novembro 16, 2009
o Sol, como a Justiça, quando nascem são para todos...
ou melhor: para quase todos.
há cegos que não vêm.
há quem não veja, o simples, o óbvio, o que é devido a todos: a dignidade.
a mesmo que tanto é devida a políticos, como a distribuidores de gás.
o segredo, dito de justiça, é para aproveitar a todos os intervenientes num processo.
imaginem pais em angústia, porque o filho tem uma doença grave, motivo suficiente para que peçam ajuda monetária, por meio destas tecnologias ditas de cibernéticas.
imaginem que alguém, aproveita a ideia, e põe a circular uma mensagem de correio-electrónico relatando o caso daqueles pais, mas indicando um NIB da sua conta bancária, o que, em devido tempo, chegou ao conhecimentos dos pais, que, naturalmente, se indignaram com a situação.
apresentaram queixa. o Ministério Público, declarou o segredo de justiça. prosseguiram as investigações por uma entidade policial, que identificou o indivíduo, único sustento de um agregado familiar alentejano, pobre, tendo a seu cargo dois familiares dependentes.
em desespero de causa económica, veio a socorrer-se daquele expediente criminoso para tentar aumentar o seu rendimento. um crime, é certo. condenável, a nível da lei e da moral pública: sem dúvida. merecia uma reprovação séria, ajustada? sem dúvida. mas já agora, num Estado de Direito Democrático, que o fosse no sítio devido: num Tribunal, e não na praça pública.
após a sua identificação pela polícia, o processo foi entregue no Tribunal competente. um jornal de grande tiragem nacional, diária, publica o seu nome ligado ao da sua terra, contanto toda a história dos pais e do seu esforço para ajudar o filho, aproveitando para indicar o NIB da verdadeira conta na notícia.
numa terra pequena, onde todos se conhecem, o criminoso identificado desespera ainda mais com a publicitação do seu nome e sai à rua apenas para se deitar a afogar numa barragem local.
encerre-se o processo por morte do arguido. mas pelo menos, que se empreste um pouquinho de seriedade ao caso que já nem é notícia e pelo menos se tente averiguar quem forneceu aos jornalistas os dados sobre a identidade do arguido.
não me espantaria, se algum advogado se interessasse e averiguando a responsabilidade pela violação do segredo de justiça e a responsabilidade do jornal, tentasse alguma acção em benefício dos familiares do suicida, indagando sobre a existência de alguma nota ou carta, que relacionasse o suicídio com a notícia do jornal.
ainda por cima, fazem notícia com a sua própria morte, ignorando se tinha família, quem, em que condições de vida: é só uma questão de dignidade; humana.
que interesse ou mais valia teve o jornal, em publicar o nome do arguido?
onde ficou aqui o estatuto do jornalista?
fez-se alguma justiça?
convido a pensarem nisto.
Publicado por MatosB às 06:30 PM | Comentários (1) | TrackBack
outubro 16, 2009
vertical idades
"ele há pessoas assim".
que se esforçam pelo bem comum.
que trabalham de forma séria. dedicada.
que tentam atingir os seus sonhos de trabalho, numa ideia de bem e de justo.
que são boicotados por conveniências pontuais e sem respeito pela pessoa e pelo trabalho que desenvolvem.
que são colocados e deslocados sem qualquer tipo de deferência, explicação ou palavra directa.
que, ao receberem a noticia de um agraciamento, qualquer que seja, se mantêm impávidos.
que de forma simples, sóbria e directa (como nunca o foram para com ele) recusa e diz que não vai a lado nenhum.
leio eu, sem autorização nem credencial de representação, desta forma: ir à cerimónia significa concordar com a forma de tratamento a que foi sujeito, o que seria uma contradição nos termos.
então, não vai.
eu chamo a isto, mais do que coerência, verticalidade.
e orgulho-me de ter colegas assim.
Publicado por MatosB às 12:04 AM | Comentários (3) | TrackBack
outubro 10, 2009
o poder do medo
"medo.
inquietação severa da alma que induz uma intensa sensação de desconforto e sobretudo, de insegurança.
o medo pode acontecer perante um facto, um acto, uma necessidade de escolha, ou perante a omissão de tudo isto - o medo pode acontecer por factores exógenos ou por outros, próprios ou específicos do ser que o sente, intimamente, internamente.
muitas vezes, ao medo associa-se a dor, como consequência ou factor secundário.
é por isso que o medo é entendido como estado da alma por uns, como insuportável para outros, e uma desestabilização para todos: o medo afecta diferentemente; e porque o medo é humano, torna-se tão diferençável conforme o número de pessoas. é tão abundante como o número dos que o vivem; é qualitativamente e quantitativamente diferente de pessoa para pessoa.
esta última, explica o facto de existirem pessoas adversas ao risco - mudam pouco, apostam pouco, arriscam pouco - ou demoram a decisão de arriscar.
mas há quem, dentro do género, racionalize o medo de origem interna. conheço muito poucos assim, mas conheço, pelo menos três, cuja racionalização do medo o transforma em contenção do ser, ou ser-se assim.
e porque se há-de racionalizar o medo desta forma? por "amor ao próximo", em que a proximidade seja a de um familiar, ou de um amigo querido, a de alguém que nos seja querido, mas a quem não se quer magoar, ou imputar o sofrimento próprio.
donde, em regra, este tipo de racionalização é mal vista e malquista, precisamente pelos destinatários da racionalização do medo, aqueles que pretendíamos proteger das consequências, ou do motivo do nosso medo.
as consequências desta opção de vida, que diria de estóica, são invariavelmente as mesmas: acaba por se magoar na mesma, ainda que menos, porque o destinatário da intenção de se poupar o sofrimento pela racionalização do medo, não compreende a bondade e a pureza deste tipo de exercício de vida: ter medo de causar dor, fá-lo sofrer só a antecipação dela e arrisca-se a que a dor seja imaginária.
sem todos os dados ao seu alcance, mesmo que bem formado e verdadeiramente amigo, o destinatário deixa-se invadir pela mágoa e decide em conformidade, em regra, não diria mal, mas seguramente contra o o estóico.
o medo aparece assim, como catalisador e/ou como factor de ofuscação das decisões que se tomam, por muito bondosas que o sejam. pode até, servir para empurrar de mansinho o seu portador para a decisão mais fácil, ou a via de vida possível em face das circunstâncias, mas nem por isso mais acertada.
se a vida fosse feita de opções, o medo ou a dor dele poderiam ser uma das variáveis da função felicidade, uma adaptação dos ensinamentos de Alegre Donário que mais sentido faz na explicação utilitarista da separação amorosa: tendencialmente, mesmo que se ame, se as variáveis negativas são demasiadas, pode dar-se a ruptura.
isto faz mais sentido, quando lemos Eduardo Punset, para quem se pode medir o medo: há e sofre-se mais medo, conforme diminui a felicidade. Para ele, é o medo, o medo de viver, o medo de arriscar, o medo de ser, que rouba a felicidade.
a coincidência com a visão utilitarista que antecede não é perfeita, já que o medo, como variável de uma função, poderia, segundo esta visão, ter mais peso que outras variáveis, uma espécie de voto qualitativamente mais negativo.
seja como for, o medo é seguramente um inibidor, um castrador da franqueza na amizade, um cancro das relações amorosas, um libertador de um dos diabos mais poderosos do inferno: a dúvida. provoca a distorção das relações simples e descomplicadas. e fere de morte as relações humanas.
a final e afinal, o que resta? o medo, a dor, ou a dúvida da decisão?
para mim, resta um "ser-se assim", mas com muito carinho, amor e amizade."
in "Urban Idades", ed. Personna, 2009;
Publicado por MatosB às 12:02 AM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 01, 2009
sem navegar

pior que faltar o chão,
é faltar-lhes o mar...
Publicado por MatosB às 12:33 AM | Comentários (1) | TrackBack
setembro 26, 2009
tradução livre
"tal como nós, este é um texto em construção.
e "tal como os políticos, há pais mais imperfeitos do que outros" - dizemo-nos nós, em franco sorriso, uns de entre os mesmos três e parafraseando um ex-Presidente da República que, ao vivo, se referia aos políticos; tudo isto enquanto a Almedina no Saldanha serve de espaço neutro à conversa e à ocupação do tempo.
percebemos que não tínhamos meio de medir o nível a partir do qual se pode considerar um pai imperfeito.
percebemos que não conhecem nas suas relações, quaisquer pais imperfeitos - mas conhecem pais muito diferentes, nas idades, na visão da vida, do que é o perigo ou noção de perigo nos dias que correm, do que é o amor e a relação e no que consiste este tipo de família, novo, composto de missões duais sem fins lucrativos e com génese no mesmo tipo de sentimento.
após breve discussão, a conclusão é avançada sem necessidade de acordo democrático: um pai é imperfeito, sempre que negligenciar um filho; um político é imperfeito, sempre que se deixar corromper, ou atraiçoar a ideia do justo e do bem comum.
o problema foi delimitar o conceito de "negligenciar um filho": mas também se percebeu, que mesmo com boas intenções, tudo o que é de mais, gera mal; mal estar; maldade; malapata. negligenciar um filho, como de resto, acontece por excesso e por omissão.
daqui a perguntar-lhes o que querem ser quando forem grandes, foi um passito. resisto à vaidade da resposta do "ser como tu" para me preocupar com o sentimento crescente de que há uma visão adicional a incutir com urgência: a de que que um pai a lutar por ser mais sempre e cada vez mais perfeito, os quer sempre melhores que ele próprio, como forma de aperfeiçoamento de todos em torno do que puder ser a felicidade.
o aborrecimento acabou por surgir por se ter de falar tão baixo. o livro que é escolhido, como se não fosse natural, é sobre estratégias; tema apropriado nos tempos que correm. este é de Ana Garcês e do Guilherme D'Oliveira Martins (os grandes mestres da estratégia - estudos sobre o poder da guerra e da paz).
agora, neste momento que já não os tenho ao alcance de um abraço, criou-se-me uma vontade de fazer uma nova forma de citação: ler-lhes partes com significados, como se as sublinhasse para mim.
amar, pode ser terrivelmente doloroso."
in "tempus modernus", personnam editora; 2009;
Publicado por MatosB às 12:58 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 11, 2009
linda
hoje, são sete horas de hoje, oitavo dia. estavas deslumbrante, vista daqui, assim nessa luz matinal, pouca e bassa. aproveitaste-te disso para te fazeres realçar, através da tua presença e do cheiro que despertavas em tua volta. fizeste-me apressar o passo. lavaste-me os pensamentos, negros, interrompendo-mos com o teu som insitente, que tinha tanto de cativante, como de selvagem.
refugío-me numa beira qualquer e amparo as tuas lágrimas, grossas, que se misturam noutras, sei lá de quem.
apesar da forma bruta com que te anuncias e impões, saúdo-te, à tua presença e ao teu retorno, minha linda tempestade.
Publicado por MatosB às 12:17 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 10, 2009
help less
perdi totalmente a esperança, de tantas e más decisões poderem ser produto de uma má vontade "contra" quem quer que fosse.
de facto, todas as más decisões a que tenho assistido, radicam apenas na mais pura incompetência.
queira Deus que não me torne num, desses, que decidem só, pensando que mais vale decidir mal que não decidir.
Publicado por MatosB às 12:00 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 09, 2009
one more time
"(...) os seres humanos incluem(-se) numa de quatro categorias fundamentais: os crédulos, os inteligentes, os bandidos e os estúpidos."
"(...) estúpida é uma pessoa que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer um prejuízo."
in "leis fundamentais da estupidez humana";
Cipolla - "Allegro ma non troppo".
Publicado por MatosB às 12:11 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 08, 2009
vem ouvir o que se vê
"vem. anda comigo - ainda que de forma assimétrica. vem piscar os olhos.
olha para o mesmo que eu e dá-me a tua opinião, de preferência objectiva. de preferência verdadeira. de preferência sintética.
anda, vê com os meus olhos e eu com os teus este mesmo objecto que somos nós.
vês a rugosidade no trato, a recusa de ouvir e a teimosia que fica a par da dúvida corrosiva. vem. anda comigo ver a diferença tão bem, como eu vejo a semelhança. vês a semelhança?
então vem, porque se já se viu bastante, que é assim que se vê, que basta ver o que é tal como está e ver de novo o objecto a uma outra luz, de preferência forte. de preferência intensa. de preferência alva. porque os olhos, serão sempre os mesmos: limitados no alcance, frágeis na composição, encandeados pelo breu da teimosia. para mudar basta, querendo, piscar os olhos."
in "Memórias de um Amanhã".
Vidas Editora.
Publicado por MatosB às 10:20 PM | TrackBack
setembro 05, 2009
estadios
"[...] a felicidade é um estado mental de fragilidade humana, latente."
In "Discursus Torricadus Campus Parvus" (lado de fora);
Publicado por MatosB às 12:18 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 04, 2009
Matosinhos mais romântico...
Ora aí está! inteligência, acção, fonte de receita e serviço social. Pena que seja só em Matosinhos.
Publicado por MatosB às 09:31 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 01, 2009
"o cidadão médio faz o trade-off da violência nas ruas, pela violentação dos seus dados e informação pessoal"
"não amigo. a frase é mesmo minha; é o que vejo, por estes olhos; começo a pensar que os que vêm o mesmo que eu, são catalogados como razão minoritária, ou profetas da desgraça inexistente, ou arautos da guerra que nunca vai haver. com tanta gente a estudar o mesmo, com tanta indicação, com tanta informação, com tanto GPS e reconhecimento aéreo, ninguém vê mesmo por onde se caminha em termos de políticas criminais e para onde se está a andar."
Publicado por MatosB às 12:36 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 31, 2009
refugius
são notas e sons
no restolho e
da cigarra
do vento quente
da pradaria sem relvas
calor
luz
e cheiro a palha
ali à frente a enorme
expectante
intocada
cidade das aves
elegantes
ausentes
mas tudo aqui
agora
como então foi:
tão presente
Publicado por MatosB às 01:23 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 30, 2009
aires
o ar quente convida ao arejamento das salas.
e o silêncio ("sin qualquer duda") a um dos seus contrários, sob a forma de música, reproduzida com qualidade, mas sonoramente imposta a 75% do volume máximo.
uma das razões da opção pelo som de música, prende-se com a celebração religiosa que ocorre diariamente num apartamento vizinho, numa língua comum, reproduzida por um meio radiofónico, tão alto, que se ouve em quase todo o universo.
ao fim de semana, aumenta a celebração e o tom que dobra: a voz da crente junta-se à do ministro.
saturado de tanta fé em gritos, pensei qualquer coisa de estridente, longo, e oposto ao realejo sonante. espalha-se assim a violência musical de Robbie Robertson e de Eric Clapton, num duelo de guitarra eléctrica ("Further on up the road") filmado em "the last waltz" do grupo "The Band" - ainda hoje se discute quem foi o vencedor.
acredito que não houve um triunfo individual, nas antes um grande momento musical, fruto do empenho de ambos e que nos pode contagiar ainda hoje.
nada acabou ali, naquele concerto, excepto a missa local, que cessou.
Publicado por MatosB às 12:49 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 28, 2009
alienação da alma
são 15:00 horas de um dia de Agosto. está mesmo quente. não há nada de romântico naquele calor sufocante; o único som que sopra nas arcadas da João de Deus, é a palmilha do "havaiana do decathlon" que insiste em bater no calcanhar à medida que se arrastam pés pelo chão empedrado e a ferver. à sombra desfilam os pinguins pelas montras seguidas. há drogarias e casas de ferragens e retrosarias e lojas de moda e hotelaria, tudo ali, bem no centro da cidade.
foi mais que o calor que me levou a reparar naquela pastelaria, pequena, singela, com todo o ar de antigo a condizer com quem lá estava, com ar bondoso, sofrido, disfarçado de cliente numa das duas mesas que lá cabem. agradeço a venda que me faz e fico. converso com o homem grisalho sobre o local, o sossego, o crime, a polícia, o calor, a insegurança, a carestia, a Universidade, a praça, as gentes da terra e é naquilo tudo que acaba por me esclarecer que o nome do estabelecimento vem do apelido da família, que a mantém há mais de 80 anos e assim continuará, mas apenas até ao último dia do mês, como faz questão de sublinhar.
ao "obrigado" pela venda, recebo um obrigado pela primeira compra do dia.
nos seus olhos enlutados lê-se com facilidade a frase "ainda é minha! ainda é! e vou tê-la todos os dias até a essa data... assim resista ao desgosto!!!".
despeço-me da forma mais definitiva que conheço (sem o meu "até logo") e fico com pena de não conversar mais com aquele homem que, ainda que venda o estabelecimento por bom dinheiro na algibeira, já dá sinais de que vai perder o que traz na alma.
primeiro em voz e depois em pensamento, desejo-lho saúde e força, enquanto desisto da foto, como que por respeito à memória de alguém. regresso à rua deserta incomodado com a dor que por ali se vive e levo a água fresca que me lava a garganta e disfarça o embargo de voz.
in "Conversas de arcadas na Pastelaria Alabaça".
Publicado por MatosB às 12:04 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 26, 2009
eu pensava que
eu pensava que os Serviços de Informação visavam as questões da segurança e da identidade nacional.
eu pensava que nesse propósito, poderiam os ditos Serviços prevenir e detectar interesses (nomeadamente estrangeiros, "de Estado") que colisissem ou pusessem em causa a exclusividade de informação comercial, industrial ou até de outro tipo, de que resultasse, por exemplo, um atentado à economia portuguesa.
Tratava-se de um campo de disputa de inteligências; de estratégias; de actos ligados à "informação".
eu pensava que, para a criminalidade, mormente a criminalidade organizada, existiam as Polícias e que, para os casos mais difíceis, se usavam mecanismos, proporcionais ao caso, como os "infiltrados", assim coubesse na lei.
eu pensava que era para isso que existia o DCIAP "especialidade" do Ministério Público.
não percebo como pode a criminalidade "financeira" ser um objecto do SIS e do SIED.
nem entendo para quê tanto barulho em torno das múltiplas bases de dados das diferentes Polícias e da interoperabilidade entre as ditas bases de dados dessas polícias, garantida por uma "plataforma" controlada (o acesso está excluído...) pelo Secretário Geral do Sistema de Segurança Interna e pelo seu Conselho Coordenador, a menos que seja para criticar precisamente haverem tantas e distintas bases de dados, uma vez que o nosso País é rico.
Publicado por MatosB às 12:39 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 25, 2009
pedras sem nome

fica adensada a névoa
de quem sem nome ali ficou
por azar ou cumprimento dum destino
apenas a referência ao que foi
sem se poder saber o que fez
para merecer esta simples distinção
Publicado por MatosB às 12:26 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 24, 2009
sala do tesouro
chamam-lhe a sala do tesouro.
por isso ainda hoje tem as grades;
não há outra entrada para aquela sala;
fica protegido o tesouro,
intacto; original; autêntico; visível a todos; e único.
este: o chão original.
Publicado por MatosB às 12:38 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 23, 2009
phishing de contas bancárias

exemplos como este não faltam.
o link aponta para um programa malicioso que, se fosse instalado no computador, deixava em funcionamento um conjunto de instruções, que enviam as suas credenciais ou senhas de acesso aos Bancos e o nome de utilizador; também simulam uma página do seu Banco e pedem-lhe para inserir todos os números do cartão matriz.
de posse daqueles elementos, transferem o seu dinheiro para outras contas bancárias. o Banco recusa a responsabilidade do sucedido e vai imputar-lhe a culpa.
se recorrer a um tribunal cível contra o Banco, tem sorte se o Banco for condenado a devolver metade da quantia que você perdeu - é nisso que tem dado alguma jurisprudência.
os Bancos têm feito contas e parece terem concluído que sai mais barato manterem a tecnologia de segurança no estado actual do que investirem "em força" em tecnologias de autenticação avançadas - sai caro, é aborrecido para o cliente e prejudica a taxa de penetração no mercado; afinal, quantos mais clientes aderirem à "Banca Online" mais empregados bancários são despedidos.
É tudo dinheiro, ou uma questão de dinheiro: evitar custos.
donde:
- cuidado com as mensagens que recebe por correio electrónico, como esta ou outras a dizer que "fulana mandou-lhe este postal de amor!";
- não clicke nos links de qualquer forma;
- cuidado com quem pede para instalar um programa novo (os filhos em casa instalam-nos e não contam nada aos pais);
- e cuidado com a facilidade de aceitar um contrato de acesso à "Banca-online"... leia bem o contrato;
mas tenha também em consideração que:
- o Banco nunca pede os números todos do cartão matriz - pede apenas três deles e só quando pretende fazer uma transacção electrónica;
- o banco nunca manda um sms, ou um correio electrónico ou páginas, onde se pedem o nome de utilizador e a senha de acesso "por motivos de segurança";
Perdeu dinheiro desta forma? o Banco não lhe quer devolver qualquer quantia porque dizem que o culpado é você? recorra a um advogado e pondere a instauração de uma acção cível; se a defesa correr muito mal, recebe tendencialmente 50% do que perdeu e paga as custas a meias.
Se a sua defesa for um ataque bem estruturado, pondo em causa a opção de segurança informática seguida pelo Banco, provavelmente recebe tudo e poderá até vir a imputar as custas ao Banco.
Publicado por MatosB às 01:37 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 22, 2009
centrum
não parece lá grande coisa...
uns musgos num chão; um chão de tijolo!?! mas visto bem ao pé... é um ponto central em relação às outras pedras.
é antigo; é o centro e o topo; o ponto mais alto da abóbada que está por debaixo dos nossos pés. para uns, o Senhor dos Mártires; para outros a que será sempre a Capela dos Mestres da Ordem dos que tendo sido Templários foram de São Tiago.
já lá tinha voltado com o intuito de revisitar aquele local, mas sempre sem sucesso.
desta vez, a intuição para o dia (quente de 43º locais) deu certo e lá foram os mesmos pés pisar, por especial favor, o mesmo local, volvidos 35 anos sobre a primeira visita.
esta capela tem uma irmã gémea, em Tomar. diz-se, que a triangulação com uma terceira capela, dará a chave para se descobrir onde está depositado o verdadeiro tesouro dos monges-soldado. eu prefiro pensar que não são três, mas cinco Capelas, ou pontos: porque sim e por causa da imagem em baixo.

uma coisa é certa: os Templários estiveram ali, naquele sítio, no castelo do filho Danis.
Publicado por MatosB às 12:01 AM | Comentários (1) | TrackBack
agosto 18, 2009
resumé
concentração, meditação e respiração, pela manhã. sons, bailes e danças à tarde; são os ritmos alpinos, andinos, afro, latinas e orientais. músicas à noite.
e vêm os contadores de histórias com todos os ouvintes em volta da fogueira, cheios de vontade de por todos a participar na história.
e há comidas - vegetarianas também - algumas com reforço de carne sob a forma de pulga.
e há bebidas, doces, sem sabor, com e sem gás; e umas mais agrestes;
todas num púcaro.
Publicado por MatosB às 12:42 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 17, 2009
chão de dormir

consequências inevitáveis do cansaço...
qualquer cantinho, direitinho, é bom.
braço-de-auto-almofada.
Publicado por MatosB às 01:08 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 16, 2009
tons nocturnos

não tem nada a ver com o dia, que já foi.
agora são outros, os ritmos e as danças.
Publicado por MatosB às 12:15 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 15, 2009
tendas, elfos & magias

Publicado por MatosB às 11:07 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 14, 2009
púcaros

Publicado por MatosB às 12:04 AM | Comentários (3) | TrackBack
agosto 13, 2009
ambientes fabulosus

(notar os púcaros dependurados...)
Publicado por MatosB às 12:01 AM | Comentários (1) | TrackBack
agosto 12, 2009
murais reflectidus

Publicado por MatosB às 01:00 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 11, 2009
acti politicae

Publicado por MatosB às 12:42 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 10, 2009
ementa original...

