« Antigos Barcos Portugueses - LURIO | Entrada | comVERsos RImas »
maio 24, 2005
Faróis de Portugal

A ideia de erguer uma fortificação no areal da Cabeça Seca frente à Fortaleza de S. Julião da Barra, remonta provavelmente ao período de construção desta, mas só em 1571 é formalmente expressa pelo arquitecto Francisco de Holanda, reconhecendo as vantagens do cruzamento de fogo de artilharia.
Nos preparativos para fazer face à esperada invasão das tropas de Filipe II de Espanha, foi montada naquele local uma fortificação em madeira com algumas peças de artilharia, que viria a render-se à Armada Castelhana, sendo depois desarmada e destruída com o tempo, por não ter sido contemplada nos planos filipinos de fortificação do Porto de Lisboa.
Em 1589, foi convidado o célebre engenheiro italiano Giovanni Vincenzo Casale para definir a solução a implementar na fortificação do Baixo da Cabeça Seca. Após várias discussões sobre a sua forma, ficou decidido que seria redonda, iniciando-se a construção em 1590. Casale faleceu em finais de 1593 quando as fundações ainda não estavam completas. Seguiu-se-lhe na direcção das obras Leonardo Turriano, também italiano, e que introduziu algumas alterações ao plano de Casale. Em 1640, a obra não estava ainda completa mas tinha já armamento e guarnição, que se rendeu sem oferecer resistência a 2 de Dezembro de 1640 na restauração da independência.
É nesta altura que a obra é retomada em força, sendo de crer que só por volta de 1657 tivesse terminado, sob a direcção de Frei João Turriano, filho de Leonardo.
Isolado no meio do Estuário do Tejo, sem qualquer referência que permita ao observador avaliar, por comparação, as suas dimensões, o forte parece imensurável.
Numa planta datada de 1693 existia já uma torre com estrutura faroleira que viria a ser destruída pelo terramoto de 1755.
O farol moderno da Fortaleza de S. Lourenço foi um os seis que o Alvará Pombalino com força de lei, de 1758, manda edificar, tendo entrado em funcionamento em 1775.
Pensa-se que o nome Bugio pelo qual é conhecido se deva aos bate-estacas da sua construção, à palavra francesa bougie (vela), ou à sua localização relativa, pois há inúmeros locais noutras barras com a mesma denominação.
Em virtude da sua posição, o forte de S. Lourenço tem sofrido ao longo dos anos, vários danos provocados pelo mar tornando-se necessário sujeitá-lo a várias obras de reparação e consolidação.
As últimas grandes intervenções ocorreram em 1952, 1981 e designadamente em 2000 quando toda a estrutura esteve em risco de desabar.
Pela forma isolada como se encontra no mar, balizando a mais frequentada das nossas barras, dando acesso ao mais importante porto do País, e ainda pela qualidade arquitectónica da fortaleza, o Bugio constituiu sempre um pólo de grande atracção.
In, Revista da Armada nº370 de Dezembro de 2003
Publicado por joakim às maio 24, 2005 11:26 AM