« apatia social | Entrada | organizados »

julho 15, 2009

os ciclos informáticos e o domínio mundial

ciclicamente, a Microsoft produz (aparentemente) maus produtos, pelo menos em termos de sistema operativo.
nos tempos do DOS, foi o MS-DOS 4.01; com o Windows, foi o o "windows Me"; e agora foi o "Vista".
só aparentemente, creio.
não parece que o seja - há antes, uma forma bem estruturada (porque pensada) de manter vivo o canal de alimentação da "novos produtos", criando um que tem sempre algo de "inovador". os amantes da informática já há muito que sabem que a Microsoft (MS) inova sempre após a Apple. cada novo sistema operativo tem simultaneamente algo de suficientemente ineficiente, que leva a empresa a "repensar" e a lançar um "produto novo" e com todos os problemas resolvidos.
o preço será sempre relativamente baixo: são sempre vendidos milhões de cópias.
por isso, ao Vista sucede-se o "windows 7".

a imprensa da especialidade, "livre", serve de eco às boas notícias da vinda do novo sistema operativo da MS realçando em antecipação comercial as "secretas virtudes" do Windows 7.

quase que passa despercebido ao mercado que a Google anunciou que vai lançar o seu próprio sistema operativo, pensado na interligação electrónica e a equipar notebooks e ultra-leves da comunicação electrónica. ingenuamente, o "mercado" da especialidade aplaude e espera "concorrência" que motive a baixa de preços. Não perceberam porque é que há muito que Quadros de empresas de grandes multinacionais de software transitam para não menos pequenas empresas de comunicações electrónicas, cujos accionistas têm sido empurrados para a revolução ao nível das infra-estruturas de rede: sempre e cada vez mais de alto-débito; sempre "auto-estradas de informação" largueironas... tudo para benefício do consumidor, não é? afinal, são só conteúdos disponibilizados em maior quantidade e de forma mais rápida...

e se ("what if") a visão correcta, é outra?

de facto, o que parece desenhar-se, é que o mercado das comunicações electrónicas e software se preparam para o grande assalto ao consumidor e dominar o seu mundo, que é o nosso. juntos, os dois mercados irão suplementar a indústria farmacêutica. não é uma questão de milhões: é de domínio absoluto do mercado.

este pequeno "fediver" de sistemas operativos da Google vs. Microsoft, vem distrair ou adormecer o mercado. a realidade é outra e bem dura: a de que a Microsoft aproveita a "ameaça da Google" para relançar a ideia de todas as aplicações estarem ao dispor do consumidor-utilizador, a partir de um ponto na rede informática. é um "back to the future" disponível na bíblia da dominação anunciada por William Gates III no seu livro "Rumo ao Futuro" - um livro que poucos leram nas entrelinhas: a rede e os dispositivos para a rede são o coração da evolução de um estado social para um estado tecnológico socializado.

isto significa o fim da pirataria dos direitos de autor, mas significa também que o utilizador ficará absolutamente dependente da rede. o pagamento pela prestação de serviços de uso de software, é, desta forma, incontornável.
a indústria cinematográfica copiará e ampliará o modelo com vista ao imediato proveito económico, recuperando dos desaires sofridos com o cinema em casa. e finalmente, a glória económica voltará à "indústria da música".

Orwell e "the matrix" são mero prelúdio para uma realidade de espartilhamento total dos utilizadores: só utilizam o que os programas deixam; só utilizam o que é possível de "clickar" (os escravos do ratinho) e só utilizam depois de pagar e enquanto pagarem.

os pais da actualidade, esmagados pela necessidade da vida materialmente quantitativa, não se apercebem do que aí vem e assistem, impotentes, à alteração dos valores da solidariedade e da "convivência dos sentidos" dos seus filhos (olhar nos olhos do outro, cumprimento físico, desporto grupal) por adaptações a caracteres suficientemente maleável para atingir objectivos - o individualismo "temperadíssimo" com o sentimento e crença em valores como a honra e a verticalidade dão lugar à preocupação do "quem é que tenho de pisar para ter isto e aquilo o mais cedo possível" disfarçado com pregões de meritocracia.

a enformar tudo isto, "a rede", com os programas de comunicação ponto-a-ponto (com ou sem imagem) com os "wii" interligados com outros "amigos-wii", o jogo on-line disfarçado de estratégia e que não são mais que jogos de conflito e a prazo, as aplicações "livres" que se pagam para utilizar, são o caldo de cultura para um "admirável mundo novo" que de humanamente admirável terá muito pouco: e o mais lindo, o maior gozo para os que tiram proveito económico desta situação, é que nós todos (pessoas singulares e colectivas) vamos pagar, para sermos assim.
aqui sim, é que se deviam afirmar os defensores do software livre, que podem e devem aglutinar-se para servirem uma frente comum de qualidade, erigindo campanhas junto das escolas e Universidades técnicas criando engenheiros e programadores que construam plataformas de qualidade, úteis ao comum dos mortais, elas próprias geradoras de oportunidades de negócio.

os resistentes ao modelo da globalização electrónica, serão os excêntricos e comportamentalmente desviados, vivendo e convivendo de facto, mas à margem da tecnologia globalizante do futuro - logo, potencialmente perigosos para essa sociedade.

o problemas é, então, este:
o futuro, esse futuro descrito, já chegou, ainda que parcialmente e ainda que só para alguns.

Publicado por MatosB às julho 15, 2009 12:05 AM

Trackback pings

TrackBack URL para esta entrada:
http://atuleirus.weblog.com.pt/privado/mt-tb.cgi/182941

Comentários

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)