Publicado por MatosB às 02:39 PM | Comentários (1) | TrackBack
julho 28, 2009
poder escondido
imaginem que, perante um "mundo bancário em crise" há um conjunto de bancos que recuperam melhor que outros, do abalo financeiro.
imaginem, que tal se deve maioritariamente, a um "forte desempenho" no mercado de capitais... o tal, que está em baixa.
paradoxo?
não: tecnologia que confere uma vantagem competitiva e eventualmente desleal: conseguem dar as ordens de compra e de venda primeiro que os seus concorrentes, recorrendo a um conjunto de filtros e de instruções pré-formatadas e que "disparam" ordens para o mercado electrónico por intermédio de sistemas informáticos que são super-rápidos e estão ligados a redes não menos rápidas. desconhecem-se grandes pormenores sobre o sistema operativo... que não deve ser Microsoft...
se não for isso, só ser for "inside trading" disfarçado de tecnologias...
Publicado por MatosB às 12:03 AM | Comentários (0) | TrackBack
julho 17, 2009
a Constituição da Madeira
conforme a leitura que se lhe quiser dar, Alberto João Jardim pode ter sido brilhante na forma como expôs o assunto: retirar a proibição de uma ideologia da Constituição Portuguesa.
ou seja: a Constituição proíbe o fascismo - na terminologia de João Jardim, o "fascismo de direita";
como essa proibição viola o princípio da igualdade, por não proibir o "fascismo de esquerda", a solução é não proibir nenhuma ideologia.
é desta forma genial que Alberto João Jardim propõe que se retire da Constituição a proibição do fascismo.
Publicado por MatosB às 12:05 AM | Comentários (1) | TrackBack
julho 15, 2009
os ciclos informáticos e o domínio mundial
ciclicamente, a Microsoft produz (aparentemente) maus produtos, pelo menos em termos de sistema operativo.
nos tempos do DOS, foi o MS-DOS 4.01; com o Windows, foi o o "windows Me"; e agora foi o "Vista".
só aparentemente, creio.
não parece que o seja - há antes, uma forma bem estruturada (porque pensada) de manter vivo o canal de alimentação da "novos produtos", criando um que tem sempre algo de "inovador". os amantes da informática já há muito que sabem que a Microsoft (MS) inova sempre após a Apple. cada novo sistema operativo tem simultaneamente algo de suficientemente ineficiente, que leva a empresa a "repensar" e a lançar um "produto novo" e com todos os problemas resolvidos.
o preço será sempre relativamente baixo: são sempre vendidos milhões de cópias.
por isso, ao Vista sucede-se o "windows 7".
a imprensa da especialidade, "livre", serve de eco às boas notícias da vinda do novo sistema operativo da MS realçando em antecipação comercial as "secretas virtudes" do Windows 7.
quase que passa despercebido ao mercado que a Google anunciou que vai lançar o seu próprio sistema operativo, pensado na interligação electrónica e a equipar notebooks e ultra-leves da comunicação electrónica. ingenuamente, o "mercado" da especialidade aplaude e espera "concorrência" que motive a baixa de preços. Não perceberam porque é que há muito que Quadros de empresas de grandes multinacionais de software transitam para não menos pequenas empresas de comunicações electrónicas, cujos accionistas têm sido empurrados para a revolução ao nível das infra-estruturas de rede: sempre e cada vez mais de alto-débito; sempre "auto-estradas de informação" largueironas... tudo para benefício do consumidor, não é? afinal, são só conteúdos disponibilizados em maior quantidade e de forma mais rápida...
e se ("what if") a visão correcta, é outra?
de facto, o que parece desenhar-se, é que o mercado das comunicações electrónicas e software se preparam para o grande assalto ao consumidor e dominar o seu mundo, que é o nosso. juntos, os dois mercados irão suplementar a indústria farmacêutica. não é uma questão de milhões: é de domínio absoluto do mercado.
este pequeno "fediver" de sistemas operativos da Google vs. Microsoft, vem distrair ou adormecer o mercado. a realidade é outra e bem dura: a de que a Microsoft aproveita a "ameaça da Google" para relançar a ideia de todas as aplicações estarem ao dispor do consumidor-utilizador, a partir de um ponto na rede informática. é um "back to the future" disponível na bíblia da dominação anunciada por William Gates III no seu livro "Rumo ao Futuro" - um livro que poucos leram nas entrelinhas: a rede e os dispositivos para a rede são o coração da evolução de um estado social para um estado tecnológico socializado.
isto significa o fim da pirataria dos direitos de autor, mas significa também que o utilizador ficará absolutamente dependente da rede. o pagamento pela prestação de serviços de uso de software, é, desta forma, incontornável.
a indústria cinematográfica copiará e ampliará o modelo com vista ao imediato proveito económico, recuperando dos desaires sofridos com o cinema em casa. e finalmente, a glória económica voltará à "indústria da música".
Orwell e "the matrix" são mero prelúdio para uma realidade de espartilhamento total dos utilizadores: só utilizam o que os programas deixam; só utilizam o que é possível de "clickar" (os escravos do ratinho) e só utilizam depois de pagar e enquanto pagarem.
os pais da actualidade, esmagados pela necessidade da vida materialmente quantitativa, não se apercebem do que aí vem e assistem, impotentes, à alteração dos valores da solidariedade e da "convivência dos sentidos" dos seus filhos (olhar nos olhos do outro, cumprimento físico, desporto grupal) por adaptações a caracteres suficientemente maleável para atingir objectivos - o individualismo "temperadíssimo" com o sentimento e crença em valores como a honra e a verticalidade dão lugar à preocupação do "quem é que tenho de pisar para ter isto e aquilo o mais cedo possível" disfarçado com pregões de meritocracia.
a enformar tudo isto, "a rede", com os programas de comunicação ponto-a-ponto (com ou sem imagem) com os "wii" interligados com outros "amigos-wii", o jogo on-line disfarçado de estratégia e que não são mais que jogos de conflito e a prazo, as aplicações "livres" que se pagam para utilizar, são o caldo de cultura para um "admirável mundo novo" que de humanamente admirável terá muito pouco: e o mais lindo, o maior gozo para os que tiram proveito económico desta situação, é que nós todos (pessoas singulares e colectivas) vamos pagar, para sermos assim.
aqui sim, é que se deviam afirmar os defensores do software livre, que podem e devem aglutinar-se para servirem uma frente comum de qualidade, erigindo campanhas junto das escolas e Universidades técnicas criando engenheiros e programadores que construam plataformas de qualidade, úteis ao comum dos mortais, elas próprias geradoras de oportunidades de negócio.
os resistentes ao modelo da globalização electrónica, serão os excêntricos e comportamentalmente desviados, vivendo e convivendo de facto, mas à margem da tecnologia globalizante do futuro - logo, potencialmente perigosos para essa sociedade.
o problemas é, então, este:
o futuro, esse futuro descrito, já chegou, ainda que parcialmente e ainda que só para alguns.
Publicado por MatosB às 12:05 AM | Comentários (0) | TrackBack
julho 14, 2009
apatia social
não é de todo, uma questão de cavalheirismo. transcende aquela educação que se transmitia, de, nos transportes públicos, se dever dar lugar aos mais velhos e às senhoras, especialmente se estivessem gravidas; de ajudar os cegos, os deficientes motores e os que estivessem temporariamente incapacitados.
é mesmo uma questão de desinteresse, de apatia, de laxismo: pode-se morrer nos transportes públicos sem ninguém dar por isso.
imaginem que numa composição dos caminhos de ferro portugueses, uma mãe com cerca de 30 anos, transporta ao colo uma criança com não mais de ano e meio de idade; desmaia, e dobrando-se sobre si mesma, fica a comprimir a criança com o peso do corpo desfalecido, começando a chorar, num daqueles choros que qualquer pai, ao ouví-lo, identifica "aflição";
ali;
à vista de todos, que impavidamente olham os factos, evidentes, auto-explicativos, sem um gesto de colaboração, como se fosse uma cena de cinema.
dois voluntários do sexo masculino, arranjam forma de desentalar a criança, retirá-la do colo da mãe, colocá-la ao colo de uma passageira com idade de ser mãe, deitar a desmaiada no chão, ir buscar águas e açucar, levantar as pernas da desfalecida a 35 graus, tudo perante a impassividade de uma carruagem inteira, apinhada de gentes.
no meio disto tudo, duas criancinhas teimam em jogar à apanhada e aos "transformers" na carruagem onde isto se passa, pisando repetidamente os que auxiliavam a pobre criatura; só quando um bendito jornal aterra na cabecinha de uma delas é que um, dos encarregados de (des)educação chama o "danielzinho", que, por não poder brincar livremente, decide bater na mãe.
isto, não é normal. como não é normal que a pessoa já recuperada e à saída do comboio, se desfaça em agradecimentos, mas que à pergunta "não se sentiu desfalecer? porque não pediu logo ajuda?" responda da seguinte forma: "e quem se mexia para me ajudar?"
dá que pensar.
Publicado por MatosB às 02:16 AM | TrackBack
julho 08, 2009
aguarelas
cerca de seis horas de descanso em 48 de trabalho, não é muito, e ajuda a perceber o simples facto de que na vida académica, as teses não se fazem sozinhas. não são milagre da natura. não aparecem feitas como os cogumelos nos brindam com o seu aparecimento. vai-se escrevendo fora do tempo em contínuo cansaço e de raríssima convivência.
por isso, um jantar sossegado, num ambiente acolhedor, com música oriental de fundo, sem falatório de e do trabalho, não parece apenas justo, mas também, profundamente merecido.
seja então um restaurante japonês.
faz-se a ordem no caos dos pensamentos em turbilhão. nota-se uma certa desaceleração. à medida que chegam os pratos e a bebida, aprecia-se, naturalmente, os restantes convivas nas imediações.
amigas desavindas na mesa ao lado. solitário inquieto com aspecto de ter muitas ideias por segundo, na frente. amigas coniventes e felizes com um processo de divórcio, atrás e finalmente, numa mesa pouco afastada, pais e filha em festejo de uma prova escrita cuja nota final não se conhece, mas que há-de ter corrido bem.
ao fundo, um grupo de anglófonos (sempre eles!) festeja a estadia na cidade da forma mais americanamente ruidosa que podem.
dois jovens abandonam a mesa e são perfeitamente ignorados pela empregada chinesíssima, no acto de agradecimento em língua japonesa, meia-vénia, braços estendidos e voz baixa. como um acto polido, de pura educação se cobre de ridículo num cenário su-real em que de japonês, só mesmo o nome dos pratos. faltavam só os balões a rebentar e os aviões de papel. na mesa do lado, uma mocita da casa dos inta, esbelta, tipo loira espampanante, vai bufando para os barulhentos amigos americanos que insistem em deixar claro que pretendem elogiar a sua figura da forma mais rude possível. enquanto isso, a amiga visivelmente mais alta e morena de cabelo curto, manuseia despreocupada o telemóvel, o que só irrita mais a loura companhia. terrível esse engenho, quando se partilha uma refeição. as amigas decidem abandonar a mesa. subitamente, a lourita pendura-se no pescoço da morena e beija-a repetida e estridentemente, perante palmas, assobios e exclamações várias dos vaqueiros que entornam saké pelas goelas como quem bebe água. não é difícil sorrir com gosto perante um quadro destes.
- "é o amor! o amor anda aí!" diz o homem com óculos fundo de garrafa;
- "desculpe?"
- "lóve ize in di ére!" diz pausadamente por sílaba, exibindo as dentuças proeminentes num sorriso nervoso, com tanto azar, que puxou da voz para o dizer precisamente quando se fazia calma na sala.
eu já vi isto noutro lado.
visivelmente envergonhado com o dito, auto-propõe-se ele também sair da sala, dizendo à empregada que tem de ir fumar. quando passa, ainda tem coragem para perguntar "não acha?", num tom de voz trémula, profundamente TS.
decide-se facilmente que o ambiente não está como o que se pretendia.
paga a despesa, sempre se deixa em jeito de despedida ao homem dos óculos das lentes grossas: "Moisés e os 10 mandamentos".
- "o quê?? perdão? como diz?" pergunta aflito.
- "um clássico; anos sessenta, penso; a rainha beija demoradamente o faraó que lhe impõe a relação e depois diz-lhe que o beija assim só para que ele perceba o que nunca vai ter dela. portanto, não concordo consigo; são apenas lésbicas numa relação desfocada, em que uma sentiu necessidade de se afirmar ao mundo, mas sobretudo a ela, tentando chocar os espectadores enquanto anuncia publicamente o compromisso que quer assumir; aproveita e diz a todos os homens da sala - não vaão ter disto".
- "ahnnn..." é tudo o que sai daquela mente.
em casa, põe-se a música certa; acende-se o incenso certo e aceita-se a companhia silenciosamente felpuda que aguarda de patas cruzadas um desenvolvimento, qualquer que seja.
com os olhos fechados e a respiração o mais lento possível - o que, infelizmente, se tem revelado extremamente fácil nos dias que correm - saboreia-se o saké que já se bebeu, o tempura de camarão e um ou outros sashimi.
domo arigato.
Publicado por MatosB às 12:21 AM | Comentários (0) | TrackBack
julho 06, 2009
a guarda
sente-se o ar soprado pela natureza entre as árvores locais: nisso consiste a vida deles.
em silêncios, múltiplos de si mesmo, esperam em pé.
fixos. pregados ao sítio.
aguardam, disciplinados, alguma ordem que os mova; à falta das armas, emprestam o corpo.
parados, mas não expectantes. nota-se mesmo uma certa dignidade na falange da ala esquerda, já que o centro, num bloco igualmente silencioso, sereno, adivinha o momento dos movimentos contrários. é a ala central que olha fixamente para os que, à distância, observam em vigília, dispostos em linha, no alto de uma colina.
são a guarda em guarda; os visitantes mais atentos, parecem levar no regresso um pouco daquela vida parada. no corpo e na alma. a sensação de se ter saído de uma igreja ao ar livre.
mística num local.
com total propósito ou ausência de coincidência, a saída, tal como a entrada, faz-se pelo mesmo ponto: sob a lembrança dos princípios budistas, alinhados de um só lado, o lado Bom, o lado Direito, o lado virado ao Nascente.
fica o local com os seus ícones. parto eu com um rumo pouco contemplativo, bem definido mas ainda por preencher.
vou andando.
Publicado por MatosB às 12:02 AM | Comentários (1) | TrackBack
junho 14, 2009
a carvão

