendente há uma semana nos serviços do Ministério Público do Tribunal da Comarca do Montijo um inquérito-crime relativo a tal licenciamento, procedendo neste momento a Polícia Judiciária de Setúbal às pertinentes investigações.
- Tanto quanto os elementos indiciários reunidos até ao momento permitem avaliar, não existe nenhuma suspeita de cometimento por parte do Engº José Sócrates de qualquer ilícito criminal relacionado com o aludido processo de licenciamento.
Lisboa, 11 de Fevereiro de 2005
O Gabinete de Imprensa
Ana Lima
in NOTA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL
Publicado por MatosB às 12:59 AM
fevereiro 11, 2005
Sem pão, nem INTERNET; quanto mais sem “net”
E no meio da discussão, alguém afirmou que os blogs são uma revolução em termos de comunicação.
A meu ver, a verdadeira novidade dos weblogs não constitui uma nova (e muito menos revolucionária) forma de expressão literária.
O seu caracter principal não é a universalidade; nem reside num crescente contra-poder aos “media” tradicionais; nem é reduzível a um novo tipo de obra literária de carácter intimista.
Reconhecendo-se que as novas tecnologias de informação e de comunicação (TIC) emprestam um “plus” à secular forma escrita, nomeadamente pela facilidade de introdução e de conjugação de som e de imagem, no fundo, o que os “blog’s” trouxeram mesmo (independentemente da seriedade, ou da intenção, ou da qualidade dos conteúdos) foi a possibilidade de qualquer pessoa, “quase-qualquer-pessoa”, poder expressar-se por via deste tipo de redes de informação distribuída.
Se mesmo empiricametne se percebe que tal constitui uma nova valia em termos culturais, com catedráticos norte-americanos já a defender que o conceito de “informação multimédia” deve ser introduzido cedo na formação escolar, por facilitar a adequação do novo e-cidadão à realidade da “vida electrónica” e por estimular a criatividade individual e grupal, então também é verdade que o principal combate político não deve então consistir na regulamentação das redes de comunicação, mas sim pugnar pelo aumento de e-cultura, facilitando efectivamente o acesso às novas tecnologias.
Se por um lado esta análise sintética poderá fazer sentido, por outro, não consigo deixar de pensar nas “firewall” que impedem esse objectivo, traduzido nas barreiras reais da pobreza e de miséria bem conhecidos em termos continentais, mas infelizmente, também e ainda, dentro das nossas próprias fronteiras.
Sem pão, nem INTERNET; ou pior: sem pão, quanto mais sem “net”. Um pesadelo sem nada de virtual.
Independentemente dos ciclos económicos e políticos, das inflações e das desqualificações, acabe-se então com o analfabetismo real, para depois combater o “virtual”.
Esperemos que nesse processo e em consequência, surja a tão desejada qualificação e mais e-cidadania, enquanto se começa a sedimentar a noção de que importa desenhar novos e-valores sociais.
Publicado por MatosB às 05:27 PM | Comentários (6)
Coragem

Faz da tua alma um diamante. Por cada novo golpe uma nova face, para que um dia ela seja toda luminosa.
(Rogelio Stela Bonilla)
Publicado por nelourenco às 04:25 PM | Comentários (1)
Agradecimento...
Ao Carriço, pelo comentário e pelo link.
Volte sempre a esta sua casa.
Publicado por nelourenco às 11:37 AM | Comentários (1)
As palavras que te digo...
"ti vuol dir quache cosa, non pensar che ti dica cosa friuola, cosa volgare, cosa commune:ma vn mistero, vn oracolo..."
De: Thomaso Garzoni, em Il Theatro de vari e diversi cervelli mondani, Venezia, Zanfretti, 1583, discurso XXXVI.
Publicado por analourenco às 12:20 AM
fevereiro 10, 2005
BARCO DE PAPEL

