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novembro 09, 2006
crónicas de um bardo desafinado - bis
"... notou que a paisagem estava diferente; e as pessoas nela também.
A diferença foi percebida ao olhar de novo e com mais cuidado os mesmos (imensos) campos onde os olhos se perdiam, sítios onde os castanhos da terra e dos troncos das árvores alternavam com o verde das plantas rasteiras.
Era o verde que estava a mais no retrato que mentalmente guardava, desde a última vez que tinha contemplado aqueles campos.
O sítio era o mesmo, mas as cores haviam mudado.
Ao olhar a mudança aparente pela existência da flor, pronúncio da outra vida (fruto) pensou no tempo e nas mudanças que nele se dão.
E foi num processo interior, a olhar a imagem que tinha ainda na memória em confronto com a que na sua frente se abria, que acabou por concluiu que, afinal, a vida e a História, não se repetem, mas como se ainda algo pudesse acontecer se tocasse com a extensão do dedo na imagem...."
"... daí que até já se tinha habituado a acordar daquela forma: diferente. Ou seja, nem melhor nem pior.
A diferença escondia-se na tomada de consciência de que a vida não contém, nem consiste, em ciclos ou em círculos: os primeiros tendem a repetir-se com pequenas alterações entre o melhor e o pior; os segundos apontam inevitavelmente ao termo, numa falsa (porque aparente) condução a um ponto de partida. De onde resultava…"
"... de onde resultava a conclusão de que o melhor e o pior era por ele gerado e sofrido, construído por si ao percorrer uma linha de tempo bi-dimensional (ele / outros) em que o que lhe era exterior, prenchia diversas categorias de variáveis não domináveis pela sua vontade.
Quando muito, elas apenas se demonstravam receptíveis à sua influência e mesmo assim, apenas na medida do que positivamente útil se lhes afigura-se.
A linha do tempo era por isso artificial e inexoravelmente rectilínea, em volta da qual se desenha uma espiral de vida que se desenrola em elos suficientemente próximos, de modo que quem os percorria, se apercebia da fase (elo) anterior e projectava, expectante, a posterior, em cada ponto do percurso individual.
Daí que o somatório destas individualidades em curso num determinado ponto da espiral correspondente à linha de tempo comum, tenha permitido a consciência histórica (colectiva) já presenciada mas irrepetível: apenas construível pela influência. Relativa.
É por isso que nem a vida singular, nem a colectiva, se repete: uma e outra apenas acontecem de forma diferente. E porque diferente, de forma única.
É por isso que quando se decide mal, se pode influenciar os seus efeitos negativos tentando minorá-los, mas não é possível emendar o que ficou mal.
Tão forte e certo, como percorrer rectiliniamente três posts em dois blogs: uma ideia escrita em três espirais em volta do tempo, que finalmente se tornaram um todo, perto do passado e expectante quanto ao futuro, sempre relativo.
Se isto não lhe fez sentido, ou foi porque falhou um post, ou porque começou a percorrer a espiral num ponto errado.."
Publicado por MatosB às novembro 9, 2006 02:49 PM
Comentários
Como dizia o meu avô (já bem dentro dos oitenta):
«O Tempo tudo traz e tudo leva»... acescento eu
«Nem tudo o que parece é» ou «Cão que ladra não morde« ou ainda «Nem tudo o que parece é»...
Publicado por: Laura às novembro 9, 2006 11:34 PM