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outubro 15, 2009

temos que desacreditar!

num mundo em contínua busca do melhor quadro de referência para a educação, vão impondo a laicidade como paradigma do justo, do aberto, do tolerante, podendo assim exercer os minoritários de outras fés, as suas convicções de vida.
o expoente máximo e mais recente deste tipo de enformação/deformação deve ser o Tratado de Lisboa, o último brinquedo político dos grandes da Europa, onde se ratificam textos fundamentais da Europa, não com base no seu valor intrínseco e melhor via de entendimento para os europeus, mas como exercício individual de embirramentos, tipo "assino se tu aprovares", em que as alusões à raiz cristã do espaço europeu foram eliminadas do Tratado puramente político.
eu pensava que qualquer cristão, mesmo não praticante (leia-se, não está nem em espírito na missa dominical) era só por si tolerante à outra fé e um bastião potencial da recta conduta, não impeditiva de que os outros tivessem o seu espaço para a conduta religiosa e que isso não causaria nem espanto, nem medo.
mas não.
a "primeira igreja baptista - s. josé dos campos" vem, num escudo de ouro à laia de introdução ao telejornal e com banda sonora de uma oração em árabe, apresentar (divulgar em massa por correio-electrónico) um "relatório" em filme, destinado à humanidade cristã: com base nas taxas demográficas típicas dos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento, cada vês há mais muçulmanos e estes serão o novo domínio do Mundo nos próximos vinte anos, se "nada for feito".
meço o impacto da mensagem nos que a vêm de forma absolutamente empírica, associando o incómodo provocado pelo seu conteúdo, ao número de vezes que a me reenviam.
já a recebi dezenas de vezes e claro que não a reencaminhei.
enquanto aguardo que me ofereçam um Corão de tradução certificada pela Presidência da Comunidade Muçulmana Portuguesa, de facto, reparo que as sunas e alguma letra do Corão traduzido pelos ocidentais são suficientemente claras num dos seus sentidos: só há dois tipos de pessoas debaixo daquela ideia de Deus único: os infiéis e os muçulmanos.
os infiéis, têm que converter-se ao Islão, ou morrer.
nada de novo nisto em relação às igrejas deste Mundo: também a ICARomânica, no seu apostolicismo, já esteve nessa fase, na fase da tortura e do processo sumaríssimo, durante muitos séculos, recorrendo à espionagem e ao homicídio e àquilo que autores recentes, com mais ou menos avaliação das fontes, retratam em "A Santa Aliança" ou em "Os Espiões do Papa" (Fratini). mesmo que estas obras fossem parcialmente ficcionadas, restam sempre como árbitro da verdade as grandes obras académicas da história da cifragem, como as de Khan ou de Bauer, em que o Papado e as cifras são reveladas.
só cifra quem espia e só espia quem conspira contra um grupo determinado de indivíduos, organizado em torno de uma forma ideológica antagónica ao status quo que se defende e não raras vezes suprimindo-se a vida em batalhas de guerras silenciosas.
o filme "baptista de campinas" apresenta o fatídico futuro com base em estatísticas sem citação de fontes e numa linguagem acessível que a meu ver, equivale à esteganografia subliminar da propaganda em massa da mensagem de medo sobre os muçulmanos, que já não vêm aí só com bombas, vêm também armados com a reprodução e propagação na fé, conduzindo à ruína ocidental da nossa vida.
a coincidência da conclusão a que o receptor da mensagem daquele filme é submetido, dá-se pela sobreposição com a política da ICAR para as questões da sexualidade, que continua a defender o "reproduzi-vos naturalmente e sem recurso à evitação da vida".
não fosse a santidade da Igreja não ser um facto simples de assimilar, desde logo pela impiedade de muitos dos seus representantes, e a questão fulcral seria esta: sendo Roma uma máquina ancestral de política e como tal uma organização que tem lutado pela sobrevivência, como qualquer Estado, a política de defesa da vida pela condenação do aborto e da utilização de técnicas que evitem a gravidez, é puramente religiosa-dogmática, ou parcialmente infiltrada por antevisões quasi-xenófobas como o filme a que me referi?
estão os actuais decisores políticos ocidentais e ocidentalizados, afectados por complexos culturais, de tal forma que vão deixando que a tirania da minoria vingue, também no aspecto religioso?

Publicado por MatosB às outubro 15, 2009 12:22 AM

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