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fevereiro 15, 2005

Prioridades enresinadas: um caso prático

Aprende-se em Constitucional, em Penal e em Administrativo, mas há quem
esqueça rapidamente o que estudou. É um caso clássico de exame:

"Nos quadros públicos, a definição de prioridades de serviço, sem despacho
fundamentado e sem cabimento em quadros pré-definidos por instruções de
serviço ou outros regulamentos, ou seja, por boca, são ilegais.

Não são ordens sequer: são cunhas; e como tal, são ilícitas.
Se acompanhadas de determinado tipo de promessas, são corrupção, para obtenção de acto lícito.
Se acompanhadas de ameaça, velada ou expressa, pelo não acatamento, ainda é pior.

São o caso das cunhas disfarçadas de ordens, tipo "dêm prioridades a isto", quando nem se percebe onde está a urgência ou porque há-de a tarefa passar à frente de outras em curso e mais antigas, principalmente quando nem consta qualquer despacho justificativo ou determinativo.

E então se for para dar prioridade em função de um calendário político, estas cunhas são
do pior que há.
"

Nunca tinha visto um caso prático destes. Se existisse esta realidade, ficava a ideia de ser o espelho da sociedade ".pt".

E nesse caso, enquanto persistir este esquecimento selectivo (por alguns de quem devia partir o exemplo) de que se jurou cumprir de boa-fé e determinação para com a "boa Função Pública" e enquanto se trabalhar a pedido de oportunismo político, Portugal continuará raquítico; mesquinho; medíocre.

Esperava (mas ainda tenho esperança que assim seja) que "os Juízes de Liberdades" o sejam efectivamente e que os Procuradores, os Advogados e mesmo os polícias se lembrem todos dos seus juramentos públicos de tomada de posse e saibam ser dignos, i.e., cumpram com lealdade e isenção as funções que lhes foram confiadas.

Ainda bem que é só um acaso prático.

Publicado por MatosB às fevereiro 15, 2005 11:14 PM

Comentários

Mas comum.

Publicado por: NCP às fevereiro 16, 2005 03:18 PM