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abril 13, 2005
Em "Bestiário"
"Não era um templo a um deus-gato: antropomórfico, bronco, com uma máscara felina, substituindo a de um rafeiro.
Era um templo ao gato - escorreito, vadio, egípcio. O mesmo que em Roma dorme, imperial, nas ruínas.
Em ruínas, também, o templo levantado por Amenófis, em Tebas. Ruínas que se perderam, como se perdeu o desenho, o plano, a sabedoria que o ergueu das margens do Nilo.
Os gatos continuam por toda a parte. Se se procuram, não se encontram. Quando um homem, distraído, avalia a própria inocência e se julga capaz de prová-la, aí está um, de súbito, de garra pronta e olhos fugitivos.
Se soubéssemos o que os gatos sonham, como seria diferente o mundo. Nada de bom, por certo, e ainda bem."
De José Alberto de Oliveira
Publicado por analourenco às abril 13, 2005 05:30 PM