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fevereiro 10, 2005
BARCO DE PAPEL

Relembro um dia dos meus tempos de menino:
larguei a flutuar
um barco de papel na água de um fosso.
Era no mês de julho, e era um dia chuvoso;
eu estava sòzinho e era feliz
com o meu brinquedo... Sobre o fosso eu fiz
o meu barquinho de papel boiar...
Súbito, as nuvens carregadas de tormenta
se adensaram; os ventos, em rajadas,
assopraram, e a chuva, em bátegas, tombou.
Jorros de água barrenta
arremeteram e engrossaram a corrente,
e o meu barquinho de papel lá se afundou...
Pensei comigo amargamente
que a tempestade viera expressamente
para destruir minha felicidade:
era bem contra mim toda a sua maldade.
Aquele dia nublado
de julho já vai hoje bem distante,
e tenho muitas vêzes meditado
em todos os brinquedos desta vida
que eu
fui sempre quem perdeu...
Culpava assim o meu destino
dos desenganos todos que me deu,
mais eis que me lembrei sùbitamente
do barco de papel lá no fosso afundado.
(Rabindranath Tagore)
Publicado por nelourenco às fevereiro 10, 2005 12:39 PM
Comentários
Belas, essas palavras. Porém, como admirador da fotografia, fiquei deslumbrado com esta!! Linda, serena...
Bela descoberta, a que fiz ao aqui vir parar.
Saudações
Publicado por: Carriço às fevereiro 11, 2005 01:26 AM