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setembro 13, 2005
Investigação - Café poderá prevenir doenças neurodegenerativas
Para Rodrigo Cunha, independentemente de daqui resultar uma estratégia profiláctica para estas doenças, a investigação ganha uma outra importância, que é de perceber quais os efeitos da cafeína no funcionamento do sistema nervoso central.
A cafeína é a droga psico-activa mais consumida no mundo, e hoje pouco sabe dos "custos" para a saúde do prazer de saborear uma chávena de café.
"Nada nos diz que não estejamos a fazer um grande disparate, como aconteceu nos anos 20 e 50, em relação à heroína e ao tabaco", cujas consequências nefastas só se descobriram em décadas posteriores.

Terá o café propriedades para prevenir doenças neurodegenerativas como Alzheimer ou epilepsia? Um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra acredita que sim, e já conseguiu resultados muito promissores com testes em animais.
"Há indicações muito fortes de que temos aqui uma possível estratégia profiláctica para o aparecimento de problemas no sistema nervoso central", na prevenção de doenças neurodegenerativas, declarou à agência Lusa o investigador e professor da Faculdade de Medicina de Coimbra Rodrigo Cunha.
Tem "um impacto surpreendente" no sentido de prevenir as lesões no sistema nervoso causadas por problemas epilépticos. O mesmo se passa com as doenças inflamatórias.
Nos modelos animais que padecem de Alzheimer, o "consumo de café praticamente aboliu o défice de memória" e a lesão no sistema nervoso central associado à doença.
Igualmente nas situações de stress e depressão "as modificações temporárias que aparecem no sistema nervoso são fortemente atenuadas" pelo efeito da cafeína, principal componente do café.
A par do estudo em torno das propriedades do café para a prevenção de doenças neurodegenerativas, os investigadores ocupam-se também numa outra investigação, mas de índole farmacológica, a tentar perceber onde a cafeína actua e como é que actua no sistema nervoso central.
O consumo de café - observou - "causa várias modificações no sistema nervoso. Se queremos propor que as pessoas bebam café de modo regular como estratégia profiláctica para várias doenças do sistema nervoso central temos de saber muito bem o que acontece ao longo do tempo".
Nesta investigação, a par do café está a ser testado um composto selectivo de cafeína desenvolvido por uma multinacional farmacêutica italiana.
Com o composto pretende-se evitar o aparecimento de sintomas indesejáveis associados ao consumo de café, como são as arritmias cardíacas, os problemas ao nível do trato gastrointestinal e as lesões na parede estomacal.
Serão necessários mais dois ou três anos de investigação em animais para tentar perceber se as modificações derivadas do uso prolongado do café não desencadearão disfunções, nomeadamente no ritmo de sono, ou uma maior susceptibilidade a infecções sistémicas (doenças pulmonares crónicas ou obstrutivas, ou os síndromas gripais).
Depois de vários anos de investigação em células animais, desde 2001 decorrem no Centro de Neurociências de Coimbra experiências com ratos, para tentar perceber, por um lado, o que se passa no sistema nervoso central com a ingestão de cafeína e, por outro lado, para avaliar as suas capacidades na prevenção e tratamento de doenças que constituem um grave problema social dos países desenvolvidos.
Nos testes laboratoriais em modelos animais foram provocados os problemas típicos das doenças mais comuns do sistema nervoso central, Alzheimer, Parkinson, inflamatórias, epilépticas ou depressivas, e os resultados, para o investigador, têm "surpreendido pela eficiência do consumo de café na prevenção dos sintomas".
Em relação à doença de Parkinson, cuja investigação está a ser realizada em colaboração com um grupo de investigadores da Universidade de Harvard (EUA), "ficámos surpreendidos com a capacidade da cafeína para prevenir este tipo de sintomas" (dificuldade em iniciar movimentos e tremuras nas extremidades dos membros), bem como "a lesão que aparece em regiões particulares do sistema nervoso", referiu Rodrigo Cunha.
"Temos uma forte suspeita, que teria quase vontade de chamar certeza, do tipo de receptor, ou de antena" em que actua a cafeína, referiu Rodrigo Cunha.
Esse receptor - explicou - que normalmente "funciona de forma particularmente modesta, passa a ter um papel exacerbado no cérebro doente, mas vê bloqueado o seu funcionamento pelo efeito da cafeína".
Nesta investigação, a par do café está a ser testado um composto selectivo de cafeína desenvolvido por uma multinacional farmacêutica italiana.
Com o composto pretende-se evitar o aparecimento de sintomas indesejáveis associados ao consumo de café, como são as arritmias cardíacas, os problemas ao nível do trato gastrointestinal e as lesões na parede estomacal.
Este grupo de investigadores do Centro de Neurociências de Coimbra colabora também com um outro de neurologistas de Lisboa, dirigido pelo universitário Alexandre Mendonça, que trabalha em ambiente clínico, com pessoas que sofrem dessas patologias.
O grupo de Alexandre Mendonça foi autor de um estudo com casais em que um dos membros padecia da doença de Alzheimer. A conclusão foi de que havia uma correlação inversa entre o consumo de café ao longo da vida e o aparecimento dessa doença.
Embora considere que a investigação em que está envolvido cria expectativas "muito fortes" para uma possível estratégia preventiva de doenças neurodegenerativas, Rodrigo Cunha afirma que há ainda um longo trabalho a desenvolver.
"Esses mesmos receptores onde a cafeína actua no sistema nervoso central também são importantes para modelar a resposta inflamatória", observa, realçando que até agora nos modelos animais adultos utilizados nas experiências não surgiu esse tipo de problemas.
Esta é uma preocupação central em virtude de muitas doenças neurodegenerativas surgirem com mais frequência nas pessoas idosas, cujo sistema imuno-inflamatório está muito modificado.
LUSA
Publicado por sutenorio às setembro 13, 2005 09:00 AM
Comentários
Acheia a matéria de muita importancia, principalmente porque eu sou Epiletico e uma grande consumidor de café,Quanto a epilepsia não senti nenhuma diferença tomando café exageradamende como faço de costume, mais quanto ao estomago ja sinto a diferença no nível do trato gastrointestinal e as lesões na parede estomacal. faço uso prolongado do café por decadas, assim como a epilepsia! gostaria de ajudar mais se puder... como gostaria de saber mais sobre a relação, cafeina e epilpsia! grato
Publicado por: Darci Alves Peixoto às agosto 15, 2008 06:46 PM