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agosto 22, 2005

Estudante holandês descobre manuscrito esquecido de Einstein

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Um estudante que preparava uma tese de mestrado encontrou nos arquivos da Universidade de Leiden, na Holanda, um manuscrito esquecido de Albert Einstein com alto valor científico e histórico, disseram hoje fontes da instituição.

No documento, escrito em alemão e datado de Dezembro de 1924, o físico formula um dos últimos êxitos da sua carreira: a previsão teórica de um estado da matéria então ignorado e demonstrado empiricamente 70 anos depois, conhecido por condensação Bose-Einstein.

O manuscrito, que conserva as impressões digitais e contém numerosas notas pessoais e sublinhados do seu autor, corresponde ao artigo "Teoria Quântica do Gás Ideal Monoatómico", publicado em Janeiro de 1925 em Berlim nos Arquivos da Academia Prussiana das Ciências.

Um fenómeno parecido com o que acontece com as borras do café quando a chávena arrefece.

Faz parte dos documentos legados à universidade pelo físico Paul Ehrenfest, que o autor da teoria da relatividade visitou assiduamente nos anos 20 do século passado e cuja obra era o tema da tese do estudante Rowdy Boeyink.

Fotografias de alta resolução deste manuscrito de 16 páginas e a descrição da descoberta do estudante podem ser consultadas na Internet no site do Instituto Lorentz da Universidade de Leiden (http://www.lorentz.leidenuniv.nl).

O fenómeno nele descrito, a condensação Bose-Einstein, ocorre quando um gás é arrefecido a temperaturas extremas - cerca de 273 graus Celsius negativos -, o que faz com que os átomos retenham a menor quantidade possível de energia e se comportem de forma ordenada, até se aglutinarem numa massa densa que actua com uma única partícula.

O cientista indiano Satyendrah Nath Bose, especialista em física matemática, assentou as bases da descoberta ao enunciar as regras que determinam quando dois fotões devem ser contados como idênticos ou diferentes, e Einstein aplicou as suas equações para estender a teoria aos átomos da massa.

Em 1995, os norte-americanos Eric A. Cornell e Carl E. Weiman, e o alemão Wolfgang Ketterle, conseguiram reproduzir e observar o fenómeno com uma forma gasosa do rubídio, o que lhes valeu em 2001 o prémio Nobel da Física.

Quanto ao estudante que descobriu o manuscrito, o holandês Rowdy Boeyink, pode esperar notoriedade e boas notas na tese, já que encontrou outros documentos interessantes durante o seu trabalho de pesquisa, nomeadamente uma carta do físico dinamarquês Niels Bohr.

LUSA

Publicado por sutenorio às agosto 22, 2005 12:03 PM

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