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abril 22, 2005

Não, não é sobre nenhum de nós

E eis que tirei o esqueleto do armário. Tarefa penosa, longamente questionada e repensada. Sabia de antemão que abrir aquela porta era deixar entrar o fantasma que escolhera "arrumar" há muito. Mas também sabia que ele não estava esquecido, antes recalcado, adormecido. Não escondo que prolonguei a sua ausência por puro medo. Mas agora que estive cara-a-cara com ele não há como evitar o descompasso cardíaco. Sei de sobra como é ingrata a impotência que sinto. O tempo perdido não volta. Impôs-se, na mesma, a pergunta: como escrever o que foi apagado lentamente ao longo de anos? Mais importante ainda: será que o quero fazer?
Subitamente fui forçada a olhar para mim. Num exercício anacrónico e algo masoquista, contudo necessário. Qual filme de qualidade "caractere especial", tudo o que votei ao esquecimento voltou perversamente, mesmo a tempo de arruinar o guião que escrevia serenamente.
A pressão dos olhos que me vigiavam era insustentável.
Não se reinventam pessoas.
Não se substituem anos.
Não se pretende, sequer, hastear a bandeira da redenção.
O amor não se compadece com pequenezas destas.
Carece de actos, mesmo que tomados tardiamente.

Publicado por rita às abril 22, 2005 12:51 AM