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junho 23, 2005
Barca D'Alva

Barca d'Alva, terra quente e de abundantes frutos, de onde se destaca a saborosíssima laranja, produzida nos quintais, está comodamente alapardada no fundo do vale do Douro, assomando a foz do Águeda. Os rios e o comboio foram as suas divisas e o seu orgulho. E diz-se foram, porque as locomotivas já deixaram de percorrer a via de ferro que bordeja o Douro e cruza o Águeda, penetrando em terras de Espanha. Sem o comboio Barca d'Alva é povoado ferido, amputado de uma sua parte. Lá resta a imponente estação fronteiriça, com os edifícios abandonados, e também a gloriosa ponte de ferro em apodrecimento. Dói a alma olhar o desamparo a que este glorioso burgo ribeirinho, onde cresceu o saudoso filósofo Agostinho da Silva, ficou votado.
De lugar de relevo Barca d'Alva passou a mero ponto de passagem para os cruzeiros do Douro e para os turistas que vêm admirar a amendoeira em flor. A escassa população envelhecida guarda em memória os momentos de esplendor da nobre vila. Conformados com o destino, os anciãos miram junto ao cais os barcos de cruzeiro que duas vezes por semana aportam e zarpam do pequeno cais. Algo confiantes aguardam agora pela revitalização do local, animados pela inauguração recente da nova ponte rodoviária internacional e pelo anuncio da próxima ampliação do cais fluvial. Porém, de seguro, apenas guardam a nostalgia dos tempos de outrora, quando Barca d'Alva era lugar altivo.
Texto de Paulo Leitão Batista
Publicado por ruisantos às junho 23, 2005 01:01 PM
Comentários
O Sr. Paulo Leitão Batista deveria ter conhecimento que a minha Barca d'Alva já é possuidora de um cais digno de uma Aldeia que faz parte do parque natural do Douro!
Quem lhe escreve é uma Barcalvense de Gema!
Prazer!!!!
Obrigada
Publicado por: Sónia às julho 2, 2005 11:48 PM