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fevereiro 22, 2007

o irmão gémeo do bar

Uma característica interessante dos Hotéis**** onde se proíbe fumar, é estarem cheios de fumadores.
Se se fuma menos, parece que se bebe mais; ou demasiado.
Os bares estão horrivelmente chatos, despoluídos, a abarrotar de gente com ar de sofrimento intenso - nunca sei se é um fumador em abstinência, ou se é alguém que acabou de receber a conta.
Não há encontrões de cotovelo e de cigarro no canto da boca com um "desculpe lá se o queimei"; não há baforadas na cara um dos outros; nem o barulho característico das mudanças contínuas de cinzeiro.
E chamam a isto bar. Um bar, pelo menos um bar a sério, é um sítio de confronto contido, onde se fala muito alto, ao mesmo tom ou superior à música local; onde se anda ao empurrão até se conseguir chegar ao WC e onde se dizem umas grandes baboseiras, com ou sem ar sério. Ė onde a malta, mesmo de gravata, arregaça as mangas, e fuma. E fuma-se. Apetecía-me agarrar nestes totós todos e com um passe de mágica, fazê-los aterrar num daqueles bares educativos de Amsterdam, onde se bebe um licor de sativa, inála-se do ambiente um cheiro a sativa e dizem, até se fuma do mesmo - o que nem acredito... Não é cá um gajo, de tão profissional que está a cravar, de tal forma que pede um cigarro e oferecem-lhe logo um Malboro inteiro, e anda agora cheio de tabaco no bolso e sem lhe poder tocar.
O que vale, é que a hora é apropriada para uma bebida, seja em Lisboa ou aqui: passa das sete horas da noite, é mais de meia-noite em Lisboa.
"and what will it be sir?"
"a Guiness. Please."
"Very good sir! Coming up sir!"
Pronto. Não estou perante o Vasco, nem do Miguel, mas o entusiasmo é o mesmo. Deve-se ao facto do barman não ser americano. Só pode.
Então vá; pode ser mais uma; só para aconchegar a modernice de almoço volante de sandes. Meu rico ensopado; ai as minhas migas; uma açordinha que fosse! E depois, com a sandocha, uma toneladazita de dressing em cima de duas folhitas de alface, para disfarçar; chamam-lhe verduras... e conseguem perguntar-se com um ar quase genuíno, como têm tanto colesterol. Até parece aqueles rapazes da minha empresa, de quem estranhei aquele hábito em voga na Madeira, de se beber um litrito de poncha por cada pedaço de espetada. Tem menos colesterol, mas deixa-nos bastante mal.
Enfim. A ver se, pelo menos, como alguma coisa de jeito, aí pelas vossas 02:00. E se depois sonho e se me lembro do que sonhei.
Vai um cigarro?

Publicado por MatosB às fevereiro 22, 2007 02:37 AM

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