« e-reflexões | Entrada | Pub »
agosto 27, 2005
Um novo tipo de crítica: a "não-análise"
De vez em quando lá vem, o balde. Por vezes, de água fria.
Então porque escrever este "post"?
Porque quando se tem consideração por uma determinada pessoa de reconhecido valor intelectual e se confere qualidade à maioria das suas análises, custa mais aceitar-lhe erros.
Foi por isso que debalde procurei compreender a conclusão peremptória de JPP, quando, acerca de uma peça no Expresso sobre o “quo vadis” dos weblogs de expressão política-portuguesa, JPP decidiu com ponto final que “o trabalho de Querido não tem [...] qualquer valor como análise.”
Doeu de ler, porque acalentava a esperança de ainda haverem analistas da vida em sociedade, das quais a política e os blog’s são pequenas (re)fracções, mas consciente de que cada analista é um homem contaminado pelas suas crenças e opiniões pessoais, somatório de um imenso (e só por vezes rico) percurso de vida.
Na minha análise (opinião) a credibilidade de um analista é proporcional ao seu esforço de manutenção de honestidade intelectual - não de manutenção de vinculação cega à opinião ou estória de vida anterior. Mudar de opinião é salutar, se corresponder a uma decisão consciente e honesta. Já negar um passado, vivido ou escrito, mesmo que apoiado na lei para o banir como se nunca tivesse existido, é que pode ser redutor e a desconsideração pode ser essa negação do que se foi e não o próprio passado percorrido.
Aquela frase (conclusão) acerca do texto de PQ fez-me lembrar (novamente e num curto espaço de tempo) os doutores que sob uma capa de estudo e de divulgação, insistem em perpetuar a diminuidora alocução de implante medieval, do que “magister dixit” é o caminho, espartilhando o que é diferente no mundo e não concedendo um milímetro para uma análise (mesmo que fosse só uma opinião) diferente da sua.
Não vejo que Paulo Querido, naquela como noutras peças, tenha dito que a sua análise (ponto de vista) era a única possível e muito menos que a (sua) conclusão corresponde totalmente e sem desvios à realidade. Ao invés, chamou a atenção para o universo da amostra, sublinhou que o instrumento de medida não era dos mais fiáveis e defendeu que (apenas) se podiam extrair tendências. Meros indicadores.
A meu ver, àquele texto de PQ não cabia uma tal frase opinativa peremptória (desconsiderativa) e cristalizadora como tanto se usa em determinados meios intelectuais.
Lendo os textos em causa, sou levado a concluir que o analista se concentrou tanto em subestimar o autor do objecto escrito, que perdeu de vista o fio condutor da análise ao próprio produto sob análise, sendo que qualquer análise (produto da informação submetida a tratamento) precisa de um leitor (consumidor da informação tratada) que esteja em condições intelectuais de o consumir, sob pena de não o poder perceber.
Penso que foi o que aconteceu: o analista viu mal ou percebeu mal a realidade que lhe era oferecida (e ao público de um jornal) e analisou apenas segmentos da conclusão que lhe pareceram dizer respeito - a título da esfera pessoalíssima.
Fez mal. Haviam tantas formas diferentes de discordar da análise de PQ.
Como leitor de ambos, era agora muito fácil concluir que a abrupta opinião do analista sobre o trabalho de Querido não tem qualquer valor como análise.
Mas prefiro uma posição mais didática: concluo que o analista errou na opinião deixada, antes de ter conseguido apresentar, sequer, uma qualquer análise.
Publicado por MatosB às agosto 27, 2005 06:13 PM
Comentários
"viu mal ou percebeu mal "... ou "quis ver mal, quis perceber mal..."? Vá-se lá saber!!! Ou seja, nesta coisa dos medidores internéticos o quilo não é igual ao litro e ainda menos ao metro, mas há quem escreva como se fosse tudo a mesma coisa. (e fico sem saber se aquela coisa de mais influência dos "blogues de Mexia e F.José Viegas" (sem linques) do que do Barnabé (sem linque) foi medida a palmos ou a passos pelo Doutor Pereira - e se foi a passos, estava calçado, ou descalço? È que muda logo o tamanho da influência...
Publicado por: Vi às agosto 27, 2005 07:26 PM
Aubscrevo e aplaudo de pé deste lado!
Publicado por: Golfinho às agosto 27, 2005 09:50 PM