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janeiro 30, 2006
com.s.ciência
Portugal vai ter um mais elevado risco de cheias no fim do século XXI, devido ao aumento do fenómeno de chuvas intensas e à subida do nível médio dos oceanos, conclui um relatório de investigadores portugueses que vai ser lançado hoje.

Trata-se da segunda fase do projecto SIAM, que contou com a participação de 61 cientistas, e que traça diferentes cenários, impactos e medidas de adaptação para as alterações climáticas em Portugal.
Os cenários climáticos apontam para uma clara tendência de concentração da precipitação nos meses de Inverno, que poderá traduzir-se num aumento efectivo da precipitação média entre os meses de Dezembro e Fevereiro, agravando o risco de cheias, referem os investigadores.
O relatório SIAM II indica que a tendência para o agravamento de precipitações extremas é observada em todo o país, mas é mais clara na região Norte.
Além do aumento de fenómenos de precipitação intensa, a subida do nível médio dos oceanos poderá também contribuir para um aumento do risco de cheias, devido à diminuição da capacidade de escoamento na foz dos rios de maior dimensão.
Por isso, áreas ribeirinhas como o vale do Tejo ou a Ribeira, na cidade do Porto, poderão ver aumentar o risco local da ocorrência de cheias.
O estudo avisa que a subida do nível médio do mar terá também vários impactos no litoral, a nível das actividades ambientais, económicas e sociais, devido ao agravamento do processo erosivo, aumento das áreas inundadas e modificação do regime de marés.
Quanto à temperatura, os modelos estudados projectam para o fim do século XXI um aumento substancial da frequência dos "dias muito quentes", com o Sul a registar mais de 100 dias por ano com temperaturas acima dos 35 graus, sobretudo no interior.
O número de noites tropicais (com temperatura mínima acima dos 20 graus) também deverá aumentar, variando entre 20 e 180 ou 40 e 120, consoante os cenários.
Os investigadores projectam também, em termos anuais, uma diminuição da precipitação no fim do século XXI, podendo ser superior a 30 por cento no Sul do país, com destaque para o Algarve, que poderá perder mais de 40 por cento de chuva, e variando entre 10 e 30 por cento no Norte e Centro do país.
No último quarto de século, em Portugal, registou-se um aumento significativo das temperaturas máxima e mínima médias.
Observou-se ainda que os 6 anos mais quentes do período 1931- 2000 concentraram-se nos últimos 12 anos do século XX, tendo sido 1997 o ano mais quente.
Os últimos 20 anos foram particularmente pouco chuvosos, comparativamente aos valores médios registados entre 1961-1990.
No entanto, assinala o relatório, existe grande variabilidade interanual.
O Inverno de 2000, por exemplo, foi muito chuvoso (o terceiro mais chuvoso dos últimos 30 anos), mas o Inverno seguinte foi muito seco (o quinto mais seco do mesmo período).
O projecto SIAM iniciou-se em 1999, tendo o resultado da primeira fase sido divulgado dois anos depois.
A segunda fase iniciou-se em 2002 e alargou o âmbito das investigações iniciais, procurando aprofundar algumas lacunas e estendendo o estudo às Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Foi também realizado um estudo de caso mais focado e integrado para uma região especialmente vulnerável do Continente - a bacia hidrográfica do Rio Sado.
O SIAM II envolveu cerca de 61 investigadores distribuídos por 11 equipas, coordenadas pelo professor Filipe Duarte Santos da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Os sectores sócio-económicos e sistemas biofísicos sobre os quais incidiu trabalho são os mesmos do SIAM I, designadamente, recursos hídricos, zonas costeiras, agricultura, saúde, energia, florestas e biodiversidade e pescas.
O livro vai ser apresentado esta tarde numa cerimónia que conta com a presença do Presidente da República Jorge Sampaio.
Lusa
Publicado por sutenorio às janeiro 30, 2006 10:58 AM