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setembro 30, 2005
Desalentus
Andei a guardá-la, porque nestas coisas de promessas de FP, o melhor mesmo é esperar.
De preferência, sentado.
A "promessa", acto consciente de se vinclular pela nobre palavra a um facto ou situação, hoje, "evoluiu", que é como quem diz, deixou de ter qualquer valor.
Eventualmente, nalguns círculos religiosos continuará a ter algum peso.
A "promessa", por políticos ou por gente (infelizmente) com poder de decisão sem qualquer controlo, é hoje uma "cultural tool"; interessa o ar genuinamente convicto, acompanhado de expressão séria enquanto que, abanando ou não o dedito indicador direito, se injecta a burla-cívica.
A promessa, passou de um "dizer com honra", a técnica de manipulação, para uns, de massas, para outros, de FP que merecem todo o centavinho que ganham (não é o meu caso, porque sou um rico rapaz, claro).
Hoje, estes "boys" a prazo dizem o que querem sem cuidar das consequências funcionais: as pessoais, as que recaiem sobre o palrador de falsas falas, não me interessa abordar, porque, sem a protecção de um chapéu de chuva, lhe deviam passar por cima, não um bando de pombos, mas de vacas-voadoras.
Interessam-me são as segundas consequências, aquelas que têm o nefasto efeito da erosão da confiança do Funcionário nas suas chefias e por inerência, nas próprias instituições, que perdura após a sua saída.
Do outro lado do "Rio Atlântico", veio sem autor conhecido, o texto que segue e que me parece do mais simples, do mais cru, do mais fiel e do mais bem conseguido que há, para exprimir a realidade de alguns FP e que ainda recentemente foi por aí citado:
"Nós, os de boa vontade,
liderados pelos que não sabem,
continuamos a fazer o impossível
pelos ingratos.
Nós já fizemos tanto,
durante tanto tempo
e com tão pouco
que estamos agora qualificados
para fazer seja o que for,
com absolutamente nada."
Por favor! Não achem "giro"! É mesmo preocupante.
Publicado por MatosB às setembro 30, 2005 08:43 AM