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março 29, 2005
Fontes de informação
A questão é mesmo muito pertinente: os "weblogs jornalísticos" estão a cobro da revelação judicial das fontes? Ou só os jornalistas "encartados"?
E mesmo se assim for entendido de forma positiva, quando a fonte revela informação obtida de forma ilícita, continua o jornalista a poder protegê-la?
O tema tem a ver com segredos comerciais que envolvem milhares de dólares dos principais produtores de software comercial, a Apple e a MS.
Uma e outra companhia sofrem pontualmente fugas deste género e a luta pela contenção da informação proprietária, é mais do que legítima.
Mas para além da questão lançada (liberdade de expressão e protecção de fontes jornalísticas) que, pessoalmente, penso que cessa com o conhecimento pelo jornalista (de boa fé) de que a sua fonte divulgou informação obtida de forma ilícita, o que me pergunto é se os jornalistas estão alertados para o facto de poderem ser manipulados em guerras de informação comercial e contribuirem involuntariamente para campanhas... de desinformação.
Publicado por MatosB às março 29, 2005 11:44 AM
Comentários
Numa palavra? Não.
Aos jornais, o que os move não é informar de forma isenta, deontologicamente correcta, etc. Aos jornais o que os move é ganhar dinheiro. O que se consegue por duas vias: vender mais papel e obter mais publicidade. A magistratura de influência (sobre as empresas, uma permanente espada) ajuda na segunda fonte de receitas.
Ao contrário do que se passava nos "bons velhos tempos", hoje a imprensa (sentido lato) é um campo de batalhas comerciais. Raros títulos escapam a esse devir. (Só me lembro da The Economist, assim do pé para a mão, isto nos títulos mainstream de maior tiragem/influência).
Hoje um jornalista é, na generalidade, um traficante de informações. Na especialidade de dar notícias "correctas" ou deontologicamente "puras" operam cada vez menos jornalistas.
Já toda a gente sabe que é assim - excepto alguns arautos da deontologia (por interesses vários, um dos quais desancar o livre negócio do jornalismo), desencantados da modernidade e velhinhas piedosas.
Publicado por: Paulo às março 29, 2005 02:30 PM
Anyway, MatosB, apresentas razões para existir de facto uma equiparação de estatutos entre o jornalista e o blogger que a deseje (ao contrário do que indicia a leitura dos... jornais, como o DN de hoje, nem todos os bloggers querem fazer jornalismo). Para o proteger? Também, mas sobretudo para o responsabilizar. Para proteger os noticiados? Sim - é um direito que importa garantir. Mas acima de tudo para proteger o público dos excessos.
Publicado por: Paulo às março 29, 2005 02:33 PM
Sim, responsabilizar é preciso, mas sem "demasiada compressão". E discutir isto, é mesmo preciso.
A ideia central é esta: os direitos "dos uns" são as liberdades dos outros. Mas como fica a ideia perante um "weblog noticioso", em que o(s) seu(s) poster's não são jornalistas titulados?
O jornalista a sério fica mais protegido que o "blogojornal"?
Publicado por: MatosB às março 29, 2005 10:43 PM
O blogjornal, se for mesmo isso, terá de obter uma carteira profissional de jornalista. Quanto aos restantes, digamos, amadores, pois há na mesma leis que protegem a liberdade de expressão. São aplicáveis.
Publicado por: Paulo às março 29, 2005 10:59 PM