Publicado por MatosB às 04:51 AM | Comentários (0) | TrackBack
junho 13, 2009
en graved
sente-se bem o relevo do papel
quando por ela dou passos com os olhos
tem camadas de pó essa pilha descomunal de conhecimento
à espera de um novo alinho no mesmo tipo de pensamento
fica o restante por perceber )bem( mais do que apreender
como a destrinça entre o todo e a parte
onde da mesma resma e do molho saem diferentes folhas
todas feitas de escritos desiguais arquivos de sensações
memórias pendentes
a final sem raízes diferentes
Publicado por MatosB às 03:54 AM | Comentários (0) | TrackBack
junho 12, 2009
oração da vida e do amor (de um pai)
sei como é, prezado amigo - par. já o vi perto de mim - demasiadas vezes. sei exactamente como te sentes. sei que tens urgência em falar, ler e tocar-lhes antes que se te acabe essa disponibilidade no tempo. sei como é esse nó na garganta, como se estivesse cheia de serradura, sem água que acalme essa sede vinda da angústia, omnipresente, seca, dura, constante. sei do aperto no coração. sei como é tentar dizer em minutos tudo o que se não disse durante uma vida inteira - fosse ela também e de algum modo, inteira. sei que te aflige a ideia de te faltar a vista, o tacto, o som, o paladar, a dor e outras formas de profundo e sublime sentimento. sei que és como eu: uma espécie de soldado a lutar contra a maldade que vai na vida e às vezes no corpo; sei que não tens medo do escuro nem do vazio; sei que tens pena, numa antecipação da pena deles por nós não podermos estar tanto quanto se queria. sei como é importante, sublinhar o que se vai dizer, o que se quer dizer e o que se disse, tudo numa só exclamação sentida, afirmada e dita num curto "amo-vos". sei o que é essa força de quem milita, essa vontade de manter firme a convicção de que, se tem de ser, é... mas é só porque não se manda nessa força de transformação que nos leva a alma e nos deixa um corpo, diferente. mas sabes, sei também que fizeste, que construíste e que criaste. sei que sorriste e que amaste. sei que te arrependeste e cismaste em compensar o que não querias fazer de menos bem - e de mal. para quem pensasse perder tudo, em engano, tens tudo, afinal.
vive homem! vive de todas as formas e vive sem mágoas, porque tu (e os outros) se esqueceram que há anos que vives neles, que corres no sangue deles, os teus, em gerações seguidas, e que continuarás muito depois de um dia desaparecermos todos.
olha para trás e vê tudo o que deixaste para a frente, que é tanto!
não sofras tu o que os outros já sofrem, para que todos te vivam, hoje e ontem, que o amanhã, nunca foi teu nem meu, senão num dia, um nosso dia, após dia.
Lx, 14 de Maio
Publicado por MatosB às 03:59 AM | Comentários (1) | TrackBack
junho 08, 2009
conclusões em massa
a curto prazo, a esquerda irá ressurgir na Europa;
provavelmente em Portugal primeiro; vai acontecer assim que os eleitores perceberem que os partidos "liberais" vão querer aumentar a "eficiência do mercado", pelo que o desemprego vai aumentar;
os movimentos Alegre, Humanistas, Terra e Esperança, representam muitos votantes; principalmente se cativarem os 6% de votos brancos e nulos; na Europa, os movimentos dos extremos (de direita e de esquerda) também deterão "golden shares" em políticas.
se o PS perder as legislativas, perde por causa do surgimento de uma "esquerda renovada" (e por, com um políticos com a imagem fragilizada pelo escândalo "freeport", que afinal não é escândalo mas conspiração, terem passado a vida a falar da roubalheira dos outros e dos Bancos que não são deles).
cada vez mais, ganharão nas autarquias, quem dos munícipes souber cuidar, em detrimento das tradicionais "Câmaras Partidos" - o último reduto da possibilidade de escolha democrática e da prevalência do associativismo e dos valores da solidariedade social;
Publicado por MatosB às 07:43 AM | Comentários (1) | TrackBack
competitive idade
"[...] ora, pergunta-me porque é que a MS não tem uma unidade de competitive intelligence?
bem, se assim for, porque provavelmente não tem concorrência que o justifique. Estou certo que no dia em que a Microsoft tiver efectivamente de lutar no mercado, terá necessariamente um unidade dessas. Neste momento, fazem o que qualquer outra grande empresa faz: procuram despedir juristas, que traduzem custos não associados directamente à produção."
Publicado por MatosB às 12:43 AM | Comentários (0) | TrackBack
maio 13, 2009
nihil est tertium in epistolae
Em Lisboa, tantos do tal.
em jeito de carta, que posso eu dizer, sem meios termos e sem incomodar? que se pode oferecer numa série de palavras, para que se deixe de forma solene e vincada, a solidariedade por esse momento em vivência? sei que este é um desses textos que ao ser lido por familiares, por amigos e por conhecidos, vai ser interpretado e valorado de diversas formas, imaginariamente associado a pessoas diferentes e atribuído a situações várias. e contudo, é bem verdade, que este é um texto intencional e dedicado a amigos concretos.
digo-o assim: por vezes, parece que não há mais nada na vida senão uma situação crítica de dor. nada é o que parece ser, como parece que é, naquilo que não se vê. a dor de alma pela sensação de perda é provavelmente a mais dolorosa que há. é íntima. interna. muitas vezes, porque não qualitativamente exorcizada, torna-se sofrida, nesse duplo sentido de quem transporta o que se sofre de forma solitária e de quem sofre por constatar o sofrimento de outrem.
ao longo da vida, experimentam-se grandes doses de diferentes tipos de sofrimento. não há ninguém que não tenha experimentado esse estado, que não é nem sempre, nem só, de um único sentimento. é também do que se repercute no corpo, esse pequeno invólucro do espírito.
há quem diga que viver é isso mesmo: esquecer facilmente os bons momentos e transportar eternamente a mágoa dos momentos valorizados como maus, dolorosos, sofridos. outros dizem que é o destino, ou Deus, ou ambos, que intervêm na nossa linha de tempo de vida. uns têm na base dele o azar, outros a provação, outros um acto de fé contínuo. outros dizem que se desprendem, para não se prenderem nem perderem no seu prendimento.
sobre a resolução para esse estado, não sei dizer nada. só sei que quando se sofre, há dor; dói.
pode escrever-se muita coisa sobre dor e sobre sofrimento. escrever, dizer e aconselhar, nada é senão mera intenção de amizade por quem sofre, comparado com quem vive esse momento de (grande) sofrimento e de fragilidade. sei desse murro no estômago. do enorme vazio que se sente transportar. de perda de parte do seu ser, com um "feeling" adicional de que nunca mais poderá ser preenchido e que nada mais será igual.
mas ainda assim, pode sempre dizer-se isto: a vida não é má; Deus não castiga, o destino somos nós e parte de nós nele. sem culpa e sem remorso. sem auto-flagelação.
o "vazio" descrito existe, é real, não é um reflexo psicológico adquirido: é a maior prova de que se é humanamente normal. mas sobretudo, esse vazio não é duradouro. não veio para ficar. é um pequeno momento (intenso e amargo, é verdade) da imensa e feliz vida.
possam esses momento tão pessoalmente intensos ser vividos, digeridos na aceitação e ultrapassados, para que a felicidade ocupe de novo o seu lugar legítimo, ao lado. sem vazios. como que uma escrita de vida nova, que não apaga mas reescreve tudo o que há de bom por cima do que doeu. como se fosse um texto com sentido e com sentimento, interpretado diferentemente, por pessoas diferentes, em situações diferentes.
O vosso sincero amigo,
Rogério
Publicado por MatosB às 12:34 AM | Comentários (2) | TrackBack
maio 12, 2009
Habemus Mestre!
Parabéns joaKim!
venha o próximo passo!
Publicado por MatosB às 11:15 PM | Comentários (0) | TrackBack
abril 27, 2009
reescritas de leis fundamentais
artigo primeiro
1. um deputado ou um governante, não pode ofender os direitos de um cidadão, ou por omissão da sua actividade, permitir que um cidadão seja sujeito a ofensas dos seus direitos fundamentais;
2. um deputado ou um governante, devem obediência ao interesse expresso pelos cidadãos nas urnas, excepto se esse interesse conflituar com a primeira lei.
3. um deputado ou um governante, devem defender a existência deste sistema, desde que o sistema não conflitue com as duas leis anteriores.
Publicado por MatosB às 12:01 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 25, 2009
um Presidente
hoje, para quem pudesse ter dúvidas, o Presidente da República foi de facto o Presidente de todos os portugueses no seu discurso "de 25 de Abril".
foi um discurso de interesse nacional.
foi um apelo real e verdadeiramente preocupado, aquele que fez numa forma quase enumerada:
- votem, não se abstenham;
- participem na vida política e cívica;
- o discurso político, mormente o da campanha eleitoral, deve caracterizar-se pelo respeito mútuo;
- o "vale tudo" só deve ter em vista apenas a dignificação da actividade político-partidária.
agora é só medir o grau de surdez...
Publicado por MatosB às 04:13 PM | Comentários (0) | TrackBack
abril 22, 2009
heranças
"[...] seremos nós, afinal, demasiado egoístas? estaremos a negligenciar a herança cultural? sabes que é por isso que o motivo porque não compro audiobooks e livros noutro formato digital é este de ser profundamente egoísta e de só pensar nos meus. isto é, quando morrer, provavelmente mais cedo do que se espera, posso deixar os livros aos herdeiros; deixo um objecto perceptível junto com uma série de outros blocos físicos em papel, identificados por títulos, que revelam um tipo de interesse por determinadas matérias; se for no outro formato, o digial, a herança deles é um "backup"; quem é que raio quer deixar um "backup" aos herdeiros como forma de ser recordado e de lhes dizer quem foi em vida?
além disso, nota tu: os livros e os livros digitlizados, sejam em "pdf" ou no formato da MicroSoft, são passíveis de anotações pessoais; glosas; mas nestes, são pessoais no conteúdo mas impessoais na escrita; nos livros, as anotações à margem são cometários pessoais, reveladores de quem os escreveu e do seus estado da alma.
é por isso que não compro cultura literária em forma digital."
Publicado por MatosB às 05:06 PM | Comentários (0) | TrackBack
abril 06, 2009
a lógica aplicada: saúde demográfica
- temos que ser solidários com o Mundo e com os seus problemas sociais...
- mas então... a explosão demográfica dá-se sobretudo em África, onde as doenças aumentam;
- sim...
- e então... a taxa de natalidade sobe, porque os países em vias de desenvolvimento são ajudados pelos países industrializados a combater as doenças e a fome;
- sim...
- mas então a explosão demográfica dá-se porque nós os ajudamos...
- humm... pois... sim...
- então, sermos solidários fez com que o problema demográfico e da existência de doenças perigosas aumentasse naquela zona do Mundo...
- ...
- não foi?
- vou pensar nisso já falamos...
Publicado por MatosB às 12:46 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 31, 2009
a lógica aplicada: Vitorino pede a demissão de Sócrates...
no programa de televisão "notas soltas" de ontem, António Vitorino disse que esperava bem que o Ministério Público não arquivasse o processo e que ilibasse o Primeiro Ministro, pois que a primeira hipótese saberia sempre a pouco.
por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa, disse e repetiu, que o Primeiro Ministro José Sócrates só se deve demitir se for constituído arguido.
ambos são juristas. Ambos percebem a coerência e a unidade do Direito e devem ter empregue bem as palavras usadas, porque são rigorosos.
como por lei o Ministério Público não iliba ninguém (ou arquiva, ou acusa) e como a ilibação pretendida só se ganha indo a julgamento, José Sócrates terá, nesse caminho, de ser constituído arguido, pronunciado e Julgado. se isso acontecesse, é porque há matéria suficiente para o levar a julgamento.
logo, na lógica de Marcelo Rebelo de Sousa, para o salvamento da honra do Governo, Sócrates deverá, nesse caso, demitir-se do cargo.
Donde: António Vitorino, aparentemente de forma sublime, defendeu ontem, publicamente, a demissão de José Sócrates.
coisas da lógica, onde falta a moral.
Publicado por MatosB às 08:24 AM | Comentários (1) | TrackBack
março 27, 2009
da uéding
"os familiares dos noivos estão tranquilos: sabem que o casal vai dizer “sim” frente ao padre, porque já eram casados pelo civil.
os mais racioanis ensaiam uma análise de risco do "síndrome de última hora" e concluem que não vão haver problemas. a mais contestatária manda vir com tudo: não gosta da roupa, da missa, da hora e dos cânticos.
o único nervosismo, a sério, é sobre as alianças – estão? tens aí? já verificaste? Fixe…
a malta ri-se; de resto, é um dia festivo; na missa canta-se, de forma desalmada e super, hiper desafinada… um atentado à melodia típica do cântico religioso, que se descreve assim: estão a ver o canto gregoriano? pois não tinha nada a ver...
“os gajos”, juntinhos, entreolham-se, cúmplices. os sorrisos começam a aflorar. uns olham para o tecto e outros para o chão. atinge-se aquela fase super perigosa em que a gargalhada está mesmo pronta a fugir da garganta; ao lado, há quem enfie a cara nas mãos para tentar o controlo da situação. tenta-se evitar o escândalo.
em vão.
alguém bem próximo deixa escapar um “rrrrrrr” e um "ai, ai..." quando o "irmão-maestro", grande e forte se ajeita num plano mais alto, todo apertado num casaquito, levanta com ar de piedade os bracitos para dirigir o coro. desmancham-se todos. quatro ainda fogem da igreja o mais silenciosamente possível, sob o olhar admirado de alguns dos fiéis.
do grupo fica uma vítima da trama, sentada, em jeito de auto-sufocação para evitar o riso, mas de ligeira lágrima a escorrer. ao lado dela, uma rapariga qualquer pensa que está mesmo comovida e que chora.
dominados os ímpetos risonhos, volta-se ao lugar. O ar anti-beato é poderoso.
no coro de idosos desafina-se cada vez mais, desajudados pelo “homem das teclas” que insiste, para evidente sofrimento do “irmão-maestro”, em escolher os piores tons, garantindo a incompatibilidade total com quem entoava os cânticos.
o grupo de crentes e de descrentes está agora profundamente divertido com o assassinato das notas musicais.
visivelmente transtornados com a tortura sonora, começa-se a discutir baixinho na primeira linha do coro. o “irmão-maestro” implora com os olhinhos abertos para que se comportem, mas a rapaziada septuagenária do coro desatina à séria e desafinam ainda mais. perante uma diva que se solta desgarrada perante o olhar incrédulo das filas da frente, uma partitura serve de leque e simultaneamente de agressão ligeira, no peito de um dos coristas que se voltava para trás e dizia qualquer coisa com ar de zangado.
o padre manda sentar a assembleia e todos se sentam. todos, excepto uma senhora do coro, que confiadamente se agacha para se sentar na cadeira inexistente e aparatosamente, cai de costas.
o “corações ao alto” contrasta com as pernitas ao alto da velhinha, esticadinhas lado a lado, no ar.
uma queda de costas típica das artes marciais, com força e com kiai, com todo o coro da igreja de papeletas e partituras na mão, pescocinhos todos a olhar para o sítio da queda desamparada, sem que ninguém lhe deitasse uma mão - tal foi o espanto. pior que numa formatura na tropa, o homem das teclas nem se mexe. nem olha para trás. deve ser surdo – isso explicaria as notitas agudas que o orgão soltava. o espanto do acontecimento tinha tomado conta de uns, enquanto ao fundo da igreja o mesmo grupo de dissidentes se escangalhava a rir e voltava a sair da igreja. perante o silêncio, a grávida deixa sair um "que chatice!", uma interjeição típica de quem tinha ficado sentadinha, entalada e sem poder fugir.
o jovem e simpático padre, atónito, olhava a corista estatelada, já em fase de socorro pelos restantes coristas. as partituras serviam, agora, de leque.
recobro da situação. ia tudo tão bem, tão controlado, tudo de ar tão sério, quando o padre informa com entusiasmo a data de um evento, onde se vai cantar o fado… o fado religioso. perante tal notícia, o grupo irreverente volta-se em simultâneo para a contestatária de olho claro, esbugalhado e boca escancarada perante a notícia.
nova crise de choro de riso contido.
recuperado o lugar e a compostura, vem a fase do peditório. catam-se ruidosamente as moedinhas dos porta-moedas. como sempre faço nestas circunstâncias, não escolho as moedas: o que vem à mão, é o que vai para o saco das oferendas.
esqueci-me e lá foi ela, redondinha, leve, absolutamente diferente das outras moedas, a rolar perante o “ahh!!!” espantado da senhora que empunhava o saquito de veludo, ao ver aquela rodinha de plástico encarnada a cair para dentro do receptáculo de pano. o olhar de reprovação da senhora, era evidente.
como se esparava, a moeda caiu mas não fez "tlim-tlim" como as outras. lá foi. e logo aquela moeda de plástico para uso nos carrinhos de compras que me fazia tanta falta… claro que o primeiro impulso foi tentar recuperar aquela valiosa moedita de plástico, mas era feio por a mão dentro do saco do peditório. assim como assim, já tinha sido oferecida em conjunto com as suas irmãs metálicas autorizadas pelo Banco Central.
só imagino o bom padre, com espírito cristão, no final do dia, a contar a receita das oferendas e a sorrir perante os cinquenta cêntimos de plástico e a pensar "foi um brincalhão..." ou a dizer qualquer coisa de pior.
acaba a missa. os fieis saem em magotes silenciosos, cara de caso, olhos tristes, ou vazios e olham com rasgos de interrogação e de alguma censura para o grupo que persiste em ficar ao fundo da igreja, de olhos rasos de lágrimas.
o tocador do orgão desce (literalmente) do seu poiso enquanto cai uma almofada: é pequeníssimo; mais baixo que o instrumento musical. deve ser por isso que, afinal, não saiu do seu sítio aquando da queda da corista: depois era difícil voltar a subir lá para cima do banco.
esvaziado o local, preparamo-nos para a cerimónia que nos tinha levado ali. do lado da noiva, a malta ri dos convidados do lado do noivo: eu.
para “equilibrar as coisas”, a minha ala é reforçada com alguns dos convidados da noiva.
a coisa compõe-se.
o casamento correu bem, sem erros, sem episódios, sem broncas e sem bocas.
um dia memorável, por vários factores.
Vivam os noivos!"
Publicado por MatosB às 10:55 AM | Comentários (1) | TrackBack
março 24, 2009
cerca de nada

"não.
não é assim que paras
seja o que for
que venha
desse vento
como a areia
passam os tempos
por ti
grãos soprados como factos vividos
não.
não é assim que guardas
nada
ou alguém
que por ti passam sem nada deixar
ou ter
ou ficar
não.
não é assim que te fixas
nesse solo que não é chão
não é assim que ficas
cerca
não é assim que modificas
os grãos e os pactos
acerca de espaços."
Várius Bárius.
Publicado por MatosB às 12:15 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 23, 2009
existências
Disseram-me outro dia, que já não escrevia. Já não me mostrava. E isso, disseram-me, não era bom. Era sobre esta situação que pensava, quando me deparei com um texto e com uma memória de um texto, ambos sobre o sentimento dito de supremo.
Entre o “diário da tua ausência” de 2006 e a “realidade e ficção” publicado no Sol de 21 de Março pela mesma Margarida Rebelo Pinto, há uma constância: o descrédito na possibilidade de encontrar quem co-viva uma relação (toda ela) baseada no amor. Daí a repetição do livro no artigo (por outras palavras) de não haverem amores perfeitos, apenas momentos perfeitos.
Falha ali, parece-me, a percepção de que a procura dos momentos perfeitos “com leveza e verdade”, com a ausência de medo em entregar-se e “partilhar, ouvir, respeitar, dar espaço quando é preciso, pedir sem cobrar e saber que o outro está ali por nós e para nós não só pelas qualidades que temos mas também porque sabe viver com os nossos defeitos” são partes isoladas, descontínuas, da relação como um todo numa fita de tempo; é uma construção e por isso e se calhar, esforçada.
Só seria amor, se fosse um acto contínuo-voluntário sem espaços nem tempo para ser exercido; sem prazo de validade. E em regra, só se é assim, só se luta assim, quando se quer conquistar uma relação.
"Obtida", entra em declínio, também em regra porque um pensa que o outro lhe pertence e a relação está certa.
Não interessa mais conseguir viver “conecting the dots”, como diria Steve Jobs acerca da vida, como projecto por devir?
Se sim, tal só é possível olhando o passado – uma das afirmações mais potentes que tive oportunidade de reaprender na carne, recentemente.
Mas percebo que se fosse possível proporcionar repetidamente, diariamente, de forma verdadeira e perfeitamente interessada aqueles “momentos de qualidade”, seria certamente uma relação amorosa. E seria possível olhar o passado e dizer “eu amei”.
Todas as partes citadas da autora não me parecem passar de variáveis da Função "Felicidade"; e as variáveis, afinal, têm peso diferenciado. Por vezes, bastam duas de entre inúmeras variáveis serem percebidas negativamente, para alterarem todo o estado funcional da pessoa. Mesmo quando se é amoroso.
Isto é tanto assim, como a verdade das relações construídas, ser diversa. A verdade, repetidamente constatada, é outra: quando um do par se decide em ser amoroso, verdadeiro (ser ele próprio) a relação acaba porque o outro se desinteressa. Acabou o mistério; acabou o jogo de construção; e por vezes, nem as inúmeras qualidades enunciáveis o safam do triste destino: mudar ou ser substituído. Resta a acomodação. Há quem romanticamente o designe por companheirismo; outros por "constância matrimonial".
Só uma vivência a "conectar os pontos" de Jobs pode dar algum sentido à vida, porque à existência individual, é o amor, ou a busca dele, que lhe dá sentido.
Se a autora tiver razão no seu ponto de vista, não é menos verdadeiro que faz parte do homem perseguir uma vida em busca do amor, como se fosse a busca do próprio Santo Graal. E há quem não desista.
Nunca.
Publicado por MatosB às 12:22 AM | Comentários (2) | TrackBack
março 21, 2009
iluminações

"só mesmo essa lâmpada
de luz branca e amarela
para roubar escuridão
no indisfarçável
disfarce
do álcool estranho"
Várius Bárius
Publicado por MatosB às 01:12 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 19, 2009
sala de estar

"ia bem
tirar
partido
bisbilhotar
essa transparência
que te resguarda
mas deixa ficar
tanto à mão
de deitar"
Publicado por MatosB às 12:10 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 17, 2009
arte moderna

