« Imaginarium divinum | Entrada | com.s.ciência »
novembro 16, 2005
Faróis de Portugal

No Plano Geral de Alumiamento e Balizagem da nossa costa marítima, datado de 1866, está indicado “na proximidade de Villa Real de S. António um pharol de 2ª ordem”. Pela “Comissão de Pharoes e Balizas” foi aprovada a memória descritiva datada de 1 de Abril de 1884.
“Os typos de apparelhos para os pharoes constantes do Plano Geral estão escolhidos e contractados com a casa Barbier & Fenestre de Paris”.
A torre foi projectada com uma altura determinada para o foco luminoso de 40 metros.
Nas fundações, como a construção assenta sobre areia e receando o movimento das areias ou escavação produzida por correntes de água, propunham-se descer com a fundação da torre a 6,00 metros, ficando a base da fundação com 3,66 metros acima do nível do mar. A fundação seria feita em betão hidráulico. No betão e nas fundações dos edifícios empregar-se-ia pedra extraída das margens do rio próximo de Vila Real. A cantaria e lancil será de Tavira, sendo conduzida por mar até ao porto de Vila Real. O tijolo vem de Castro Marim e a cal de Tavira ou Cacela. Na cobertura empregar-se-ia telha, modelo marselhez. O orçamento total da construção eleva-se a 25.500 reis.
Tendo embora este projecto o valor histórico de ser o primeiro, não seria ele o finalmente adoptado. Anos mais tarde outro projectista, o engenheiro José Joaquim Peres, argumentando que “o custo, relativamente elevado das fundações para o farol de V.R.S. António conduziu naturalmente à ideia do emprego do cimento armado com o fim de realizar as vantagens de uma construção mais leve que dispense fundações caras e com uma duração, praticamente ilimitada, sem reparações frequentes, dispendiosas e de difícil execução”. A sua opção acabaria por triunfar sobre a primitiva, obtendo no ano de 1916, licença para o Ministério da Marinha construir um farol na costa de V.R.S. António.
Versava assim, o Aviso aos Navegantes nº15, de 19 de Dezembro de 1922:
A partir do dia 20 de Janeiro de 1923, começará a funcionar o farol de Vila Real de Santo António, entrando, nessa data, no período preliminar de experiências.
In, Revista da Armada nº386 de Maio de 2005
Publicado por joakim às novembro 16, 2005 09:57 AM