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janeiro 10, 2006
Nuno Júdice
Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.
Publicado por nelourenco às janeiro 10, 2006 03:12 PM
Comentários
caro nelson lourenço, venho retribuir as saudações e espreitar o "atuleirus". muito bonito, o poema do nuno júdice.
Publicado por: clau às janeiro 10, 2006 07:00 PM