Relembro um dia dos meus tempos de menino:
larguei a flutuar
um barco de papel na água de um fosso.
Era no mês de julho, e era um dia chuvoso;
eu estava sòzinho e era feliz
com o meu brinquedo... Sobre o fosso eu fiz
o meu barquinho de papel boiar...
Súbito, as nuvens carregadas de tormenta
se adensaram; os ventos, em rajadas,
assopraram, e a chuva, em bátegas, tombou.
Jorros de água barrenta
arremeteram e engrossaram a corrente,
e o meu barquinho de papel lá se afundou...
Pensei comigo amargamente
que a tempestade viera expressamente
para destruir minha felicidade:
era bem contra mim toda a sua maldade.
Aquele dia nublado
de julho já vai hoje bem distante,
e tenho muitas vêzes meditado
em todos os brinquedos desta vida
que eu
fui sempre quem perdeu...
Culpava assim o meu destino
dos desenganos todos que me deu,
mais eis que me lembrei sùbitamente
do barco de papel lá no fosso afundado.
(Rabindranath Tagore)
Publicado por nelourenco às 12:39 PM | Comentários (1)
Escolhas
"Ell' è d'i suoi belli occhi veder vaga
com'io de l'addornarmi con le mani;
lei lo vedere, e me l'ovrare appaga."
Iden; logo mais adiante.
Publicado por MatosB às 08:14 AM
O voto
Hoje é dia de votar.
Não fique em casa; vá votar!
Vote em branco, ou vote num partido... mas vá votar!
Publicado por MatosB às 12:14 AM
fevereiro 09, 2005
Alguém
"Sappia qualunque il lio nome dimanda
ch'i' mi son Lia, e vo movendo intorno
le belle mani a farmi una ghirlanda."
(Dante, Purgatorio, XXVII, 100-102)
Publicado por analourenco às 11:24 PM
Nota para não Escrever
Se o conhecimento é uma forma de escrita, mesmo sem palavras, uma respiração calada, a narrativa que o silêncio faz de si mesmo, então não se deve escrever, nem mesmo admitindo que fazê-lo seria o reconhecimento do conhecimento. Pode escrever-se acerca do silêncio, porque é um modo de alcançá-lo, embora impertinente. Pode também escrever-se por asfixia, porque essa não é maneira de morrer. Pode escrever-se ainda por ilusão criminal: às vezes imagina-se que uma palavra conseguirá atingir mortalmente o mundo. A alegria de um assassinato enorme é legítima, se embebeda o espírito, libertando-o da melancolia da fraternidade universal. Mas se apesar de tudo se escrever, escreva-se sempre para estar só. A escrita afasta concretamente o mundo. Não é o melhor método, mas é um. Os outros requerem uma energia espiritual que suspeita do próprio uso da escrita, como a religiosidade suspeita da religião e o demonismo da demonologia. A escrita - inferior na ordem dos actos simbólicos - concilia-se mal com a metamorfose interior - finalidade e símbolo, ela mesma, da energia espiritual. O espírito tende a transformar o espírito, e transforma-o. O resultado é misterioso. O resultado da escrita, não.
(Herberto Helder, in 'Photomaton & Vox')
Publicado por nelourenco às 12:32 PM
Depois do caos
vem a ordem, ou descanso. Mas mesmo na ordem, há sempre um ou outro desvio...

Publicado por MatosB às 12:23 AM
Desconstruções do ser - o caos

Publicado por MatosB às 12:05 AM
fevereiro 08, 2005
Da escolha dos ministros
"Não é de pouca importância a eleição dos ministros (...)
A primeira conjectura que se faz acerca (...) de um senhor baseia-se na verificação dos homens de que se rodeou;"
São mais «actualidades» vindas directamente de textos antigos.
Esta, vem de 1514.
Maquiavel.
Publicado por MatosB às 12:32 PM
É Carnaval

Publicado por nelourenco às 10:15 AM
fevereiro 07, 2005
De volta a Alcácer
Visitar Alcácer é sempre um acontecimento muito especial.
Tudo é mágico. O rio, as cegonhas que estão, como o sol, agora mais recatadas, o ar, o céu...
Não estava a contar com este passeio, mas a tentação foi tão grande que não fomos capazes de resistir. A verdade é que não tentámos sequer.
O destino estava marcado à saída - o Retiro Sadino, restaurante onde se come com qualidade e onde impera a simpatia.
Como é habitual fomos muito bem recebidos.
De imediato saboreámos uns deliciosos espargos com ovos e uma não menos deliciosa linguiça.
Para a refeição um bacalhau e as já habituais migas gatas com joaquinzinhos fritos.
Por pura gula, veio ainda uma deliciosa encharcada de ovos.
E o passeio continuou.
A esta hora era já bom de ver que o (tão necessário) estudo de executivo estava condenado. Com um telefonema para o Joakim ficou arrumado o assunto e (sinceramente) não mais pensei em tal coisa – não me fosse causar alguma indigestão.
A paisagem alentejana que nos circundava era de cortar a respiração. A cada curva, o céu, as cores da terra, os campos eram de uma beleza extrema. E assim acompanhados seguimos até Montemor.
Aí, uma trilogia composta por chás, doces e scones, acompanharam o resto da tarde de conversa em família.
Como me soube bem este domingo.
Publicado por nelourenco às 12:01 PM
fevereiro 05, 2005
Actualidades
Parem um pouco e confirmem: em que ano estamos?
Agora, percam uns segundos e leiam; depois digam-me:
o poema continua actual? E se sim, não vos incomoda?
Com fúria e raiva acuso o demagogo
e o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra
Sophia de Mello Breyner; em Junho de 1974.
Publicado por MatosB às 01:04 AM
fevereiro 04, 2005
Leituras cruzadas
Se a moda pega entre os nossos Juizes...
Publicado por MatosB às 07:52 PM
Ouve o teu coração

Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores, lembra-te da forma como crescem.
Lembra-te que uma árvore com muita ramagem e poucas raízes é derrubada à primeira rajada de vento, e que a linfa custa a correr numa árvore com muitas raízes e pouca ramagem……….
As raízes e os ramos devem crescer de igual modo.
E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera.
Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração.
Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar.
Susana Tamaro
Publicado por nelourenco às 04:12 PM
fevereiro 02, 2005
E por vezes
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
Nunca mais sao os mesmos.
A letra e a voz de David Mourão Ferreira
Publicado por MatosB às 12:05 AM | Comentários (1)
fevereiro 01, 2005
Livros (z)
A história é interessante do princípio ao fim. Não é um romance histórico.
E acaba por não ser um policial; é mais uma estória de sobrevivência.
O resumo do romance que o próprio livro oferece, não rouba nada ao desenrolar dos acontecimentos nem à forma abrupta (mas feliz) do seu final.
Mas é seguramnte o livro com a história mais estranha que já li.
É de Mo Hayder e chama-se "Tóquio".
Publicado por MatosB às 07:55 AM