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junho 21, 2005

e-reflexões

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Parece paradoxal que o Zen, a escola de meditação do Extremo Oriente que mais enfatiza o irracional, atraia mais os intelectuais do que os não-intelectuais.

No entanto o Zen, como todas as escolas do buddhismo, tem uma base racional. Não depende nem da fé nem de dogmas petrificados, mas somente da experiência direta e da observação sem preconceito. Como uma escola buddhista, contudo, o Zen tem seu alicerce nos insights comuns a todas as escolas buddhistas, sem os quais o Zen não seria Zen. Essa base comum repousa na experiência, isto é, naquela área onde a ciência e o misticismo se encontram. A única diferença entre esse dois campos de experiência é que a verdade da ciência — sendo dirigida aos objetos externos — pode ser provada de maneira "objetiva", ou melhor, demonstrada, enquanto o misticismo, dirigido ao sujeito, pertence à experiência "subjetiva". O Zen, como todas as escolas buddhistas, se mantém à parte das opiniões pré-concebidas, dogmas e artigos de fé, juntamente com tudo que normalmente recebe o nome de "religião".

Lama Anagarika Govinda, O Budismo Vivo e o Mundo Contemporâneo

Publicado por sutenorio às junho 21, 2005 01:15 PM