"mecanicamente
modelo alterado
tuning diferente
algo de novo
na tua mente"
Publicado por MatosB às 02:01 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 16, 2009
Publicado por MatosB às 12:08 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 08, 2009
parte ida
eras um chato do caraças. cara redonda. morenito.
aborrecias. querias, dizias "brincar". e para as brincadeiras, sempre as mesmas, nada trazias. ou por outra: trazias-te.
estragavas os brinquedos que tinha decidido guardar para os meus filhos...
era a motivação-desculpa de quem tinha quase uma década de experiência de vida a separar-nos.
e ainda por cima, mal falavas. exigias atenção. eras mesmo chato!
o pior é que se não aparecias, sentia falta.
durante aqueles dois anos, foste, um PIA. a bem dizer, um irmão mais novo, no que de incomodativo se pode ter. a mania que tinhas de me espatifar os carrinhos preferidos e os soldadinhos de plástico!
cada vez que vinhas, ía-se embora mais um soldado, ou mais uma arma. depois, ao fim do dia, lá regressavam ao quartel pela mão das nossas mães, vizinhas e cúmplices dos seus respectivos infortúnios.
a vida haveria de nos separar em cada ano de crescimento - a diferença de idades era muita.
seguiste outros grupos do mesmo bairro, para não seres eternamente "puto" no nosso meio. havias de fumar erva e de ver morrer amigos em acidentes brutais. e como mais velho, bem mais velho, havia de te abraçar e consolar; responder-te "não sei" à fatal pergunta "porquê". havias de arranjar trabalho, casar e ter um filho. afinal, sempre cresceste, já que a tua estatura física era baixa e não deixava que tratassem de outra forma sem esse diminutivo dos vizinhos e familiares, sempre acabado em "inho". eras sempre "Paulinho".
é engraçado, mas já crescido na vida e sem seres um especial amigo, embirrava com essa forma de tratamento e lembro-me de, propositadamente, te roubar sempre o "inho" amesquinhante na frente dos outros. especialmente na frente da tua mãe.
ficavas verdadeiramente agradecido - via-o nos teus olhos e no sorriso aberto, que mantinhas desde sempre.
mesmo quando, com os outros "velhadas", vos surpreendia-mos a fumar aquelas cenas que fazem rir e se seguia a rusga, a desanca e o ralhete.
com a vida feita e a correr, tenho pena que te tenhas deixado convencer por essa gaja espampanante, sempre vestida de negro e semeando o temor; tenho pena que tenhas cedido ao seu capricho; que tenhas ido assim, à pressa, deixando tudo e todos embasbacados com uma decisão tão grave e rápida.
também, a decisão não era lá muito tua, é verdade... mas surpreendeu. ninguém esperava.
e logo tu, que a ela tinhas temor, uma forma anagramática de escrever "morte". ficou-te desde que o Jorge morreu naquele acidente de mota.
olha: deixas nos teus o luto. nos outros alguma recordação. eu, Paulo, tenho imensa pena.
pelo teu filho e pela tua mulher que vão sentir a tua falta, agora que te deixaste ir. pelos teus pais que perdem uma razão de vida. pela tua tia que no sobrinho tinha uma preocupação velada resultado do amor que te tinha.
e por ti, porque perdeste a oportunidade de ver outras cores da vida.
tenho mesmo pena que te tenhas ido, puto.
Publicado por MatosB às 01:54 PM | Comentários (3) | TrackBack
março 06, 2009
a relatividade da troca e a relativização do compromisso
são quase 3 horas nesta cidade de ilusões. Encostado à vidraça quadriculada, olho o parque automóvel – fraca paisagem de um local geograficamente bem situado.
em jeito de compensação, imagino o Tejo, atrás de mim, ao fundo, cinzento por força das nuvens que o não deixam ser verde-azulado e ignoro o assobio da ventania que passa por entre frestas das janelas.
o lugar é muito espaçoso mas acolhedor. a grelha, dimensionada a pensar nos clientes em número que hoje não há, ocupa uma parte grande do centro da sala, proporcionando uma distracção adequada ao silêncio de onde só saem de vez em quando uma ou outra frase em tom e frequência indesejáveis a quem compra um momento de descanso, acompanhadas do crepitar forçado pelo sal lançado à brasa.
à medida que vão entrando outros clientes envergando fato, avoluma-se a imagem contrastante, reparam de forma ostensiva no espécimen barbudo quase ao fundo da sala, que ouve baixo e só para ele a melodia trauteada no original pelo Godinho “[...] e vem-nos à memória uma frase batida - hoje é o primeiro dia do resto da tua vida … entra-se cansado e sai-se refeito …”.
tão delicadamente quanto me é possível, vou enxotando empregados solícitos e espalhando migalhas de pão, quando, quase do nada aparece mais um engravatado na vida e plebeu dos sentimentos, vestindo um ar tenso que sobressai dos outros, num tom de pele castanho manchado típico dos bronzeadores artificiais.
senta-se virado para a entrada. não cumprimenta, não olha noutra direcção, não se mexe.
olhado daqui, nem é o facto de não encomendar que o torna mais stressado, mas sim o facto de nem responder a quem, em voz baixa, lhe vai tentando roubar a abstracção perguntando se vai querer água ou presunto.
finalmente chega alguém que o arranca da cadeira e o conduz a um abraço visivelmente sentido, entregue num tratamento por “tu”, entre fatos desiguais e onde só um deles, não traz gravata.
o facto serve para acusação de violação do “dress code” e de brincadeira nervosa interpretada num “pareces mais novo” pelo que esperava a sua chegada.
a proximidade da escolha da mesa por estes espécimes é um factor intrusivo na calma momentânea que, por necessidade quase primária, se tentara comprar. A conversa, em tom normal e civilizado, invade-me sem eu querer. Discutem pensões, gastos em ginásios e férias.
seriam seguramente advogados amigos a representar clientes num processo de divórcio, não fosse o facto de conhecerem tão bem a condição económica mútua, os nomes dos filhos de cada um… ambos têm três filhas. São amigas - visitam-se.
comentam a reacção de cada uma das ex-mulheres à proposta e decidem-se quanto ao destino a dar às casas. finalmente, combinam com rigor e calma que dentro de dois meses, trocam de mulher…
engasgo-me perante o brinde observado e chamo o chefe de sala a quem peço uma mesa mais afastada, para fazer de conta que me espanto e que a minha presença os incomodava.
reinstalado, já não estranho uma ou outra gargalhada que insiste em vir daquela mesa, e, se não de gente estranha, pelo menos de uma situação invulgar. preparo-me para saborear o peixe e o vinho, quando duas mesas à frente sentam uma mulher que vai encostando as costas para trás e deitando um olhar atento mas fugidio à mesa dos dois mutuantes.
visivelmente nervosa, deixa cair o telemóvel um par de vezes, bem como o guardanapo de pano que lhe insiste em fugir do colo e também o que parece ser um caderninho de apontamentos.
em breve junta-se-lhe outra mulher, cabelo solto, sorriso largo, passo firme, que pergunta à primeira como estão a ir as conversações na mesa ao lado.
não vislumbrando nas imediações uma câmara oculta para "os apanhados", apercebo a certeza de não sou alvo de uma brincadeira e levanto-me. apanho-me e às minhas coisas e já no balcão, peço a conta, que a calma desejada, já tinha saído à frente e sem pagar.
conforto-me com um pensamento retomado da última conversa que tinha tido horas antes com o António acerca da cientificidade das ciências sociais.
tudo é relativo - parece agora e ainda mais, verdadeiro.
o ensino é relativo. a defesa do valor vida é relativa. a democracia assenta numa liberdade relativa. o casamento tornou-se relativo. a coragem, o medo, a frontalidade, são relativos.
até a desilusão, pode ser relativa. o que os Homens fazem, é relativizar tudo, para poderem estar mais próximos do interesse pessoal e da animalidade primária, básica, intrínseca da satisfação pessoal.
nesse percurso, ocasionalmente, tratam dos filhos.
como comparado com muitas outras coisas, só o final da vida parece não ser relativo.
Publicado por MatosB às 02:05 PM | Comentários (0) | TrackBack
março 02, 2009
calhando
provavelmente alguns ainda não tinham notado que tendo a Europa começado a Unir-se pelo campo económico, pode agora desunir-se pelas consequências da crise, que, sendo tão profunda, pode realçar instintos de sobrevivência nacionais, em detrimento do espaço da UE.
calhando, detentores da verdade económica há mais tempo que os comuns mortais (os que pagam impostos) os políticos queriam o Tratado de Lisboa aprovado com urgência, por isso mesmo: se caísse a coesão económica, agarravam-se à coesão político-federalizada.
sem uma nem outra, onde ficam os europeus? e com que "poder"?
teoria da conspiração: por falta de apoio europeu às políticas de denominação de Bush, e percebendo-se que a economia europeia era uma peça de dominó da norte-americana, engendrou-se a crise para inviabilizar o "projecto europeu" ou demorá-lo o suficiente para que uma nova federação americana pudesse surgir como força económica dominadora...
daí que quase ninguém tenha notado que Obama vai gerindo a imagem, aparentemente cumprindo promessas eleitorais, mas vai também mantendo "homens de linha dura" não-civis à frente dos círculos de informações do Estado.
naaaah...
demasiada ficção, não é?
não é?!?
Publicado por MatosB às 05:14 PM | Comentários (0) | TrackBack
março 01, 2009
Mestres
tende a ser cada vez mais raro, mas por vezes acontece um exemplo de vida, quando na vida real, as pessoas exercem papeis sociais com competência.
pensei sobre o assunto, devido à experiência, à observação directa.
o que motiva um Mestre de artes marciais, ou de um arte marcial de combate?
ver os resultados dos seus discípulos traduzidos em desempenho em torneio, quantificado em medalhas?
acho que não.
recentemente, pude observar vários em acção, num torneio, indicando técnicas que permitissem a desejada eficácia aos vários intervenientes num torneio.
todos eles o fizeram. e logo que o atleta derrotado saía do recinto, apressavam-se a exemplificar como deviam ter aplicado esta ou aquela técnica, que seria mais ajustada ao adversário concreto.
mas um Mestre, no caso, uma, era diferente.
vi quem se distinguia pelo apoio aos que perdiam um combate, mas sobretudo, era diferente por indicar um caminho ao atleta, que se pode sintetizar num "queres ir mais longe? esforça-te e acredita!".
com calma e paciência, ia misturando um "não te obrigo!" com um "vai porque acredito em ti e sei que ganhas! tens é que ter vontade!".
ganharam. no caso concreto, talvez não se tenham ganho ali grandes medalhas, mas ganhou-se em exercício de um verdadeiro professor, que aponta caminhos, que tenta motivar quem se deixa sucumbir pela adversidade, desse modo dando exemplo de modo de vida pela perseverança.
isso é ser Mestre.
quando tal faceta está em consonância com a personalidade de ambos os pais dos atletas, sem dúvida que quem ganham, são eles, os duplamente discípulos.
há-de ter ganho e ter feito alguém triunfar - nem que seja noutro dojo de vida e mesmo que seja a prazo.
Eu te saúdo, Catarina Rodrigues.
Publicado por MatosB às 02:44 AM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 26, 2009
econ nomia - v. 2.0
- e tu? a tua composição - como é que se sai da crise?
- produzindo mais; a ganhar pouco na produção; a trabalhar mais tempo.
- ispilica...
- produzimos a mais, mesmo que não faça falta; a praça ...
- queres dizer o mercado...
- isso... o mercado fica cheio do bem produzido; os preços baixam; as pessoas podem comprar; a empresa produtora ganha porque produziu muito; o excesso não vendido é trocado num armazém do Estado por bens de outros, produzidos da mesma forma. os excessos dos muitos, sem possibilidade de venda, são oferecidos aos poucos sem nada ou sem meios de troca. claro, que tem que se estudar de que tipo de bens se está a falar. não é perfeito, mas ajuda.
- então mas a trabalhar mais tempo, não aumenta o emprego e aumenta a despesa...
- não, porque em vez de se despedir, cada um trabalha menos tempo e por isso ganha menos; os preços todos, de tudo, vão descendo até o ordenado afinal, ser suficiente para comprar; deve levar alguns anos, mas vai lá...
- pois... o que queres ser quando fores grande?
- economista...
- ok. eu compro o bilhete para Oslo e levo-te a caneta numa mão e o livro na outra...
- o quê?
- nada , filho. deixa estar.
Publicado por MatosB às 12:16 AM | Comentários (2) | TrackBack
fevereiro 25, 2009
econ nomia - v. 1.0
- não temos muito tempo. faz antes uma espécie de redacção, oral; tema: como sair da crise?
- [...]
- tenta filho...
- para se sair da crise, temos que ir mais vezes ao circo. pronto.
- ao circo? explica...
- se não vamos ao circo, não compramos bilhetes;
- sim...
- se não compramos bilhetes, não há pagamentos aos artistas principais: os palhaços; assim, os palhaços acabam por ficar no desemprego. Percebes?
- não! os palhaços ficam no desemprego como os outros!
- aí é que está: se estão desempregados, vão para o Governo...
- ah... pois é...
- sem ofensa para os primeiros...
- os primeiros?
- os palhaços competentes, que fazem rir...
- pois...
Publicado por MatosB às 04:09 PM | Comentários (1) | TrackBack
fevereiro 20, 2009
ca raio...
fui-me indignando à medida que ouvia. desligada a comunicação telefónica, não se foi embora o sentimento de repulsa.
hoje, é dia de greve.
hoje, exerce-se um dos direitos "conquistados" com o 25 de Abril dos outros.
hoje é o dia em que se exerce liberdade sob a forma de protesto, traduzida numa adesão a uma greve.
e ontem, disseram-me, foi o dia em que colegas viraram o que são, ao aceitarem ser coactores (actores de coacção) sobre funcionários, digo, sobre ex-funcionários, agora trabalhadores em funções públicas.
que país é este, onde o colega de carteira e de carreira, vira e se vira de dentro para fora, pressionando ilicitamente o seu par para que não adira a uma greve?
e insinua-se que o contrato está a acabar?
ceder a essa vil chantagem, não a denunciar aos sindicatos (seja ou não a vítima sindicalizada) é comprometer o presente e empurrar o futuro dos filhos para uma geração de potenciais oprimidos, os tempos dos medos por se ser gente e se ousar pensar, dizer alto o que se pensa e gritar "basta!".
A greve é. para este efeito, o que menos interessa.
o que interessa, são os princípios.
não é minha, mas digo eu... VIVA A GREVE!
Publicado por MatosB às 02:15 AM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 12, 2009
dar o que se recebe

"- [...] não na coisa dada, não no valor monetário nem sequer um significante qualquer; nem numa entrega de si; aceita-se porque se deu, e deu-se o que se recebeu...
- como a história do pão?
- isso..."
Publicado por MatosB às 11:16 PM | Comentários (2) | TrackBack
fevereiro 11, 2009
o jantar... onde está o jantar...

Publicado por MatosB às 08:59 PM | Comentários (2) | TrackBack
fevereiro 01, 2009
sinais
dou por mim interrompido na escolha da colecção de textos: reparo que ouço o "sinais" de Fernando Alves - um luxo que a actual tecnologia digital me permite usar nessa coisa feita moda semi-nova, que são os "podcasts".
consigo assim recuperar um ou outro texto dito, enquanto me apercebo que na vida quase tudo são também sinais, principalmente, quando são ou correspondem a uma mudança pessoal.
acho interessante como uns nos têm por distantes, outros em fugas para a frente, outros em calma reclusão - sinais lidos, é certo - mas tudo aparência daquilo que se não tem, ou do que se não é.
da forma mais simples possível mas dentro do estilo sinuoso e teimosamente duradouro, revejo-me devagar na imagem de um "sem-sinais" qualquer em busca de um difícil acerto, aguardando "o" momento para dar corpo a uma decisão que tarda: a escolha de mais um caminho; não olho o tipo de chão, não me preocupa a dificuldade do percurso, mas confesso que tento descortinar, mais uma vez, o que está lá ao fundo, no horizonte, como fim de história e de narrativa.
"sem pressa" - pedi eu com tanta sinceridade - e agora, volto de novo a folha do mesmo livro, lido vezes sem conta e sem fim, porque a narrativa é quase sempre a mesma e tão aberta quanto ao final como o resto dos dias que me faltam viver. o incompreendido horror à solidão é directamente proporcional ao medo de novo falhanço na construção de um índice de vida de que não se envergonhem, nem o autor, nem o editor.
ás urtigas com o ISBN.
fica o poder das personagens assim desenhadas numa "estória" ditada por outros, que não sendo uma qualquer, é a de muitos e principalmente a que mais tenho tido de ler ultimamente.
fecho-o devagar e observo as diferenças de tom na cor do papel, enquanto sinto o pó e me vem o cheiro a tinta - sensações que saltaram de cada página para os dedos e se realçaram no olfato, enquanto conto de olhos fechados essas cento e vinte e sete folhas que o compõem.
são tudo "sinais".
sinais que se sentem.
não se dizem, não se escrevem nem descrevem, nem se lêem à primeira numa escrita qualquer.
como esta.
Publicado por MatosB às 11:39 PM | TrackBack
janeiro 23, 2009
drops

"são gotas de luz
essas que deixas
como dedos transparentes
fantasmas de festas
do encanto colectivo
de uma noite qualquer
vista no singular"
Várius Bárius
(imagem: Xico Lois)
Publicado por MatosB às 12:10 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 22, 2009
frius

"vem tanto frio
desse lado olhado
que sinto a neve
que cai como eu:
leve, sem pranto
ignorando se fui
ponte, caminho ou
arco de sustentação
sobre esse rio feito chão,
branco"
Várius Bárius
(imagem: IsBlu)
Publicado por MatosB às 05:42 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 20, 2009
hollywood e a quase-nova ordem mundial
acabou-se tudo.
quer em filmes de ficção científica para projecção em sala de cinema, quer em séries televisivas - tipo invasores do espaço, 24 horas para acabar o Mundo e mais não sei o quê - o universo cinematográfico de ficção mudou para sempre.
fazia parte da trama, precisamente para sublinhar que era ficção e que a acontecer seria num longínquo ano civil, a figura representada pelo presidente dos EUA ser um preto.
e os canais de televisão referem-se ao tema em termos de feito histórico, porque tal como o disse a senhora apresentadora da CNN, "a América tem o primeiro Presidente preto da sua história"; e disse "preto"; não disse "negro", nem disse "de cor".
é mesmo novidade; a CNN passou um documentário acerca dos "contra-snipers" doss US Secret Services" serem os melhores do Mundo, as armas desenhadas para cada atirador e o alcance útil de dois mil metros.
com a elegância de um elefante numa loja de porcelanas, relembram Kennedy, num óbvio agoiro acerca do novo Presidente.
que Deus o guarde, porque os homens, parece que não.
Publicado por MatosB às 05:00 PM | Comentários (0) | TrackBack
marés de rios

"não sei se fogem
ou apenas voam
as memórias
que ficaram
na maré que fugiu
fico encalhado
como o bote que as transportava
nesse rio que secou
onde a vida se esgotou
e a lágrima
curta
ficou"
Várius Bárius
(imagem: Paulo Branco)
Publicado por MatosB às 12:59 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 19, 2009
frestas

"uma nesga
vislumbre
janela sem vidro
com vida
com vento
virada a quem
uma nesga
uma fresta
convida
sente
e se fica"
Várius Bárius.
(imagem: Paulo Branco)
Publicado por MatosB às 12:53 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 17, 2009
mastrus

"era bom
ver essa vela
desfraldar
ao vento que viesse
d'oeste
era bom
esse pano
branco
desamarrar
largar-me do cais
e ir"
Várius Bárius
(imagem: Paulo Branco)
Publicado por MatosB às 12:57 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 15, 2009
reflexus

vejo
és assim
um reflexo de mim
vou
no que em ti
vejo
fico no que em ti
sou
Várius Bárius
(imagem: Paulo Branco)
Publicado por MatosB às 08:03 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 13, 2009
atuleirus
mais um aninho...
vamos pensando em mudar?
dar-lhe paz?
poupar-lhe o sofrimento?
Publicado por MatosB às 12:01 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 12, 2009
geração quê!?!
Parece que os investigadores das áreas socias e os antropólogos se referem ás novas gerações do mercado de trabalho (nascidos entre 1980 e 1990) por "geração y" (the Economist 9-2009).
Correndo tudo bem, saiam da Universidade para o primeiro emprego; as áreas ligadas às tecnologias de informação e de comunicação absorviam os jovens recém-licenciados; e de uma forma razoável, os candidatos de outras licenciaturas, como a Economia, Direito e a Gestão.
As mudanças de entidade patronal, de firma ou grupo empresarial, até à idade dos 35 anos, eram vistas como normal "evolução profissional".
A autonomia profissioal e a intercolaboração tendo em vista atingir objectivos da organização, caracterizavam o estilo comum do profissional.
A crise económica altera isto tudo - diz-se agora na revista - e surgem situações de ineficácia: a mobilidade no mercado de emprega cessa; impera a rigidez da intervenção hierárquica; a criatividade é substituída pelo controlo e regulamentação; e claro está, aumenta a insatisfação do colaborador.
A chave para o aproveitamento do mercado e saída da recessão estará no colaborador generalista e "multitasker", que permitirá corresponder a mais solicitações [do mercado]. A especialização é coisa a usar muito, muito selectivamente. Em consequência, terá de trabalhar mais horas - mas será pago por isso.
As chefias tentam convencer os empregados válidos a ficar na empresa, cultivando um clima de transparência e informando o grupo de trabalho de tudo o que surge de bom e de mau, bem como as tendências organizativas - manter os colaboradores sem informação (está confirmnado) é prejudicial aos objectivos organizacionais, ao desemprenho individual e despoleta vagas de criticismo dirigido à hierarquia, gerando conflitos internos.
Empregados-Colaboradores válidos, mais informação, mais formação, mais generalistas, mais espírito de grupo, mais horas de trabalho, mais estabilidade de emprego e da organização.
Diz-se.
O que é que não perceberam?
Publicado por MatosB às 12:28 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 11, 2009
no meu templo

foi um convite
esse o que te fiz
para me visitares
um dia
no meu templo sem altar
numa visita guiada
a um espaço imenso
onde só o silêncio
se faz notar
bem sabia que sendo
convite
podia ser recusado
mas recusado que fosse
que podia eu fazer
senão recuar
mudar o fim
e o objecto
e o tom
dessa minha oração
Varius
(imagem original: Paulo Branco)
Publicado por MatosB às 12:04 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 07, 2009
janela

linda janela
esta constante
cheia de detalhe
sóbria
robusta
distinta
hermética
construída
de imagem antiga
e de dois tempos vividos
um de nada deixar ouvir
outro de nada deixar ver
Várius Bárius
(imagem: Paulo Branco)
Publicado por MatosB às 12:03 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 06, 2009
sede

não me olhes assim
desse poiso de Verão
nesse olhar espantado
espero que te saiba bem
essa água no bico
que a sede te tire
e para o voo te empurre
para um tempo constante
puro
arrumado
Várius Bárius
(imagem: Paulo Branco)
Publicado por MatosB às 12:52 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 05, 2009
espreitar

"desse chão que pisas
o parapeito da tua curiosidade
adivinho-te
ágil e leve
frágil e estridente
como o sorriso
que em tempos me deixaste
ver"
Várius Bárius
(imagem: Paulo Branco)
Publicado por MatosB às 12:40 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 03, 2009
à toa
"vem comigo e passeio-te!"
- disse-me o cão.
"vem, tira-me a trela e anda chapinhar nas poças, andar à chuva, cheirar o ar, ouvir as folhas nas árvores, fugir dos carros e correr à toa..."
- disse-me o cão.
"vem esgravatar a terra, latir e chamar outros de nós, espalhar pelo e rolar na areia..."
- disse-me o cão.
"corre, corre mais, corre atrás de mim, eu atrás do gato, que desaparece sempre naquela esquina, ou atrás de um carro, ou na árvore mais próxima!"
- disse-me o cão.
"corre!! corre atrás de mim e nós os dois atrás da vida, como se não existisse um hoje, um logo ou um amanhã!"
- e eu fui. ainda corro, já quase sem força e sem fôlogo. mas corro.
Publicado por MatosB às 12:10 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 02, 2009
a me
"dá-me nesse verso
essa melodia em letras dita
mostra (esse lado
também)
dá-me uma razão de dizer
que tudo é diferente
nesse teu anverso
de que possas ser
mundo perverso
do que é meu ser
onde não és quem dizes
nem escolhes ter"
Várius Bárius.
Publicado por MatosB às 12:17 AM | Comentários (0) | TrackBack
dezembro 30, 2008
Parabéns!!!!!!!!!!!

