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junho 24, 2005

AS PALAVRAS

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São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

Publicado por nelourenco às junho 24, 2005 05:31 PM

Comentários

E das tuas? humm? e das tuas? não há mais?

Publicado por: MatosB às junho 24, 2005 05:47 PM

A escolha também é uma dádiva :)

Publicado por: Ana R. às junho 25, 2005 11:29 PM