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fevereiro 11, 2005

Sem pão, nem INTERNET; quanto mais sem “net”

E no meio da discussão, alguém afirmou que os blogs são uma revolução em termos de comunicação.
A meu ver, a verdadeira novidade dos weblogs não constitui uma nova (e muito menos revolucionária) forma de expressão literária.

O seu caracter principal não é a universalidade; nem reside num crescente contra-poder aos “media” tradicionais; nem é reduzível a um novo tipo de obra literária de carácter intimista.

Reconhecendo-se que as novas tecnologias de informação e de comunicação (TIC) emprestam um “plus” à secular forma escrita, nomeadamente pela facilidade de introdução e de conjugação de som e de imagem, no fundo, o que os “blog’s” trouxeram mesmo (independentemente da seriedade, ou da intenção, ou da qualidade dos conteúdos) foi a possibilidade de qualquer pessoa, “quase-qualquer-pessoa”, poder expressar-se por via deste tipo de redes de informação distribuída.

Se mesmo empiricametne se percebe que tal constitui uma nova valia em termos culturais, com catedráticos norte-americanos já a defender que o conceito de “informação multimédia” deve ser introduzido cedo na formação escolar, por facilitar a adequação do novo e-cidadão à realidade da “vida electrónica” e por estimular a criatividade individual e grupal, então também é verdade que o principal combate político não deve então consistir na regulamentação das redes de comunicação, mas sim pugnar pelo aumento de e-cultura, facilitando efectivamente o acesso às novas tecnologias.

Se por um lado esta análise sintética poderá fazer sentido, por outro, não consigo deixar de pensar nas “firewall” que impedem esse objectivo, traduzido nas barreiras reais da pobreza e de miséria bem conhecidos em termos continentais, mas infelizmente, também e ainda, dentro das nossas próprias fronteiras.

Sem pão, nem INTERNET; ou pior: sem pão, quanto mais sem “net”. Um pesadelo sem nada de virtual.

Independentemente dos ciclos económicos e políticos, das inflações e das desqualificações, acabe-se então com o analfabetismo real, para depois combater o “virtual”.
Esperemos que nesse processo e em consequência, surja a tão desejada qualificação e mais e-cidadania, enquanto se começa a sedimentar a noção de que importa desenhar novos e-valores sociais.

Publicado por MatosB às fevereiro 11, 2005 05:27 PM

Comentários

Realmente, não vejo o porquê de se considerar que os blogs sejam um contra-poder aos media tradicionais. Se o conseguirem ser, a responsabilidade é exclusivamente destes últimos, quanto a mim.

Quanto à questão do analfabetismo, não podia estar mais de acordo. Combata-se o real, antes de mais!

Saudações

Publicado por: Carriço às fevereiro 11, 2005 06:41 PM

Hum... Um blogue é uma coisa simples. Poderosa? Eventualmente. Se o autor souber usar a palavra (ou a imagem) e tiver alguma coisa de novo / de especial / de interessante para dizer aos outros, pode ter um blogue (ou parte de um) poderoso.

Nisso o blogue é revolucionário: veio permitir a livre expressão individual em jeito de mass media a muitos mais milhões de indivíduos do que até aqui qualquer tecnologia (conjunto delas) fizera.

Mas só nisso. Não posso dar para os peditórios do e-cidadão e da e-cultura, enquanto novos paradigmas de civilização, pelo simples motivo de termos ainda tão pouca gente capaz de se expressar devidamente pelos blogues. Na mais simpática das hipóteses temos 0,1 por cento da população mundial a editorar blogues e talvez 0,5 por cento a lê-los. É o que se pode chamar uma minoria estatisticamente irrelevante. Logo, como acreditar nalguma "revolução" levada a cabo por tão mínima e irrelevante minoria?

Mesmo num país tecnologicamente avançado como os EUA as percentagens continuam a ser irrelevâncias estatísticas -- sobretudo se consideramos que não reflectem de todo as quotas sociais das várias populações que constituem os Estados Unidos.

Compreendo os excessos de entusiasmo dos catedráticos americanos (suponho, caro MatosB, que se referia a cidadãos dos EUA e não ao subcontinente da América do Norte como um todo). Mas penso que estamos muito longe da pretensão de "dar Internet" ao povo e obter com isso um povo "educado" e "participativo" e até "cultural", seja lá isso da cultura o que for.

As firewalls, caro MatosB, tem toda a razão: temos tantas firewalls ainda, e em coisas básicas como a água...

Os blogues serão um contra-poder de elite. A influência dos blogues na sociedade só se consegue medir na forma como a elite-leitora recebe a elite-editora. Tragam o microscópio!

Publicado por: Paulo às fevereiro 11, 2005 10:49 PM

Ora aí está! grato pela visita e pelo comentário!

Publicado por: MatosB às fevereiro 11, 2005 10:56 PM

Antes de mais, feliciades ao Blog. Muito me alegra saber e ver o que aqui fizeram. Quanto à matéria em causa, decidi comentar por razões próprias muito minhas e que julgo que, devem ser comuns a muitos blogers. Foi muito recentemente que os descobri. A minha primeira experiência como leitor, e como muitas coisas na vida, não foi das melhores. No entanto, descobri uma realidade desconhecida para mim até então, os web-blogs. Por várias vezes reflecti sobre eles, nos conteúdos, na forma de apresentação, nos comentários e apercebi-me de uma coisa que acho muito interessante. O facto de que os blogs, são um importantíssimo meio de comunicação, por muito ínfimos que sejam os seus autores e leitores e por muito irrelevantes que estes sejam. Seja na aparência, nas matérias que versam, nos conteúdos, nas ideias ou na escrita, são no fim de tudo uma forma de alguns, exporem a todos, o que lhes vai na alma, no pensamento. Possivelmente e a não existirem blogs, estes ficariam-se por conversas de café, ou por um artigo de opinião num qualquer matutino. Julgo ser esta a força dos blogs. Pôr pessoas a escrever sobre tudo. Pessoas estas que de outra forma nunca conseguiriam "escrever", com isenção, sem pressões politicas ou partidárias e sem "medo". E uma das alegrias com que eu me deleito, é ver tanta gente, a escrever tão bem, sobre tantas matérias e com tantos pensamentos e ideias boas. A diversidade é linda e própria do ser humano. É aí que reside a nossa capacidade de evoluir. O presente é isto. No passado nada tínhamos. O futuro... quem poderá dizer o que será o futuro. Eu acho que ele já nos está a bater à porta, quando vejo por exemplo grandes jornais a editarem notícias provenientes de blogs e a celeuma que isso deu por não ter sido feita qualquer referência à proveniência da notícia. Possivelmente o futuro já aí está. Possivelmente falta-lhe só "um bocadinho assim"! Há que alargar horizontes e "tentar ver à frente". Aos blogs, espaço para crescer não lhes falta. Revoluções? Essas fazem-se, é preciso é conseguir chegar às pessoas e isso, com tempo, consegue-se. Um grande abraço a todos.

Publicado por: NCP às fevereiro 12, 2005 01:45 AM

Bem vindo grand "N"! Lá deste com"a malta do charco"!
Obrigado pelo comentário e pelo tempo para ele...

Publicado por: MatosB às fevereiro 12, 2005 10:44 AM

Esta mania do virtual às vezes afasta as mentes da realidade daqueles para quem o real é ainda uma miragem e que nunca ouviu sequer falar do virtual!

Publicado por: jotakapa às fevereiro 12, 2005 09:47 PM