"se o nome de um é Tico
então o do outro é Teco
e dos dois o mesmo nome
animado num mundo só deles
sendo do nosso também
que a pequena palavra
com que se escondem
é dita em estranho encanto:
"mano"
Publicado por MatosB às 12:00 AM | Comentários (2) | TrackBack
dezembro 29, 2008
o vício do jogo
às vezes faz falta falar de realidades como esta.
pode ler-se sobre o assunto, aqui ou acolá.
mas fará sempre mais falta ter a coragem de dar esse passo.
pessoalmente, não tenho tanta certeza de que possa haver espaço para "jogo responsável" - mas este site é muito bom.
a "TSF" transmitiu a 3 de Dezembro um programa espectacular sobre o tema - vale a pena ouvir.
sabia que em volta de um casino, num raio até 80 km, aumentam os problemas sociais?
Publicado por MatosB às 12:21 AM | Comentários (1) | TrackBack
dezembro 25, 2008
de mim para vós
A todos, desejo um Bom Natal.
Publicado por MatosB às 11:25 AM | Comentários (0) | TrackBack
cais das penas
"da vontade veio
a interrogação
e a imagem também
de quem corre pelo cais
até ali
onde linhas se fundem
como par num fio de horizonte
onde o fim se vê também
quando a um se diz de outro
em tom de pergunta
que cais é esse
ou se sabes
para onde vais
assim tão bem."
Várius Bárius.
Publicado por MatosB às 12:46 AM | Comentários (0) | TrackBack
dezembro 01, 2008
in cripto

"vens assim
nesse código hermético
dançar no meu pensamento
distracção de um momento
aparecer no horizonte
de um meu firmamento
projectar-me nesse escrito
de desilusões feito
requiem de um ideal
que não sei ler nem escrever
mas que se fosse sentido
era universal"
Várius Bárius
Publicado por MatosB às 12:30 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 30, 2008
Tu (aí)
"Tu!
Sim! Tu aí!
Que vês de mim o que nunca tiveste;
Tu, aí!
Que vês a salvaguarda do que queres;
Tu, aí!
Que queres o que não sou;
Tu, aí!
Que não sabes onde estou;
Tu, aí!
Que só te lembras de mim;
Tu, aí!
Que foges de mim;
Tu, aí!
Que aqui só vês esperança de ti;
Tu, aí!
Que voltas deste espírito para aqui tornar;
Saibam
Que isso não sou,
Reserva de ser ou ideal,
Apoio total,
Condicionamento legal
De um tempo ido
Ou retorno anual.
Este, sou eu!
Não sou essa imagem,
Vista, ou fantasma,
Da oportunidade que perdeste.
Este sou eu!
Resultado de um mundo imperfeito
Na dor construído e feito
Ser de um caminho a eito
Que desenha no dia a dia
e sente no peito
Esta longa viagem.
Sim!
Este, sou eu!
Carne que alberga um espírito
à espera de ser descoberto e tido
Como um qualquer ido
de ti,
em mim,
um eu,
de um agora,
aqui."
Várius Bárius
Publicado por MatosB às 12:02 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 27, 2008
agora é que é: então vá!

Publicado por MatosB às 12:01 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 25, 2008
Parabéns Paula!

saúdes e felicidades!
Publicado por MatosB às 12:35 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 24, 2008
in focus

só um pouco;
só um pouco mais...
só mais um passo, largo,
em direcção àquele ponto,
um passo mais,
dirigido àquele porto
Publicado por MatosB às 01:26 PM | Comentários (0) | TrackBack
saudades no singular
"doeu muito
doeu mais
hoje lembrar
esse dia
esta pena
tanta
tamanha
tanto e tão imensa
que não estejas
sintas ou vejas
como são eles agora
no enormes que são
de tanto
e de tão bom coração
havias de os ver
ter e reconhecer
doutros
o bom que há neles
mas em mim se desvaneceu
se por um minuto apenas
tu visses
o que já lhes vi de bom
tinhas desse pouco
na eternidade
a imensidão de um som
dito num caso
assim
perto e baixo:
mãe."
Várius Bárius.
Publicado por MatosB às 12:06 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 23, 2008
tornei os
"vejo-os pequenos
de pequenos triunfos
imagino-os grandes
em face de pequenos
quero-lhes bem.
a todos."
Publicado por MatosB às 06:56 PM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 15, 2008

Publicado por MatosB às 12:00 AM | Comentários (3) | TrackBack
novembro 14, 2008
in con sequencia
"[...] empresta aí; alcança-me só um pouco dessa antiguidade silenciosa onde o espaço (aqui) vazio equivale ao silêncio que aí vive.
empresta aí; ou deixa-me usar o teu chão, como se tivesse vida no movimento de o pisar,
sítio que existe, mas se não percebe.
empresta aí; permite-me que ouça o meu próprio respirar num passo vagaroso que empunha a possibilidade do registo - desse momento só - tão só.
empresta;
empresta aí; mostra-me o que há a seguir a esse final - se é beco sem saída ou desemboco noutra ruela, fria, sem movimento. empresta-me aí disso, que tens no teu ser, porque do restante, no resto de tudo, nada me podes dar, por já ser meu."
whatever, whatever, no sítio do costume.
Publicado por MatosB às 01:04 PM | Comentários (0) | TrackBack
antiquo us celtic
"Atra esterní ono thelduin".
e já agora, o mesmo para mim também...
Publicado por MatosB às 12:01 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 09, 2008
so pas
"onde as deixei eu
essas sopas atrasadas
aquelas
as que havia de fazer
para mais tarde as ter
onde é que ela está
essa parte boa da vida
aquela
das sopas aprovadas
aquelas que soube agora
que nunca as provei
onde estão agora
a quem as dei a provar
as minhas mesmas sopas
que não consigo encontrar
aquelas
que fiz e dei
sem nunca ver a quem"
Várius Bárius.
Groguíssimos novus.
Publicado por MatosB às 12:36 AM | Comentários (1) | TrackBack
novembro 08, 2008
veres

"não vejo
que ver assim me tolde
nem o espírito;
mas está tudo aí,
nesse grande plano,
feito mancha
pelo contraste e pela luz;
nessa água bendita em que ainda se pode
chapinhar,
rir e chorar;
dá vontade até de ajudar
empurrar...
não vejas tu
assim a vida de quem fez de pescador
e na rede, pescado não tem
para além da dor
não vejas que olhando
tu tão atento
este texto e o que nele se diz
te escapa, como na imagem,
e na vida,
a outra margem?"
Várius Bárius.
(imagem: Paulo Branco)
Publicado por MatosB às 02:40 PM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 07, 2008
frescos
S. João Baptista.
Fresco sobre pedra.
Nossa Senhora das Neves.
Publicado por MatosB às 12:29 AM | Comentários (2) | TrackBack
novembro 06, 2008
no fim
"[...] sabes, no fim, é tudo o que resta: uma lagoa de água acalmada pelo desgaste da vida, um ponto certo nesse cais, feita opção de te molhares (sem saber quanto) ou de voltares atrás e ver de novo esses grãos de terra firme que te formam o caminho e enformam o espírito.
no fim, vês que a molha não foi grande, que em teu redor há afinal menos secos do que molhados e que a final, apesar de toda a molha e borrasca, passaste o frio da solidão, mas não engripaste.
no fim reparas que deste vida, recebeste vida, foste vida e que só o foste, por te teres decidido: nenhum de nós consegue andar sobre a água.
no fim, percebes que, seja qual for a opção que soubeste evitar, ou que quiseste tomar, foram a semente da ideia lançada na interrogativa mais elementar e mais profunda do teu ser, que é esta:
e se eu tivesse escolhido aquele outro caminho?
amigo, familiar, amor, colega, amante, namorado, pai ou mãe - todos se molham.
perante esta ideia de coerência, assalta-me uma conclusão que trago doutros finais e chuvas torrenciais:
tenho a certeza que, se no final, mas, no final mesmo, a ideia feita dúvida, feita pergunta, feita caminho, te assaltar e te causar um sabor amargo e uma grande angústia, saberás então que, afinal, te enganaste mesmo no caminho que decidiste percorrer."
"Prelecções a um cão mudo" - ou "uma nova fase de pregação aos peixes".
Groguíssimus - às quintas.
Publicado por MatosB às 12:38 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 05, 2008
in dubio
Por acaso, depois do "Código Davinci", a pintura passa a ser vista de outra forma, parecendo que a figura, afinal, é mesmo feminina...
(Nossa Senhora das Neves)
Publicado por MatosB às 12:21 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 02, 2008
a casinha deles...
Publicado por MatosB às 12:15 AM | Comentários (1) | TrackBack
novembro 01, 2008
esquecem-se com frequência

Publicado por MatosB às 12:49 AM | Comentários (1) | TrackBack
outubro 30, 2008
descussiologia política
Só agora percebi que, afinal, os germânicos não são assim tão civilizados numa discussão, como eu pensava. Para além disso, a abstenção política portuguesa está intimamente relacionada com a língua alemã. Porquê?
Todos sabem que as discussões dão, em regra, num conjunto situacional verborreico de acusações. Nas línguas latinas, discutir conduz, por sistema, ao despejo de muitas palavrinhas em cima do receptor da comunicação. Porquê? Precisamente porque há muitas palavrinhas. Palavras pequenas. Uma frase latina é, já o disse, um comboio de letras. Daí que numa discussão, como a de um casal, e com todo o respeito, se for a mulher a pessoa mais danada, o destinatário é como que metralhado com as palavrinhas, arremessadas de repente, e, se for preciso, acompanhado de uma valente chuva de perdigotos.
As discussões entre latinos não são só uma questão de feitio: a língua ajuda, porque havendo muitas palavras, pequenas, a discussão expressa verbalmente fica algo tipo morse, tipo “ti-ti-titi-ri-titi-ti-ti-toiti”.
Portanto, as pessoas envolvidas na discussão, discutem mais: cada fôlego, dá para metralhar centenas de palavras. Até se pode dar o caso ou de não se ouvirem a discutir, ou de se esquecerem sobre o que estavam a discutir - tal é a quantidade de metralha disparada.
Daí que os latinos, se discutem, é a valer. Não há cá agora dessas coisas de controlo de temperamento e quejandas. É para se dizer? diz-se! com as letrinhas todas – e a bem dizer, quanto mais pequenas e insultuosas, melhor!
Reparem lá, abreviadamente: “pqp!”; “vpc!”; “apqtp”; “a culpa é da tua mãe”; foste tu sim senhor meu cdm”! e outras. Estão a ver? São letras pequeninas! Quando se discute, de facto, é mais do tipo “intifada” verbal.
Por isso, uma discussão tipicamente latina, ao rubro, não dura mais de 15 minutos. Não se consegue. A violência verborreica, esgota a coisa. E se por lapso genético-latino estiver para continuar, ou alguém vira as costas, ou é morto.
Ora, na língua alemã, isso não acontece. “ai e tal, os alemães são mais frios, mais racionais, menos temperamentais...”. Nada disso. A língua alemã, é uma língua aglutinante. Logo, não há uma data de metralhices, de letras pequeninas. Não há comboios de letras: há composições imensas agregadas umas às outras pelos carris a fora.
Uma discussão em alemão, arrasta-se como o comprimento das letras aglutinadas. Não há “ri-ttiti-ri-ti-ti-titi”.
Há richtiiiiittiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii-tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii-tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiichhhht-tiiiiiiiiiiiiiiiiiii-tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii-ttiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii-ttiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii-ttiiiiiiiiiiiiiiiiii-tóóóóóóóóóóóóó´!” e r's a dar com um pau.
A coisa leva horas a dizer, mesmo que o outro o incentive com um “mas... mas... mas...” que é a letrita alemã mais pequena que se diz nessas circunstâncias!
Daí que, o casal alemão, discuta menos: dá demasiado trabalho argumentar, contra-argumentar, argumentar de novo, porque nem que seja só para dizer um “desculpa-me” arrasta-se a palavra por mais de 20 segundos e enquanto um discute, o outro, tem que se calar para que um discuta num grande monólogo.
Falta o ar. Cansa, aglutinar aquelas acusações mútuas e rejeitar as explicações.
Portanto, se não se consegue discutir em alemão, gaguejam, ou calam-se. É mais este o caso. Não é uma questão de falta de fleuma, ou de pêlo na venta – é cansaço mesmo. Como sabem disso há centenas de anos, dão uma de civillizados e não embarcam numa discussão por dá cá aquela letra.
“Ja?”
Pois já no caso dos discursos políticos, parece-me que é precisamente o oposto. Um discurso de um político alemão, até dá gosto de ouvir - mesmo em Portugal. Se o ouvirmos, não se percebe nada na mesma, mas sempre tem convicção no que parece que nos está a dizer. Aquilo sim: são “rachhht-táááá-táááááásss” enormes de punho fechado e murro na mesa, que até puxa ao coração e ao voto.
Não é como os nossos políticos, cheios daqueles discursos palavroso-pequenininhos, metralhadinhos e certinhos, que mesmo que gritem e que pulem e que se tentem mostrar indignados, soa a que não têm razão no que dizem.
Pois é?
E é por isso que pelo menos no campo do Direito, o nosso legislador, o legislador português, tem o mesmo problema que as discussões entre casais: só um é que fala e ninguém se entende. Porquê? Porque é um legislador de raízes latino-germânicas! Percebem? O nosso legislador, em Portugal, legisla e fundamenta o que legisla em alemão e como a maior parte da malta não percebe e os que pensam que percebem, vêm que é uma línguagem aglutinada e que dá muito trabalho a malta mandar vir, nem gaguejamos: calamo-nos! E lá está: nos contratos, há sempre letrinhas piqueninas!
É por isso que inventaram um tradutor especializado de Direito, chamado “Supremo Tribunal”. Não que este Tribunal, seja uma invenção nossa – não é. Mas inventá-mos sim senhor, o papel principal para ele, em Portugal: tradução.
Tão a ver? Daí que, quer por não se perceber o que se legisla, quer por se não entender os discursos políticos, o nível de abstenção dos portugueses, nas urnas, é elevado! Calámo-nos!
“ja?”
Publicado por MatosB às 09:08 PM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 27, 2008
desfocadus

se quisesse
não conseguia
desenhar ou pintá-la
como
essa imagem desfocada
como aguarela espalhada
numa forma
maltratada
se pudesse ir
não conseguia
ficaria
se seguisse
não ia
se ficasse
fugia
se quisesse ver
não conseguia
mentia-me
só
para não ter
de quem dizer
ou saber ser.
Várius Bárius.
Grog. Nos dias mais sérius.
Publicado por MatosB às 12:01 AM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 21, 2008
alone in the street...

- não há direito! maltratar assim um peluche!! ele que dá tantos mimos!!
- dá!?! eu pensava que recebem bem mais do que dão...
- pois é... mesmo assim... 'tadinho!
- e ainda por cima, enorme e fofo, como tu!
- o que queres... é a vida!
- de peluche!
- tá a precisar de um banho!
- pois tá... e se telefonássemos para associação de protecção de cães?
- ... queres dizer, de peluches?
- ?!?
- !?!
Publicado por MatosB às 06:44 AM | Comentários (2) | TrackBack
outubro 19, 2008
espaços
amplitude sonora
do interior do visitante
eco dos passos da vida
revisão interior do passado
Publicado por MatosB às 08:36 AM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 18, 2008
re vira voltas

"não fosse o frio
e saltava pela janela
apanhava essa bola amarela
fazia-a minha
como se fosse uma coisa
não fosse a falta do chão
e até corria
pelo céu a fora
atrás dela
prendia-a no meu peito
tinha-a no meu leito
e nunca a deitava fora
não fosse a falta de asas
e saía ali mesmo
como numa paragem de metro
mudava-me
como de um transporte a outro
trocava a viagem e o bilhete
por uma nova
volta"
Várius Bárius.
Quintas e assim. Grog.
Publicado por MatosB às 01:51 AM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 15, 2008
esmagalhães
num tempo de choques tecnológicos, de "ludditas" radicalizados e da comercialização do nome "Magalhães", esbarro nisto:
"A tecnologia tinha criado a ilusão de oferecer a cura para todos os males; os computadores nas salas de aula beneficiariam a educação; os produtos agrícolas com a engenharia genética erradicariam a fome, e os humanos geneticamente manipulados eliminariam as doenças."
Sementes de Fogo.
THOMAS, Gordon.
Publicado por MatosB às 12:17 AM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 13, 2008
reed itio
"As empresas irão reavaliar várias questões relativas ao emprego como por exemplo, quantas pessoas deverão manter nos gabinetes jurídicos e financeiro. Esta análise deverá basear-se na comparação de vantagens de trabalhar com pessoas que pertencem à empresa e nas vantagens de trabalhar com pessoas com consultores externos. (...) As empresas que melhor conseguirem tirar partido dos recursos da rede irão tornar-se mais eficazes e acabarão por desafiar as restantes a fazer o mesmo."
William H. Gates - "Rumo ao futuro".
então, se "a rede" incluir dados suficientes que permitam subsumir uma situação a um quadro pré-avaliado e pré-determinado, pode (sendo suficientemente "neural" e adaptativa) conduzir à dispensa sistemática de juristas, de economistas e de gestores.
Publicado por MatosB às 12:26 AM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 12, 2008
moderno-idades
"... sítio dos sons antigos em espaços modernos;
o betão da cultura traduzida em arquitectura;
uma coisa jovem, sem valor, mas com valores antigos.
inalterável.
fixo.
discreto.
único, em todo o quadrante.
diferente do enquadramento,
mas enquadrado.".
Publicado por MatosB às 03:13 PM | Comentários (1) | TrackBack
outubro 11, 2008
análise xenocoisa
logo quando o capitalismo se verga perante as nacionalizações da Banca (os comunistas rebolam de gozo) por cá a cegueira é dolorosa. sempre se disse que os piores, são os cegos que não querem ver. criam desastres que, se não se abatem sobre eles, seguramente que sobra para alguém.
a atenção sobre o desastre económico desvia a atenção sobre o desastre sócio-cultural.
a C.M.L. intimou um movimento-partido-de-extremíssima-direita a retirar um cartaz "anti-imigração" afixado em Entre-Campos. O cartaz em causa, que por pura e mera coincidência vem a ser afixado num "timing" compatível com a leitura da sentença dos "skinheads", tinha vários dizeres e mostrava uma ovelha branca e lusa a expulsar outras ovelhas. pretas. pretas e catalogadas como "multi culturalismo" e "criminalidade" a par de outros problemas sociais.
deve ser assim que nas mentes políticas portuguesas se resolvem problemas: ocultando notícias, não promovendo debates; não despoletando o combate a intolerâncias; não adequando o ensino primário e secundário à educação "pluralista e democrática". não editando o individualismo pelo ensino e pela cultura o que os media distorcem, num "mundo europeu" onde para se fugir ao desânimo da abstenção, os políticos se vão movimentando em busca de sangue novo e descem a idade mínima para votação para os dezasseis anos, como forma de baixar a abstenção, não porque aumentem a sua qualidade legislativa e reprsentação política.
e já agora, tipo cereja no bolo das omissões do que é (urgentemente) devido, removendo cartazes: uma técnica primato-salazarista típica da conduta do ser político vestido e seguidor da mais pura verdade da avestruz - o que não vê não assusta, logo, o que não vê, não existe.
portanto, a C.M.L. (e a generalidade dos políticos da Assembleia desta des-res-publica) não olha lá "para fora" num roteiro "cá dentro". é mais fácil mostrar toda a pseudo-autoridade mandando remover um ou outro cartaz e assim eliminar a ameaça.
não vale a pena, portanto, acompanhar os recentes casos da Áustria, da Suíça, da Bélgica, da França, da Holanda, da Itália e da Dinamarca, onde os políticos de extrema-direita ganharam expressiva notoriedade eleitoral pelo voto populararizado... pelos jovens e "maduros" votantes.
em vez de se dizer e de ensinar abertamente "vejam a vergonha a que isto chega" ou "estes ideais não servem a democracia" apontando o dedo acusador ao tal cartaz, ou afixando um cartaz de dimensão igual ou superior com as ideias contrárias bem vincadas, ou promovendo o debate e o interesse dos media, retira-se o cartaz de forma coerciva.
passem os olhos por alguns relatórios estrangeiros e constatem os resultados das sondagens acerca de do sentimento popular acerca de muçulmanos e de judeus em países democráticos como a Espanha e a Alemanha (the economist 4th-10th ocotober 2008).
é por isso que perante as agudas crises económicas, de trabalho, de sobrecarga de impostos, de políticas de abandono dos jovens e dos idosos na rota de um liberalismo tendencialmente social, do abalo aos valores culturais seculares pela imposição constitucional de "direitos sociais" aos desorientados sexuais, desacompanhado de explicação séria sobre o fenómeno, ao abuso dessas minorias reclamando o direito à adopção, ao casamento e ao tratamento fiscal como iguais entre eles e desiguais em tudo o resto, que são, tudo conjugado com leis que desautorizam os polícias e impedem a repressão legal e de Direito promovida por um Ministério Público e encimada pela figura de um juiz independente, alimentam os discursos popularistas e facilitistas anti-diferentes-dos-outros.
é por isso que vingam as vozes de Heinz-Christian Strache, Jorg Haider, Christoph Blocher, Vlaams Belangs, Jean-Marie Le Pen, Umberto Bossi e até à pouco tempo, de José Pinto Coelho.
e agora a C.M.L. vai fazer o quê? pedir à ANACOM que proíba o site do PNR na INTERNET onde continua o dito cartaz em forma digital, com base no atentado à dignidade humana???
não desenterrem a cabeça da areia; fiquem nessa posição; e ignorem os sinais dos tempos, para depois estranharem com ar sério e pesaroso, em programas e encontros intelectualizados e televisivos, os tumultos e as violências múltiplas.
"ó Zé! (afinal tu, também por isto, não) fazes falta!".
Publicado por MatosB às 12:49 AM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 10, 2008
catástrofes
[...]
- então, há catástrofres naturais (de origem climática e de origem geológica),
- sim...
- e pela acção do Homem!
- muito bem; dá exemplos sff;
- poluição,
- sim...
- guerra,
- sim...
- o terrorismo...
- o quê? então e as desflorestações e a exploração excessiva de recursos naturais?
- ah! essas! essas, são OUTRAS das acções provocadas pelo Homem...
- ai é? espertalhãozinho!!! e onde foste buscar essa brilhante conclusão?
- à ficha escolar de "área de projecto" que o "stor" mandou...
- [...]
Publicado por MatosB às 04:19 PM | Comentários (2) | TrackBack
outubro 09, 2008
soltinhos...
[...]
- um dia destes, acordo morto e aquilo continua lá, sem mim, a trabalhar, a "postar" sozinho...
- q'ideia tão estranha pá... esquisita... meio macabro! incomoda-te? é improvável que aconteça...
- ... e contudo, possível; e incomoda sim! não vou poder responder aos comentários, né?
- q'uê?!?
- é só um pensamento; solto...[...]
No Grog. Quando calha.
Publicado por MatosB às 07:07 AM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 06, 2008
rodas

