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junho 13, 2006

cultura élfica

Ali estão aptos. Aventuram-se sózinhos.

Nos tempus difíceis e lendários que vivem momentaneamente, a mestria no manejo do sabre, da adaga, da lança e do arco de flechas revela-se em cada minuto que passa, deixando um rasto de destruição e de morte atrás deles. Os dark nights alternam-se em maldade com minotauros, dragões e outros seres, tanto alados como terrestres.

É assim em Nória, terra de elfos e de monstros. Ali combate-se sempre. Combate-se a todo o momento contra tudo e contra quase todos. Até à morte. Ou até à passagem para outro estadio da realidade.

Em "muonline", naquela terra inóspita, seca e sombria, têm de se usar os feitiços com sapiência, activar os escudos no momento certo e escolher a arma adequada ao desafio, se querem sobreviver.

Numa irmandade élfica nunca vista, os dois incentivam-se mutuamente enquanto progridem no terreno; dão instruções um ao outro; cada um na frente da sua janela para aquele mundo, localizam-se no terreno; as mãos voam sobre sobre os comandos: atacam enquanto se defendem; onde um faz o uso da espada longa em contacto directo com os inimigos, o outro acompanha-o, defendendo-o um pouco mais de longe com as flechas disparadas em grupos de três, com a clara intenção de eliminar o maior número de adversários que os coloca em perigo.

Ali, naquele mundo, eles não precisam de mim: estou demasiado velho para dominar aquelas realidades; demasiado cansado e sem condição física para sobreviver a tanto ferimento. Nostálgico, ou com pena de não ter tempo para ser mais um braço armado, ermanado, percebo que estão no meio de uma batalha, em clara desvantagem perante guerreiros e ferozes animais de contornos estranhos; não resisto e lanço a pergunta só para experimentar:
- "e já gora... quando foi o Tratado de Tordesilhas?"
- mil quatrocentos e... hummm."

Foi assim que os soldados-irmãos foram desligados daquela realidade, virtual, onde o passado não lhes interessa e o presente é algo que os não preocupa. Vidrados no jogo, nem se apercebem, de que do lado de lá do monitor estão outras pessoas, algumas ainda crianças, espalhadas pelo mundo dos ricos que se podem ligar a virtualidades destas por via do milagre da "banda larga". Clãs ou novos gangs urbanos de magricelas, com ou sem óculos, que não vivem na rua, não ensaiam rixas nem riscos com trinchas de lata de spray, mas aceitam a violência como normal.

Isso ainda não os preocupa. Não ainda. Não como a mim.

Publicado por MatosB às junho 13, 2006 03:25 PM

Comentários

Bonito! Dá para parar um pouco e pensar.
Bom resto de dia!

Publicado por: Sadi às junho 14, 2006 05:44 PM

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