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março 31, 2005

Para pensar

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As coisas óbvias não têm a beleza do "fazer pensar".
A graciosidade da vida não é ser-se esperto/inteligente (riscar o que não interessa) o suficiente para saber viver como mandam as regras. É ser-se destemido, audaz o suficiente para ir contra a maré e pensar por si. Para si, para dentro. Correr o risco de ser autêntico, sob pena de incompreendido!
Porque, como me foi dado a conhecer há pouco tempo, há sempre alguém que nos compreende, mesmo quando somos perigosamente naturais.

Foto por Dora Carvalhas

Publicado por rita às março 31, 2005 11:48 PM

Comentários

Hum...

Não será excessivo menosprezar o óbvio como objecto de considerações várias tão somente por, liminarmente, não nos oferecer qualquer desafio intelectual?

"Correr o risco de ser autêntico".

Li e reli esta frase sem conseguir desmembrá-la pelas articulações que rangiam aos meus ouvidos mas, desde logo, aferir da coragem de qualquer pessoa nunca foi pacífico, em particular quando a sua demonstração possa ser interpretada ou confundida com imprudência ou desespero. Ainda assim, tenho dificuldade em associá-la à genuinidade porque entendo que ser-se autêntico é viver segundo a nossa consciência de forma pura e verdadeira em função das características individuais de cada um, que pode, ou não, integrar a coragem. A autenticidade não é pensada mas sentida e vivida. Desta forma, nem viver como mandam as regras é, necessariamente, cinismo ou cobardia nem contrariá-las demonstra particular coragem.

Quanto a ser-se "perigosamente natural", é uma consequência inevitável da vida em sociedade para aqueles cuja naturalidade, estrutural ou formal, acarrete prejuízos para si e/ ou para os outros pelo que, por vezes, se torna necessário e/ ou conveniente dominar impulsos. A própria sinceridade pode ser falta de educação!

A respeito de "... graciosidade da vida [...] é ser-se destemido, audaz o suficiente para ir contra a maré e pensar por si...", não obstante poder ser-se gracioso em comportamentos temerários, entendo a elegância conceptualmente dissociada da coragem.

Por último, se há males necessários decorrentes da vida em sociedade e não obstante qualquer "perigosidade natural", a incapacidade de nos fazermos entender perante todos os olhos e/ ou olhares é-nos inata.

Publicado por: st às abril 1, 2005 03:18 PM

Fico feliz por ter feito pensar, esse era o objectivo!
Como fica plenamente demonstrado, o "saber viver" está na cabeça de cada um. E isso sim, é preciso respeitar, mesmo que não se entenda.
A graciosidade da vida está nessa autenticidade que cada um vê de si mesmo.

Publicado por: rita às abril 1, 2005 03:34 PM

o que é óbvio para alguns poderá ser um mistério para outros

Publicado por: pensativa às abril 1, 2005 03:51 PM

Fizeste mesmo!!!
:)
E tens toda a razão: o respeito é essencial para colmatar todas as diferenças por entre quem vive o que pensa e quem pensa como vive.
Beijinhos

Publicado por: st às abril 1, 2005 03:55 PM