imagem: fonte conhecida.
Publicado por MatosB às 01:42 AM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 05, 2008
alone in the day
Publicado por MatosB às 03:58 PM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 04, 2008
estende em calma
"afinal, encobres o quê?
estendes-te assim, caída, numa aparência de interioridade,
de encolhimento,
com múltiplos dedos que se deixam cair sobre a água que
te dá vida."
Publicado por MatosB às 05:41 AM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 03, 2008
quedas na chuva
"[...]era tanta a água, que a sede vinha..."
Publicado por MatosB às 01:38 AM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 02, 2008
caminho pela direita
Publicado por MatosB às 04:23 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 30, 2008
nem um nem outro...

palm palm palm palm palm palm palm palm
Publicado por MatosB às 04:30 PM | Comentários (0) | TrackBack
alone in the dark-light
inalterável.
fixo.
discreto.
único, em todo o quadrante.
diferente do enquadramento,
mas enquadrado.
Publicado por MatosB às 02:15 PM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 29, 2008
ex centricus habitus?

o restaurante é... apelativo. as paredes estão repletas de quadros com aspectos do trabalho do campo e com placas metálicas de "melhor bovino do ano"...
os frequentadores deste tipo de espaços, são estranhos; ficam entre o cosmopolita e mania do ser fino, do gosto que se diz ter. alguns têm. os restaurantes funcionam entre as 19:00 e as 22:30. mas "parece mal" aparecer antes das 20:00 (se for mulher que vai ter ao restaurante, fica mal chegar antes das 20:30). por isso, a malta aparece para jantar entre as 20:00 e as 20:30. aos molhos, em pacotes individuais e de qualquer forma - literalmente. o mais surpreendente que vi (tanto para mim como para o "alegre" empregado de mesa) foi um um cliente juntar-se às duas amigas a uma velocidade estonteante, depois de fazer umas fintas por entre mesas, de lenço garrido a esvoaçar ao pescoço.
vinha de patins, claro. e de patins continuou durante o jantar. no meu país isso só seria admitido como experiência para se tentar fugir sem pagar.
conseguiu duas coisas: chamar a atenção sobre ele, e destronar o espectáculo proporcionado pelo cliente que minutos antes tinha entrado de trotineta e esbarrado no balcão.
depois da escolha da mesa (discussão em tom baixo, no centro na sala, com cada pessoas ou grupo que entra) vem o ritual do aperitivo, ou seja, a escolha do prato enquanto se saboreia um vinho branco com cassis.
o aperitivo é um produto francês.
uma das razões porque os franceses fazem do "jantar fora" uma cerimónia, é devido à oportunidade de passarem horas a olhar para o caderno de encargos do jantar, sob a forma de um enunciado de menus.
e eis que quando finalmente a alguma conclusão se chegou acerca do prato, se dá início a um novo cerimonial: a bebida que o acompanha - se é vinho, se é um quarto, se "un pot", e de onde - leia-se de que região francesa.
finalmente, quando o prato aterra na frente do comensal, o "oooohhhhh" prolongado, como se nunca tivesse visto comida num prato, e a chuva de comentários que cada um faz ao prato do vizinho, tipo, "o teu é mais colorido que o meu, tem mais cenoura" ou o "as ervas decorativas dão ao teu um aspecto delicioso e provençal" - vá-se lá saber o que isto quer dizer... por mim bastaria um "que diabo é isso que tens no prato derretido em cima da comida!?!".
e por último, para que o desacordo se transforme em bonança na noite que corre lenta, vem a cerimónia da escolha da sobremesa: vai ser queijo, ou doce? ou nada? o queijo, naturalmente, é francês. não há outro. o doce é alegre, garrido, enfeitado, no meio do prato, por mestre francês - que não se confunda com a doçaria inglesa e quejandos.
e no finalzinho de tudo, quando muito, um digestivo francês - armagnac, por aí.
é então que eles olham o tecto em busca do nirvana e elas papagueiam sem parar, indiferentes ao som do silêncio que se instala.
limitados, estes franceses. não sabem o que é o bom gosto. excêntricos sem euromilhões.
eu, já voltava.
Publicado por MatosB às 03:55 PM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 28, 2008
vidas - muitas
"[...] e então, demorou "algum" tempo a pensar no que lhe vira e lhe ouvira. decidiu que ia recordar aquela série de momentos. um acto de análise deliberado - não foi uma ideia que saltou sem mais.
não era tristeza, o que viu na outra pessoa; avaliou mal o que percebia dela - voz, tom, expressões, posição dos membros, olhar e desvio de olhares; esquecera-se dos traços "personais" fundamentais daquela para quem tinha despejado os momento mais negros da sua vida recente, agora de forma diferente, porque livre dos compromissos formais que lhe atavam a vida a uma imagem irreal do que pensava ser, o que era e o que tinha.
não era inconformidade, o que emanava do seu olhar. o sorriso continuava limpo e honesto. a voz oscilava entre o sério, ponderado e calmo com o estridente, nervoso e firme som da convicção interna que lhe saía directamente da curiosidade sobre a situação que ajudara a provocar.
o que era, então, e o que o incomodava naquele todo perante si?
foi muito após aquele momento que lhe veio à ideia uma expressão que lhe pareceu certa - aquilo que via de desconforme à pessoa que conhecia, não era tristeza, pena, cinismo, depressão ou infelicidade.
era, na forma simples, amargura, a que de vez em quando lhe saltava dos olhos e revelava a vida recente e actualizada. e tanto assim era, que dando pela fuga do que queria esconder, se disfarçava com um sorriso ou se refugiava numa mudança de assunto.
por um instante absolutamente fugaz, reconheceram-se numa espécie de "estamos cá e na mesma onda", uma irmandade quase-conventual onde o sofrimento era enclausurado, não nas celas individuais de si próprios, mas nos claustros mais espaçosos do disfarce diário concedido pela manutenção de variadas relações pessoais e sociais.
segredos que já eram, conhecimento que se adicionou, desilusão que se afirmou.
se não há almoços de borla, o que é um amigo, quando o é e no que consiste precisamente a amizade, se quando se precisa de um, ele não está?
consciencializou que tendo por base diária um sentimento humanizado, não havia sido amigo, por omissão.
acabaram por se despedir, tarde, cada um deles desligando a sua lanterna com que se tinham ofuscado, em intensidades diferentes (é certo) mas na mesma gama de côr - côr de névoa.
quase de certeza que ambos continuam hoje a pretender estar bem e em paz, avaliando-se e aos que conhecem, reconhecendo defeitos próprios e dos outros, sem o mínimo de mal-e-de-dizer.
não sendo santos, ficaram mais próximos da bondade de si mesmos, pelo simples motivo de, por momentos, terem falado de forma simples mas verdadeira daquilo que eram, do que nunca tinham sido nem tido, e do que seguramente não eram.
foi assim que percebeu que, para além da amargura, lhe tinha também descoberto que com quase vinte anos de diferença, (de)tinha uma maturidade própria, quase do mesmo estado etário.
um denominador comum, baseado em experiências individuais e percebidas de forma quase-idêntica.
muitos anos, esses, de diferença e com diferença.
foi exactamente aqui que interrompeu deliberadamente o discurso interno e voltou ao trabalho, única forma de se desviar do que o incomodava, por não dominar, não influir, não perceber ou saber aceitar a vida quando ela se apresenta nova e colorida.
mas não sem antes escrever umas quantas linhas.
estas."
Vários Bárius. Quintas, no Grog. et alias.
Publicado por MatosB às 12:24 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 27, 2008
vistas
como os problemas acumulados (armazenados e sobrepostos): acabam ali algures, mas não estou bem a ver onde...
Publicado por MatosB às 03:33 PM | Comentários (0) | TrackBack
taberneiro no campo
por um momento, parece que ouvi o som único do realejo. fecho os olhos e aproveito a boleia do som e dos sentidos que aparecem na memória: lá está ele, risonho, bonacheirão mas não obeso, com a pata do presunto na mão esquerda, em diagonal, pousada sobre a perna do mesmo lado, flectida; a faca que empunha é longa, apropriadíssima à laminação do pata negra; em cima da pipa, três queijos pequenos, empilhados e um salsichão virado para nós em tom provocador.
e depois aquele dizer comum aos locais onde se produz vinho:
la ou il y a du vin,
il n'y a pas d'au...
Publicado por MatosB às 08:57 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 26, 2008
ir e vir
do trabalho; sempre pelo mesmo caminho; sempre por aqui...
Publicado por MatosB às 03:45 PM | Comentários (0) | TrackBack
mi canto (y) tu canción
"emerge tu recuerdo de la noche en que estoy
el río anuda al mar su lamento obstinado.
sobre mi corazón llueven frías corolas.
Oh sentina de escombros, feroz cueva de náufragos!
en ti se acumularon las guerras y los vuelos.
de ti alzaron las alas los pájaros del canto.
todo te lo tragaste, com la lejanía.
como el mar, como el tiempo. Todo en ti fue naufragio!"
Pablo Neruda. Canción.
Publicado por MatosB às 12:52 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 25, 2008
mercado da insegurança

com dinheiro, existe sempre um "mercado negro".
agora, mercado, mercado...
Publicado por MatosB às 01:49 PM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 23, 2008
amigos
e veio no que de criança ainda tinha
e que baixinho lhe cantou ao ouvido:
Fazes-me lembrar,
Um leão
Apesar dessa juba que não tens
Deve ser desse ronronar enganado
Ou do latido desafinado...
Adoro esse meigo olhar
E a pata gentil que chama
Nas tuas falas de cão
Passeias-me a correr
Com pena fico de pouca
Companhia te fazer
Publicado por MatosB às 03:49 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 22, 2008
Ces't la crise!
A cidade está colorida com os inúmeros painéis “a allouer” e “ locaux disponible”. Os restaurantes viraram “sandwicherie” para que o cliente “possa ter mais tempo” (!) e os peões não andam com um ar descontraído e domingueiro.
Num dos poucos restaurantes abertos a um domingo, um grupo anglófono chama a atenção não por ser americano, mas porque numa vozearia absolutamente anormal para os “amies” da mesa ao lado, dão nas vistas por causa do barulho, por dizerem que o vinho não presta para acompanhar o “steak haché”, que é como quem diz na língua de Camões, o bife raspado e pior que tudo para o cozinheiro, que não tem cebola...
Foi para eles preferível falar mais de uma hora de ... panquecas e de cerveja.
Estando o “beujolais rouge” fora de questão para eles e sem perceberem que o “cassis de Dijon”não era de todo o equivalente ao schnapps alemão, percebe-se que a expressão “degustation” não consta dos seus dicionários de vida. A galhofa resume-se à crítica parola do ambiente e acerca dos restantes presentes: um americano é, em qualquer parte do mundo, um americano – a vida resume-se a cerveja e hamburguer; eventualmente, simpsons e sexo.
Valeu a risada forte da sala em peso quando a um rude “I'm an american!!” se ouviu como resposta um “nobody's perfect!” seguido de um “it's your father's fault!”.
O meu cassis, foi oferta da casa.
Publicado por MatosB às 09:25 AM | Comentários (2) | TrackBack
ex tractus
é preciso conhecer as pessoas, para encontrar o sublime humor por detrás dos olhos gélidos, azuis. divertido com a conversa, é no olhar esbugalhado e cara pasmada do cliente da mesa ao lado que percebo a força da convicção no timbre constante e no olhar sério.
- isso é para meninos;
- então!?!
- nah! cá agora homens de palavra! convicções fortes!?!
- uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!
- isso!
- claro! hoje quer-se uma pessoa inteligente, mais adaptável, multifacetada... cá agora pessoas com opinião firme e fundamentada! há que estar de acordo com os tempos!
Publicado por MatosB às 03:14 AM | Comentários (0) | TrackBack
ex presso
chegou devagar a lembrança da pessoa, agora gasta, grisalha, fuínha, de olhos demasiado pequenos numa concordância fatal com a qualidade do seu acto diário de desperdício de energias na condução de um modo de vida incompatível com a paz, pessoal e até funcional;
chegou na voz, minha, quando os olhos tropeçaram em Homero: "Como os portões de Hades me é odioso aquele [H]omem que esconde uma coisa na mente, mas diz outra."
Publicado por MatosB às 12:09 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 21, 2008
sim plis

simplicidades não são coisas simples; como o sabor que se não identifica
ou a precisão visual que se perdeu ou o aroma que se confunde.
como o voo para a complexidade do artificial.
é tudo uma questão de sentidos.
Publicado por MatosB às 01:52 PM | Comentários (0) | TrackBack
Parabéns !!!!!!

no worries.
be happy.
Publicado por MatosB às 01:21 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 20, 2008
persistências

Imagem por: @rmando.
Publicado por MatosB às 01:13 PM | Comentários (0) | TrackBack
dados de tráfego - quo vadis sensus!?!
lá fora, na EUropa, onde a vida política e a cidadania acontecem (mesmo que só de vez em quando) um pouco mais a sério... dizem assim:
"In July of 2006, Ireland initiated an action for the annulment of directive
2006/24/EC. Ireland argues that there is no legal basis for a directive the purpose of
which is "to ensure that [...] data are available for the purpose of the investigation,
detection and prosecution of serious crime.
As "friends of the Court", we would like to express our support of the action."
e também dizem assim:
"1) Directive 2006/24/EC constitutes a disproportionate and therefore illegal invasion
in the rights of citizens guaranteed under Art. 8 and Art. 10 ECHR.
2) The directive is also an improper invasion in the rights of the telecommunications
companies guaranteed under Art. 1 PECHR as member states are not required to
compensate their costs.
Patrick BREYER
Arbeitskreis Vorratsdatenspeicherung (Working Group on Data Retention)
Marktstraße 18
D-33602 Bielefeld
acting on behalf of the following organisations:
1. APTI, Romania
2. Arbeitskreis Vorratsdatenspeicherung, Germany
3. Associazione per la Libertà nella Comunicazione Elettronica Interattiva, Italy
4. Berufsverband Deutscher Psychologinnen und Psychologen e.V., Germany
5. big brother awards - french chapter, France
6. Bits of Freedom, Netherlands
7. Deutsche Gesellschaft für Soziologie e.V., Germany"
Publicado por MatosB às 12:57 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 19, 2008
doutubros em diante

Publicado por MatosB às 06:18 PM | Comentários (0) | TrackBack
mercado dos espiões
O mote há muito que foi lançado por uma marca de whisky: "a tradição já não é o que era". Nem nessa bebida, nem noutros aspectos da vida social e do mercado de trabalho.
De modus que já não aparenta ser a ingressão por convite a forma mais "transparente" de se ingressar numa estrutura de Serviços Secretos ingleses.
Têm razão para isso: ainda devem estar escaldados pela actuação "dos cinco"... e não era um romance da Enid Blyton...
É necessário refrescar os quadros? Põe-se um anúncio catita. É mais... popular; e transparente, claro.
Agora, interessante, interessante, é a pergunta-desafio colocada de forma tão inocente, no anúncio.
Questões possíveis de colocar: o anúncio é para os dois sexos? Claro que sim, diria... até que ponto irá o candidato?
Fonte: The Economist September 13th 2008.
Fica duas notas:
acerca do MI6-SIS

e o conteúdo funcional do futuro espião:

Publicado por MatosB às 12:13 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 18, 2008
tentações

Publicado por MatosB às 01:11 PM | Comentários (0) | TrackBack
personal th(s)inking

finalmente chegam
(me) estes cinzentos
num ainda que (ou quê
artificialmente
só para dizer que há preto
e branco
extremidades
meias zonas
graduadas
da mais dramática ausência
também) da côr.
Várius Bárius.
Publicado por MatosB às 12:15 AM | Comentários (1) | TrackBack
setembro 17, 2008
tivesse eu
tivesse eu tempo
e lia
dizia as imagens das letras
e declamava
o que os outros pensaram
e eu
daquilo que sabia
tivesse eu tempo
e passava
o mesmo caminho acidentado
qual quadro em aguarela pintado
no meu coração incendiado
grande de mais para ser
fechado
tivesse eu tempo
e via
nas estradas
o sentimento do poeta
que disse sentido
o meu poema odiado
apenas por ter sido
amado
tivesse eu tempo
e cantava
na música do vento
os nomes de quem fui
mas não tive
em passada larga
na areia deixada
tivesse eu tempo
e ria
meneava e corria
pelos campos feitos filhos
raiz e âncoras a prazo
na corrente da vida
que vejo em fugida
tivesse eu tempo
e morria
cansado de tudo
o que não tenho
criando o que há por fazer
se não neste belo
noutro menos
mundo
Várius Bárius.
Publicado por MatosB às 12:20 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 15, 2008
rfi - II
Alguém tem dados, histórias da Hitória para partilhar, acerca da chamada Guerra do Ultramar, respeitante ao Batalhão Cavalaria 2903, Companhia 2654?
Publicado por MatosB às 08:09 PM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 12, 2008
phan toms
"espelho meu,
espelho teu,
quem é mais negro do que eu?"
Publicado por MatosB às 01:13 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 10, 2008
tércia !
as horas não são nada, se a dúvida te corroí;
os dias são menos tempo se não tens tempo para acreditar;
fica-te mal não veres a verdade que é e por isso te dói;
não te deixes enganar por estas falsas horas, postas em tempo,
que é um tempo que quero que o seja - quando eu quero
que o tempo seja outro, para que outros não tenham
nem tino nem tempo, para me tirarem o tempo de escrever
o que é só meu.
fica bem.
Publicado por MatosB às 04:47 PM | Comentários (4) | TrackBack
setembro 06, 2008
contas de sumir
os furacões repetidos na zona do Golfo do México, afectam o preço do petróleo;
as eleições em Angola, afectam o preço do petróleo;
o eventual ataque preventivo israelita ao Irão, para eliminação das suas armas atómicas, afecta o preço do petróleo;
a demora na exploração das plataformas de Timor, afectam o petróleo (neste caso, demorar é bom; quanto mais tarde venderem esse petróleo, mais caro o vendem)
a vontade dos americanos em abrir a exploração do petróleo no Alasca e noutras regiões geladas, aquece o preço do petroleo;
donde, a economia europeia...[...]*
quanto à portuguesa, [...]*
* escolher a opção política pretendida;
Publicado por MatosB às 12:03 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 04, 2008
olhares
Publicado por MatosB às 12:16 AM | Comentários (0) | TrackBack
setembro 03, 2008
alvíssaras...

Publicado por MatosB às 03:56 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 26, 2008
canavial
"são relvas diferentes
essas (as que me exibes)
não são (como as outras) do além do Tejo
mas têm (o que mais me interessa)
agora
a consistência de um muro
(forte, contra,) o vento
e o verde na terra
quando noutros
apenas há
pasto seco
e sem ideia"
Publicado por MatosB às 09:52 PM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 23, 2008
à conversa
"deixo-os
com a mesma pena
com que deixo estas nossas
conversas em fim (de tarde)
onde a pena era verbo
e o assento de madeira"
Publicado por MatosB às 01:49 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 20, 2008
olhares
"há qualquer coisa
assim
qualquer coisa de estúpido no teu olhar
que sendo frontal
tem demasiado espanto
para tão pouco sinal de inteligência"
Publicado por MatosB às 12:51 PM | Comentários (0) | TrackBack
politikas senso
"appoint a national cyber security advisor, invest in math and science education, establish standards for critical infrastructure, spend money on enforcement, establish national standards for securing personal data and data-breach disclosure, and work with industry and academia to develop a bunch of needed technologies."
Sabem acerca de quem foram proferidas estas palavras?
Sabem que por cá, também já foram escritas?
Sabem que por cá, não se liga nenhuma a este tipo de trabalho programado?
Publicado por MatosB às 12:49 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 18, 2008
anti guo
"mostras muito; mostras tudo nessa divisão que te partiu o ser e rachou a vida.
mas olha a folha que tens, que mostra a tua vida que, em vez de findar, mais que
se duplicou."
Publicado por MatosB às 12:49 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 17, 2008
olhar o muito por pouco
"olha, sim! diz se me vês daí nestas arcadas com mostras de verde tom de futuro no teu cinzento cor de presente"
Publicado por MatosB às 02:48 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 16, 2008
assinaturas
"são os nomes de quem, sendo artista pedreiro, assina a obra sem saber escrever. viveu mais essa marca que fez, do que o homem de quem nada se sabe e de quem só se conhece o pouco que foi, no muito que foi construído."
Publicado por MatosB às 01:46 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 15, 2008
road's ahead
"[...] se queres mesmo defender que o mapa que consultas não mostra o sítio onde estás, nem o percurso que procuras, nem a constelação que te guia, devo avisar-te que não é o mapa que está errado..."
Publicado por MatosB às 12:45 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 14, 2008
em frente
"[...]sim por vezes a Luz encandeia; intensa, cega; ou não deixa perceber onde acaba o meu mar e começa o teu céu;"
Publicado por MatosB às 10:30 PM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 13, 2008
seguimentos
"- [...] se fechares os olhos e ainda os ouves a deixar apressados o momento de oração para defender as ameias; ouves os passos, as corridas, o povo que se recolhe à pressa, os ferros contra as seteiras e os fogos que aquecem os óleos; até ouves o sentimento final, quando a cidade se perde para os novos senhores; sangue derramado por prtecção de um quinhão de terra maior;
- uma observação...
- diz.
- falas como se estivesses lá, mas não disseste quem eles eram: se os mouros se os portugueses...
- falei dos que cá estão, sitiados, com o inimigo lá fora; têm coisas em comum.
- o quê?
- o mesmo Deus, serem guerreiros e terem medo."
Publicado por MatosB às 10:49 PM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 12, 2008
sinais da minha cidade
Publicado por MatosB às 02:46 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 11, 2008
jobszzzz...!?!

Publicado por MatosB às 12:34 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 10, 2008
professores...
"[...] têm por objectivo a educação da emoção, a educação da auto-estima, o desenvolvimento da solidariedade, da tolerância, da segurança, raciocínio esquemático, da capacidade de gerir os pensamentos nos focos de tensão, da habilidade de trabalhar perdas e frustrações. Enfim, têm por objectivo formar pensadores."
Segundo CURY, Augusto.
in "Pais Brilhantes e Professores Fascinantes", Pergaminho.
Publicado por MatosB às 04:52 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 09, 2008
pedras do tempo

"
- [...] e é lá que as gárgulas ainda tomam conta das torres e se ouvem os frades em cânticos gregorianos e...
- pois; giro; sem ofensa: podemos descansar?"

Publicado por MatosB às 12:28 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 08, 2008
"por esse adarve a fora"

Publicado por MatosB às 03:42 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 06, 2008
conquista
feita, não a pulso, mas a pé - e sem estratégia.

Publicado por MatosB às 12:17 AM | Comentários (2) | TrackBack
agosto 05, 2008
orgulhos

Publicado por MatosB às 11:13 PM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 04, 2008
lembranças

"como miúdos
patinha-se e corre-se
por entre nuvens
como se fosse num charco
como se fosse normal o dia
e que a chuva
viesse do chão
e o riso tão do alto"
Publicado por MatosB às 11:29 PM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 02, 2008
in the mood

Foto:
cedida por Sadi.
Publicado por MatosB às 12:12 AM | Comentários (1) | TrackBack
julho 29, 2008
azuis olímpicos
hoje de manhã, repetia-se insistentemente: "a China" ia reduzir o trafego automóvel em 90% e encerrar (!!!!) temporariamente (durante os jogos olímpicos) as fábricas poluentes em redor da capital, para o céu clarear do cinzento para o azul e os atletas terem melhores ares...
dois pensamentos:
- que força é esta, a que suporta mandar encerrar segmentos da produção, com aquele motivo?
- que dizer agora aos ecologistas e economistas que acusavam a China de produzir mais barato, também por desrespeitar mais o meio ambiente?
ninguém lhes cantou o "ai eu já pensei / mandar pintar o céu em tons de azul / para ser original"...
Publicado por MatosB às 12:05 AM | Comentários (0) | TrackBack
julho 28, 2008
rumus
rumando é-se.
tomar rumo
é ir
na direcção
é dirigir-se
a uma ideia
ou um destino
a algum lado
ou a alguém
de uma costa
de um mar finito
ou ser infinito
um rumo é
como um plano
existe
para ser alterado
por esse
ele
outro rumo
Publicado por MatosB às 12:48 AM | Comentários (0) | TrackBack
julho 27, 2008
kom força e kom kiyai
Composição sobre a Natureza: as canas
eu gosto muito das canas as canas são muito lindas e resistentes porque dobram e não partem as canas são diferentes das silvas as silvas também são bonitas mas não são como as canas porque as silvas picam
as silvas podem servir de tatemi as silvas as canas e os tatemi são partes integrantes de btt eu gosto muito de quando me ajudam a sair do meio das silvas e das canas mesmo sem judogi que havendo era mais difícil às silvas picarem tanto.
Publicado por MatosB às 12:33 AM | Comentários (1) | TrackBack
julho 23, 2008
rfi

Fonte da informação aqui
Tipo Navio ... misto de 2 hélices
Construtor ... John Brown & Ca.Ld
Local construção ... Clydebank - Glasgow - Escócia
Ano de construção ... 1948
Ano de abate ... 1974
Registo ... Capitania do porto de Lisboa, em 16 de Junho de 1948, com o número H 362
Sinal de código ... C S J E
Comprimento fora a fora ... 161,87 m
Boca máxima ... 20,83 m
Calado à proa ... 8,54 m
Calado à popa ... 8,54 m
Arqueação bruta ... 13.185,79 Toneladas
Arqueação Liacute; quida ... 7.758,63 Toneladas
Capacidade ... 11.230 m3
Porte bruto ... 10.734 Toneladas
Aparelho propulsor ... Dois grupos de turbinas, construidos em 1948 por John Brown &Ca.Ld. Duas caldeiras para 30 K/cm2 de pressão.
Potência ... 13.200 cavalos
Velocidade máxima ... 19 nós
Velocidade normal ... 17 nós
Passageiros ... Alojamentos para 18 em classe de luxo, 101 em primeira classe, 156 em segunda, 118 em terceira e 406 em terceira suplementar, no total de 799 passageiros.
Tripulantes ... 164
Armador ... Companhia Colonial de Navegação - Lisboa
pedido especial/historian special request:
.-. ..-. .. / .-. ..-. .. / .-. ..-. .. / . -..- -.-. . .-.. . -. - . ... / . -. .... --- .-. . ... / . ... - --- ..- / -- ..- .. - --- / .. -. - . .-. . ... ... .- -.. --- / . -- / .-. . -.-. . -... . .-. / - --- -.. .- / .- / .. -. ..-. --- .-. -- .- ? ? --- / .--. --- ... ... ? ...- . .-.. / . -- / .-. . .-.. .- ? ? --- / .- --- / .- - .- --.- ..- . / --- ..- / ? / ... .- -... --- - .- --. . -- / .- --- / -. .- ...- .. --- / .. -- .--. . .-. .. --- / --.- ..- . / - .-. .- -. ... .--. --- .-. - .- ...- .- / - .-. --- .--. .- ... / .--. --- .-. - ..- --. ..- . ... .- ... / .--. .- .-. .- / --- / ..- .-.. ? - .-. -- .- .-. / .--. --- .-. - ..- --. ..- . ... .-.-.- / --. .-. .- - --- .-.-.-
.-. ..-. .. / .-. ..-. .. / .-. ..-. .. .. - / .. ... / --- ..-. / .- / --. .-. . .- - / .. -. - . .-. . ... - / ..-. --- .-. / -- . / - --- / --. . - / .- -. -.-- / .. -. ..-. --- .-. -- .- - .. --- -. / --- -. / - .... . / .- - - .- -.-. -.- / - --- / - .... . / -- . .-. -.-. .... .- -. - / ... .... .. .--. / .. -- .--. . .-. .. --- / - .... .- - / .-- .- ... / - .-. .- -. ... .--. --- .-. - .. -. --. / .--. --- .-. - ..- --. ..- . ... . / - .-. --- --- .--. ... / - --- / - .... . / ..- .-.. - .-. .- -- .- .-. / .-- .- .-. .-.-.- / - .... .- -. -.- / -.-- --- ..- .-.-.-
Publicado por MatosB às 01:12 AM | Comentários (0) | TrackBack
julho 17, 2008
duv idas
"se não sabes quem és, não me perguntes quem sou;
posso enganar-me e dizer o que não sou;
ou pior ainda, não te dizer que aqui estou;
seria então dramático dizer-te que vou
quando afinal nem eu sei onde sou."
Váriuss Báriuss
Publicado por MatosB às 12:17 AM | Comentários (0) | TrackBack
julho 10, 2008
ORIENTE-se
imagem: José Pinto Ribeiro, a q u i.
Nestes termos, a fotografia corresponde a uma das vertentes da obra de arte-pintura: capta um momento.
Eterniza-o na proporção directa da duração da obra, gravada na memória ou impressa.
Não sou ninguém para falar de pintura-em-foto. Mas a felicidade (e o convite) quiseram que pudesse exercer o poder discricionário de comparar – a vida é ela própria feita de tantas opções como comparações.
Portanto, ao relatar criticamente a exposição fotográfica de José Pinto Ribeiro e de Miguel Valle de Figueiredo (até 30 de Outubro no Restaurante Vírgula, ao Cais do Sodré, Lisboa) não vou comparar o incomparável: a forma de ver a vida externa ao fotografo, o que ela contem e o que decidiram captar. Mas posso optar pela preferência de um.
Ali, expõem-se tecnicamente na diferença entre o registo digital e o analógico. Um prefere a intensa cor da vida humana, num rosto, num tecido, ou num monumento; o outro, predominantemente a cor da vida estática numa paisagem.
Mas um, consegue mostrar-nos o todo no particular: de mais longe chegamos ao conjunto; mais de perto, o pormenor revelado no poder da imagem digital.
Nunca vou saber qual dos dois momento os autores preferiram mostrar: se o espírito pessoal quando captaram a imagem, se o estado do espírito quando as seleccionaram para a exposição.
Mas do conjunto todo, impressionou-me mais o poder do tempo, o da vida e o do tempo da vida que transbordam das expressões na vendedora no mercado flutuante, do músico no Festival das Flores, no da criança às costas e no do Monge Phra Nikroammuni, tudo sem desprimor para as suas paisagens que transpiram misticismo.
Muito, muito bom.
Para quem gosta de arte e quer ver do que falo, é ir ao Vírgula.
Ao José Pinto Ribiero: só o conhecia "de vista" como o homem dos mil sonhos e por causa do "the girl next door"; agora são dados os parabéns reforçados, esperando por esse momento especial que há-de ser o da próxima exposição em Dezembro.
Publicado por MatosB às 10:05 PM | Comentários (1) | TrackBack
junho 21, 2008
vistas
- então? os teus óculos?
- estão para aí...
- e vês bem?!?
- não... mas é por isso que me divirto tanto!
- [...]!!!
Publicado por MatosB às 01:16 AM | Comentários (0) | TrackBack
junho 20, 2008
ser mãe
Não é por egoísmo que não te dizem muita vez “amo-te”.
É porque és tão forte, tão decidida, tão protectora, que partem desse princípio:
Que já sabes que te amam.
De facto, ninguém se esquece de te amar: a única coisa que se esquecem,
É de que gostarias de o ouvir mais vezes.
Por isso, perdoa-lhes por parecer que não amam; que não te ajudam;
Que não se importam ou não se interessam.
É que independentemente das idades, tu já atingiste o saber dos muitos
Enquanto nós por cá não vamos além do saber dos poucos.
Uns são pequenos demais para o dizer,
outros crescidos de mais para o reconhecer.
Por isso no teu amor, perdoa, porque só assim podes ensinar-nos a
Perdoar-lhes um dia.
Várius Bárius.
Publicado por MatosB às 02:13 PM | Comentários (0) | TrackBack
junho 18, 2008
tramado
Osoto gari O-goshi Harai goshi Ippon-seio-nage Eri-seio-nage Tai-otoshi Sasai-tsuri-komi-ashi Ko-uchi-gari O-uchi-gari Ko-soto-gari Uchimata Tani-otoshi Okuri-ashi-barai uchi-komi yaku-soku-geiko On-gesa-gatame Kuzure-gesa-gatame Yoko-shio-gatame Tate-shio-gatame Kami-shio-gatame
Publicado por MatosB às 07:00 PM | Comentários (0) | TrackBack
junho 17, 2008
dez erticus

"só de olhar faz sede - agora que li - sinto - o desconforto. não há nada de mais nela: areia, calhaus e camelos ou dromedários. mas agora que li e vi, senti a ausência da brisa; reparo que não sinto o calor do ar, nem o odor em redor da lágrima de suor que teima em sair sem eu o querer.
fiquei surdo como a simplicidade da imagem - no silêncio do mundo que não é meu; fiquei a ver aquele céu do azul constante; agora que reparo nele, recordo por onde andei e vejo onde podia ter estado mas não estive; fui ficando sem nunca ter chegado a ir; idos.
não sinto o rosnar próprio da vibração do motor que me transporta; nem as dores em algumas das articulações, músculos e alma, hoje tão seca como os lagos que ali já não existem.
dêem-me boleia que aceito. um sorriso, talvez. um unto para a pele gretada, desidratada, curtida, humedecida com água salgada. um bálsamo para a vista, turva, árida.
afinal, o que a imagem evoca é o espaço infinito de um universo já aqui, daqui, do primeiro plano, para o último, demasiado distante para ser percebido - quanto mais alcançado...
queimaduras na pele são sentimentos dezerticus encontrados no pó demasiado fino que me enche as narinas, me tolda o espírito e me entope a fluidez da vida.
são, securas."
imagem: A. "tuareg" Costa.
Publicado por MatosB às 12:18 AM | Comentários (0) | TrackBack
junho 16, 2008
gone with the wind

Publicado por MatosB às 02:56 AM | Comentários (0) | TrackBack
junho 14, 2008
thank you Ireland!!!!!!!!!!!!!!!!
"It's not that people does not have the right to say "NO". Its because the feeling is that the majority of the Irish people was not informed of the importance of the legal text for Europe - that is, all the 27 countries.
With the known results of the referendum, it seems that a little less then 1/3 of the Irish voting people decided yesterday Europe's future and to leave the EU and also to give back all the millions that country received from European economic funding in the last years. The motto 'for Ireland as a complete Island' will finally become true, as they shouted "FU" to all the other countries of the European Union. The new popular Irish song is now called 'sorry we don't need you anymore' wile step-dancing-and-kicking all the EU countries seems the right motivation right now.
All the voting Irish citizens that did not went to vote may now think about their democratic "che será, será" another fine way of participating actively in the efforts for the construction of a tuned and strong Europe.
Reveling the democratic conscience and perfect political knowledge of the Treaty's importance, television news showed women stating they voted "NO" because... their husband said so. On the other hand an working lad said "I voted "NO" because I don't understand the text". It seems someone forgot to give people a copy of the Treaty in English language; no Celtic version of the Treaty available also, it seems.
Well done. All of you."
Freedom Gazette, no particularly n.º.
Publicado por MatosB às 12:22 AM | Comentários (0) | TrackBack
junho 12, 2008
Eire e o Tratado
- o que é que se diz aos Irlandeses, se ganhar o "não" ao Tratado de Lisboa?
- ... por favor, saiam do contrato europeu...
- por terem dito "não"?!?
- por não terem querido perceber o que era o Tratado e por o Governo Irlandês ter falhado nessa missão.
Publicado por MatosB às 09:45 PM | Comentários (0) | TrackBack
regras de mercado
"... claro está, que a grande lição económica a tirar desta crise é que durante todo este tempo, os economistas seguiram princípios e leis erradas, tendo ficado estabelecido que o mercado é profundamente irracional: um bloqueio e paragem de muitas centenas meios de transporte rodoviários pesados por mais de dois dias (e sem escassez do bem) conduz a menor consumo de combustível e consequentemente, a um aumento do preço.
Este princípio económico, designado ppor "lei da GALP" verificou-se aos olhos de todos, em 12JUN2008 em Portugal.
Vai dar prémio Nobel."
in "cadernos independentes da economia Guiness"
de volta ao GROG.
Publicado por MatosB às 08:30 PM | Comentários (0) | TrackBack
junho 11, 2008
ali mesmo

"[...] ali onde os dois mares se encontram, o do azul do céu com o do creme da areia... vês? parece uma tenda "bedu"... é ali mesmo que queria estar;"
Publicado por MatosB às 12:39 AM | Comentários (0) | TrackBack
junho 10, 2008
estradas

mesmo que a estrada conduza a um deserto, o melhor é desligar deste e ver o longo percurso em frente.
se os budistas ainda ali não tinham passado, então, foi ele o primeiro.
num conselho, como num caminho, não se trata de imitar ninguém; antes, acolher princípios de verdade; pura; dura; e inegável.
o que chama a atenção não é o inóspito; é a insignificância do ser, ali.
Imagem: A. "tuareg" Costa;
Publicado por MatosB às 01:50 AM | Comentários (0) | TrackBack
junho 09, 2008
a árvore e a floresta

barulho.
algazarra num bar.
copos tilintam.
bolas de snooker estalam.
ninguém parece notar que só ele persiste (inatingível) no silêncio da memória.
no semblante está desenhada uma calma forçada, mais próxima do sofrimento, do que da paz.
também neste caso, ter pena, é saber não se lhe poder valer.
Publicado por MatosB às 05:43 PM | Comentários (0) | TrackBack
junho 07, 2008
柔道

Publicado por MatosB às 09:29 PM | Comentários (0) | TrackBack
junho 03, 2008
construções

Publicado por MatosB às 01:40 AM | Comentários (1) | TrackBack
junho 01, 2008
universais

Publicado por MatosB às 10:00 AM | Comentários (0) | TrackBack
first things first

Publicado por MatosB às 12:38 AM | Comentários (0) | TrackBack
maio 31, 2008
Taça de Portugal

Telma Monteiro e Maria João lideraram claramente a equipa do Benfica e o torneio feminino da Taça de Portugal de Judo.
Mas o bom do torneio, não foi só o facto delas terem ganho; foi haverem atletas a quererem derrotá-las.
Parabéns a Coimbra pelo esforço.
Tenho esperança acerca dos resultados nos Olímpicos.
Publicado por MatosB às 08:43 PM | Comentários (1) | TrackBack
pros
- nome?
- dan;
- ...completo se faz o favor!
- dan felpudo pencas patitas;
- profissão?
- produtor de pelo;
- especialidade?
- espalhador universal de pelo;
- passatempos?
- perseguidor de gatos;
- hummm... com resultados?
- sim; consigo sempre perdê-los de vista ao pé de árvores; não sei como fazem aquilo, mas é fascinante a forma como conseguem desaparecer!
- [...]
Publicado por MatosB às 12:49 PM | Comentários (0) | TrackBack
tendências
nasceram menos 9% de filhos de pais portugueses.
menos compras de comida, mas está mais cara.
as vozes xenófobas e o discurso rácico fácil, crescem.
nos supermercadinhos, os vinhos são trocados por zurrapas baratas.
nas feiras dos livros, os de autoajuda deram lugar a quiosques inteiros dedicados ao tema.
o petróleo está mais caro, sem haver mais procura.
nos jornais inventam sombras de morte sobre Obama, relembrando Luther King e os Kennedy.
ainda perguntam o que se passa cá e no Mundo?
Publicado por MatosB às 08:51 AM | Comentários (0) | TrackBack
maio 30, 2008
... vem a montanha!

Publicado por MatosB às 05:58 AM | Comentários (0) | TrackBack
não há coincidências
Acabaram as citações de Zafón ("A Sombra do Vento"). Podiam ser muito mais: o livro está repleto de boas tiradas, ou de como alguém comentou aqui, de "pensamento bonitos".
O génio do escritor (Carlos Ruiz Zafón) está para além do enredo que ofereceu e da forma como o conclui; enquanto escreveu, vai misturando uma análise económica do individualismo no seu pior, com senso comum, Direito Natural e análise histórica.
Mas durante o romance, escreveu o mesmo por duas vezes, ou antes, de forma semelhante (na pág. 224 e na 504) uma à laia de aviso, a outra, de conclusão, e esta, por isso mesmo, mais completa, mais próximo de uma máxima:
"A arte de ler está a morrer muito lentamente [...] é um ritual íntimo [...] um livro é um espelho e [...] só podemos encontrar nele o que já temos dentro [...] ao ler aplicamos a mente e a alma [...] estes são bens cada dia mais escassos."
De Espanha, pode não vir bom tempo, nem bom casamento; mas podem vir bons romances. Este, vale bem o número de exemplares vendidos.
Publicado por MatosB às 12:12 AM | Comentários (1) | TrackBack
maio 22, 2008
a análise filosófica da fórmula

Publicado por MatosB às 01:35 AM | Comentários (0) | TrackBack
maio 21, 2008
soft law em acção

"
[...]
- problemas de acesso às rampas? Alguns claro. Antes, tinha-mos alguns problemas em fazer-nos ouvir. Avisava-mos, tentava-mos sensibilizar, mas não obtinha-mos resultados palpáveis. A polícia não intervinha: trata-se de um espaço privado, dentro e da responsabilidade deste campus universitário.
Agora, graças a um cometimento assertivo do Senhor Reitor e graças a um meio tecnológico adequado, uma peça que abre os pipos dos pneus que ele traz sempre no bolso dele e dos pofessores mais velhos, prestam-nos muito mais atenção...
- são, portanto, defensores acérrimos da "soft law"...
- claro; e disso que vocês, continentais, chamam de "tutela pessoal"?
- auto-tutela...
- isso."
Publicado por MatosB às 12:14 AM | Comentários (3) | TrackBack
maio 19, 2008
gaffe por un español
enquadramento: gajos estrangeiros em terras célticas a querer com urgência comida de algum valor calórico;
a empregada chega e dispara a falar no seu melhor, à vontade, até perceber que ninguém a está a entender.
Um dos convivas é espanhol.
Resumo:
- hello sir! how are you this evening?
- bien... fine! gracias!
- hummm... what do you wanto to eat? steak?
- yes please! a big big stick!
- well... it can be managed sir...
a culpa é da pronúncia...
Publicado por MatosB às 01:48 PM | Comentários (1) | TrackBack
eire's sli amach
É estranho andar nunca capital da Europa a ler "vote yes for Lisbon" pendurado em tudo o que é candeeiro ou parede. Por cada poster, bandeirola ou "flyer" com um "sim", um outro de cores e de cores políticas diferentes a dizer "não!"
A teoria é a seguinte: durante 15 anos, a Irlanda conheceu um período extraordinário de desenvolvimento económico, com o investimento estrangeiro em força neste país - principalmente, novas tecnologias. Não é à toa que a Microsoft tem na Irlanda o centro de produção e embalagem para a Europa. O imposto equivalente ao IRC é de... 12,5%.
Um imposto baixo e legislação laboral que concilia o emprego com eficiência, resultou nesse forte investimento estrangeiro.
O que os irlandeses temem agora, é que com a novidade da "harmonização de impostos", aquele valor seja aumentado de tal forma, que espante os investidores.
Aparentemente, restaria a competitividade pela qualidade dos serviços...
E nós?
Publicado por MatosB às 05:30 AM | Comentários (0) | TrackBack
maio 18, 2008
vidas - contrastes
Desaguado num restaurante; noto então que o chefe de sala, era, entradote. Aproximadamente 70 anos. Um tudo nada mais velho que os três empregados de mesa: ela, mais nova, mais espigadota, nos seus 60; eles mais velhinhos. Todos, ao despique, arrastavam os pés, tentando demonstrar (sem dificuldade) quem conseguia demorar mais.
A sala tinha móveis bem usados, a sala meia ampla, com resquícios de um daqueles restaurantes que tinham “escondidinhos”, iluminados por uma luz bem amarelada e fraca. Os móveis, o chão, as mesas, eram claramente de um outro espaço que ali havia existido, agora parte de um hotel modernizado. Conservaram a prata da casa: os móveis e os empregados.
Um prato declarado absolutamente “exquisite” era de facto, esquisito: salmão grelhado com molho “barbeque”!!!
O restaurante enche-se de casais e de solitários, com uma média de idades coincidente com a dos empregados, invariavelmente pedindo carne grelhada.
Os empregados são muito simpáticos e têm olhos para o negócio: para o fim da refeição, o menu é diferente e com uma diferença de mais sete euros.
Quando chamei a atenção para a diferença em causa percebi o que era a expressão “ficar verde como um duende”…
Os amigos americanos, talvez em busca de raízes nestas terras, viraram-se com alguma desconfiança no olhar. Já tinham pago.
De qualquer forma, todos estavam de acordo: não iriam dançar “step dance”…
Publicado por MatosB às 11:26 PM | Comentários (0) | TrackBack
maio 17, 2008
bruxos
adivinhem onde estou...

Publicado por MatosB às 09:07 AM | Comentários (0) | TrackBack
maio 16, 2008
igualdade "0"
hoje não fui trabalhar.
fiquei a matutar.
fiquei a tentar perceber, porque motivo alguns decisores insistem e ficam tão contentes por serem absolutamente incapazes de ter alguma qualidade.
a questão é esta:
na FP há fp's que não ligam nada (tipo gato fedorento) mesmo, mesmo nada ao que fazem, ao que não fazem e às consequências do que fazem e do que não fazem.
perante eles, se um funcionário vai ou fica na sua área, pode ser uma vantagem relativa (se ele era um "PITA") vantagem total (se era eficiente, produtivo e demonstrava resultados) ou uma situação negativa (se era um energúmeno).
todo o bicho careta que trabalhe seriamente, que tenha, divulgue, desenvolva, proponha e ponha em execução ideias simples, eficazes em si mesmas, é, se não o conseguir afastar, emudecido.
como? manuseando o ambiente do alvo a abater até lhe criar a convicção de que ali não se vai poder fazer nada; "qual é o denominador comum do alvo a abater?" - pensa a ave rara de capoeira - "ai é um criativo!?! deves!!! já te dou a criatividade! vir para aqui fazer ondas, arranjar problemas com os outros departamentos e ainda por cima, demonstra que sabe mais que eu! onde é que já se viu!"
pior que tudo: têm ideias.
a pior coisa que se faz a um criativo, é, tal como aos surdo-mudos, voltar-lhe as costas. deixa-los a falar sozinhos. aí, sem comunicação, não há eficiência. nenhum procedimento é eficaz. acaba por se aborrecer, já que, ao contrário de outros, não se torna um bruto-calado.
é deixa-lo ser aliciado para outro lado, mais do que por uns tostões, pelo simples facto de se lhe oferecer uma oprotunidade de trabalho!
é por isso que vejo, mais do que com pena, com frustração, partir pessoas válidas de um departamento, "só porque" queriam trabalhar e ter condições para desenvolver a área de trabalho, mas unca viram chegar qualquer apoio. ou pelo menos, que vissem os desiguais serem tratados como tal.
os imbecis nem reparam que o são, porque são dos tais que, além de fazerem mal aos outros, fazem mal a si próprio e não entendem porque é que, em tempos de remodelação, não os matêm no lugar de decisão.
neéééeeeeeeeeeeeexxtt!!!!!!
Publicado por MatosB às 12:45 PM | Comentários (1) | TrackBack
maio 13, 2008
treino para estagiários
[...]
- tenho que te ensinar a diferença entre um par de meias e um de estribos.
- não quero ler mais. tenho a vista turva.
- turvo aqui, só está o vinho, que cansada foi a malta de tanta faladura.
- descupem interromper!
- qual é a diferença?
- um livro a mais ou amenos...
- a menos ou amenos?
- temperados; não; a outra; é a forma como se escreve por dito é ameno.
- se somos assim, qual é o nosso "Bill of Rights"?
- é o de "due diligence in the practice of Law"...
- desculpem interromper...
- Kennedy?
- Lessig?
- Lara num texto neo-saxónico?
- não; é mesmo minha...
- desculpem interromper, mas, vocês estão a falar?
- não. é um casting para uma nova versão do "conversas na cama"!
- hare krishna p'a ti t'amen!
- vais dizer-me qual é a diferença?
- o vinho; especialmente o do alentejo...
- desculpem... posso?
- as meias calçam-se até ao tornozelo...
- Dão?
- os camarões nascem na montanha...
- a culpa é dos transgénicos, esses alimentos travestidos! fazem sede!
- qual sede? outro edifício?
- e do sexo reprimido pela ICAR e libertado pelos psicólogos...
- e os crocodilos vêm do mar...
- os psicólogos têm vida sexual?!? não racionalizam tudo?
- se bem que a estramadur tem um tinto muito razoável...
- tudo não; têm duas personalidades assumidas; os outros não; só assumem uma, de vez em quando.
- desculpem interromper! posso falar? olhem... descupem... saiem todos e fico aqui!?! mas o que se passa aqui?
- estavas sempre a interromper pá... é chato...
- [...] !!!
Publicado por MatosB às 12:14 AM | Comentários (0) | TrackBack
maio 04, 2008
trocas
- que idade ele tem?
- vai fazer dois anos.
- qual é o nome dele, mesmo?
- Dan Felpudo Pencas Patitas;
- ahahah! Pencas da parte da mãe e Patitas da parte do pai, verdade?
- não<, é ao contrário.
- ao contrário?
- ele é de ascendência espanhola.
- !?!
Publicado por MatosB às 01:49 PM | Comentários (0) | TrackBack
abril 26, 2008
Parabéns!!!!!!!!!!!
Parabéns Guilherme, pelo primeiro dia de vida "do resto da tua vida"!
Não te digo "venham mais cinco!" porque, apesar de ser um dia duplamente festivo, os teus pais podiam não achar piada à quantificação... que tenhas um excelente "ano zero"!
e parabéns aos pais.
Saúde para todos!
Publicado por MatosB às 10:08 PM | Comentários (0) | TrackBack
abril 19, 2008
"... águas mil..."
[...]
- chove muito; chove demasiado;
- aproveita...
- para?
- pisar a relva e a terra; descalço;
- e passo por lunático?
- no mínimo, por excêntrico... há quanto tempo não o fazes?
- [...] e tu?
- desde hoje de manhã...
Publicado por MatosB às 12:41 PM | Comentários (0) | TrackBack
abril 18, 2008
mix
Starry, Starry Night e Van Gogh têm de comum o "Vincent" e são uma mistura explosiva;
a insanidade da paixão retratada numa música; tudo resumido num power-point.
são, decerto, as cores do som que alteram as coisas na vida e a vida das coisas; a nossa também.
Terças e Quartas - no mesmo local.
Publicado por MatosB às 12:33 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 17, 2008
sine die
[...] os mais jovens, só percebem as enormidades que fazem e dizem aos familiares mais velhos, quando são pais.
O mais engraçado para nós, mas pior para eles, é que podemos já cá não estar para nos pedirem desculpa...
Várius Bárius.
Publicado por MatosB às 12:34 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 14, 2008
anti-imbecilidades...
"[...] a minha vida, nunca se pautou, nem se rege, por mínimos."
Publicado por MatosB às 05:52 PM | Comentários (0) | TrackBack
abril 13, 2008
giftations
neologismo; vem de "gift+declarations".
entre o nada e o assim-assim.
literalmente: entre a prenda e o dom.
anda-se assim: giftado.
Publicado por MatosB às 01:03 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 12, 2008
eurojudo2008 também foi português!
Parabéns ao João Neto - medalha de ouro deste campeonato.
Mas está de parabéns a Federação Portuguesa, pela organização; a arbitragem, pela qualidade (rigor) dos árbitros internacionais: perante o comportamento do adversário holandês, que se prolongou no "goldan match", não exitaram e deram o ponto que determinaria a vitória do judoca português; e finalmente, todos os atletas portugueses pelo esforço que puseram com o seu desempenho, independentemente do resultado obtido.
Publicado por MatosB às 06:42 PM | Comentários (5) | TrackBack
medit a(c)tions

"[...] essa é a perspectiva optimista; tenho outra: mais vale não provar desse fruto, para que não tenha saudade do seu paladar; daí que as correntes mais extremistas também proponham que na vida [...] se despoje de tudo o que não é essencial".
Publicado por MatosB às 12:46 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 11, 2008
o valor de um som
A notícia causou tristeza, por anunciar a morte de pessoa conhecida; nem era amiga. Lá se cumpriu o dever social.
E lá tive que conviver naquele espaço chamado de velação e ver-me nas mesmas situações que me causam sempre um mau estar profundo.
Ao dizer-lhe adeu, procuro em silêncio lembrar algo de pessoal daquele que partia. Lembrei-me então. O que caracterizava este Senhor António, era o facto de quando passava em frente ao prédio onde vivia, logo pela manhã quando ia trabalhar, receber um piropo sob a forma de assobio, da sua mulher, 22 anos mais nova, debruçada à janela com um sorriso grande e um acenar vivo.
Todos os dias; todas as manhãs.
Um ritual amoroso.
Em pequeno achava curioso. Já grande, achava giro. Hoje, acho o máximo.
Eram genuínos. Foram-no, enquanto puderam.
Ainda bem para eles.
Publicado por MatosB às 04:37 PM | Comentários (2) | TrackBack
Lisboa recebe o campeonato
europeu de judo; começou hoje e acaba Domingo, dia 13. Discutem-se medalhas e apuramentos para os jogos olímpicos. Tem é, como alguém já disse, uma diferençazinha em relação a outras modalidades: não há tempos mínimos; ou se ganha o apuramento, ou não.
Dava jeito um apoiozinho aos atletas portugueses; para já na parte da manhã, notada a ausência da Telma, ficou a Joana Rodrigues a fazer as honras da casa.

Publicado por MatosB às 04:35 PM | Comentários (1) | TrackBack
front of
Stop breathing I'm trying to get some sleep
Stop breathing allow me to repeat
Keep breathing I guess it would disturb
Keep breathing the road is getting long
Maybe I will find you in another place
Maybe I will find you with somebody else
Keep breathing life is hard to play
Keep breathing we haven't find the way
Stop breathing this game it makes no sense
Stop breathing
Maybe I will find you in another place
Maybe I will find you with somebody else
The things that they said us
The things that we run off
Though we try to move over
After all that we saw
The stage is clear, the view is soft
But it's so cold, warm enough
The game is set, and too much players again,
And here we are, in front of them again
Keep breathing, I'm glad to see you back
Keep breathing I thought we would give up
Stop breathing their eyes will catch our soul
Stop breathing their ears will break our mind
Keep breathing and join the carrousel
Stop breathing pretend a pantomine
Keep breathing today we woke up blue
Stop breathing perhaps we lay down dark
the Gift
Publicado por MatosB às 03:38 PM | Comentários (1) | TrackBack
abril 10, 2008
à mesa

Au Grenadier; Grand'Rue.
Publicado por MatosB às 01:49 AM | Comentários (3) | TrackBack
abril 09, 2008
sentencing

Mas há lá mais...
Publicado por MatosB às 01:42 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 08, 2008
temptat sões

à ida; à volta.
queria provar esse algodão doce e dar uma colherada;
ou sonhei; vi mal;
queria então deitar-me nessa almofada imensa... se, ao menos, não me deixasse cair.
Publicado por MatosB às 01:22 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 07, 2008
vidas

vestígios de um muro, que já foi berlinense, plantados no jardim do TDH, para tentar demonstrar que não tem raízes, que não se replica, floresce ou cresce.
não ali.
Publicado por MatosB às 01:29 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 06, 2008
renus

a caminho do trabalho

ainda a caminho do trabalho

visto do local de trabalho

regresso do local de trabalho
Publicado por MatosB às 12:36 AM | Comentários (2) | TrackBack
abril 05, 2008
termos
Estados Unidos vêem com melhores olhos um negro do que uma mulher na presidência
05.04.2008, Rita Siza, Washington
Publicado por MatosB às 01:45 PM | Comentários (0) | TrackBack
telemóveis...

Publicado por MatosB às 12:30 PM | Comentários (0) | TrackBack
lados


"[...] lá, atrás do Burgo..."
Publicado por MatosB às 12:05 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 04, 2008
vidas

Publicado por MatosB às 08:43 PM | Comentários (0) | TrackBack
abril 02, 2008
vidas
Estou em casa! As filas no mcdonalds, o pedinte que espreita ao relento o jogo "Roma-Manchester" por uma nesga de um tapume meio envidraçado, o jornal de tiragem diária e grátis "20 minutes" que destaca a contestação dos professores às políticas governamentais de conteçao e desoedunento da função pública, a indisciplina juvenil e a carestia da vida alimentar, dos juros, das casas arrendadas, os indiferentes aos idosos e grávidas nos transportes públicos... em casa. Com excepções: da ausência completa de colinas, das línguas mais ouvidas nas ruas (flamengo, alemão e francês) e das sucessivas pontes sobre o rio serpenteante que brinca com a cidade, fluindo em tons escuros e ladeado por caminhos empedrados, apenas a 20 cm da água; a arquitectura ultra-moderna contrasta com casa mais ou menos baixas contrastam com as linhas clássicas de telhados bicudos das casas que na grande maioria, não vão além dos três pisos. Estrasburgo, capital dos Direitos Humanos e das políticas de base europeia.
Publicado por MatosB às 12:05 AM | Comentários (0) | TrackBack
vidas
Estou em casa! As filas no mcdonalds, o pedinte que espreita ao relento o jogo "Roma-Manchester" por uma nesga de um tapume meio envidraçado, o jornal de tiragem diária e grátis "20 minutes" que destaca a contestação dos professores às políticas governamentais de conteçao e desoedunento da função pública, a indisciplina juvenil e a carestia da vida alimentar, dos juros, das casas arrendadas, os indiferentes aos idosos e grávidas nos transportes públicos... em casa. Com excepções: da ausência completa de colinas, das línguas mais ouvidas nas ruas (flamengo, alemão e francês) e das sucessivas pontes sobre o rio serpenteante que brinca com a cidade, fluindo em tons escuros e ladeado por caminhos empedrados, apenas a 20 cm da água; a arquitectura ultra-moderna contrasta com casa mais ou menos baixas contrastam com as linhas clássicas de telhados bicudos das casas que na grande maioria, não vão além dos três pisos. Estrasburgo, capital dos Direitos Humanos e das políticas de base europeia.
Publicado por MatosB às 12:05 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 29, 2008
cansaços
RE: dos generais e outros intrépidos
Mano: comandantes são aqueles que comandam.
hoje há um grupo muito pequeno deles. são os sobreviventes do campo de batalha que ajudam a desenhar diariamente, numa guerra que não declararam, mas em que, como em toda a guerra séria, se combate para atingir o objectivo: aniquilar o adversário - o inimigo - dentro dessa ideia estranha de procedimento de Direito Democrático.
são tão duros, determinados e frios, esses comandantes, como são desinteressados pelo maior valor monetário ou equiparado. o ouro deles é outro. a ideia de glória, é diferente. a palavra eternidade, um defeito no dicionário do livro da vida que vão lendo e recitando; ouve-os quem quer.
frugais. não querem saque. não deixam saquear. não querem ser cantados nas canções dos bardos. tudo o que querem é que o exército em que combatem, aparentemente comandados por outros, ganhe.
e com o menor número de baixas - atendendo a que quem julga que dirige, não o faz, não o vive, nem ajuda ao esforço de guerra: guerra com e pela dignidade.
e é por isso, mestre de ti mesmo, que tens o direito de te sentir cansado. ganhaste esse direito, através da contínua desvalorização dos teus trabalhos, os individuais e os colectivos, tudo menos esforçados, mas colectivizados por quem não tem Direito.
e contudo, o que tu, eu e os nossos queremos, é tão simples, tão descomplicado, tão pessoal. tanto, que aflige as mentes mais próximas delas próprias e por isso mesmo, mais distantes do que somos.
Roma no seu melhor.
só isso.
sente-se o prazo de um ano, feito de 24 meses. o sentimento não é de vazio. é de solidão. e calhando, de abandono - mea culpa.
como num "bat file" executado manualmente, a "path" foi determinada no arranque (por nós próprios) e é isso que é inscrito como variável, na memória do sistema. sistemas, variáveis e memória - o triângulo dramático. a memória serve para nos atormentar. as variáveis são passíveis de ser alteradas - usa outro comando para as alterar - no DOS, havia o "set=". o sistema vai sendo modificado por engenheiros que nem projectam bem, nem adjudicam em condições. quando estiveres mais cansado, é de escolher um refrigerador "reboot", por oposição à opção de "shutdown".
é certo, que também eu evito o parqueamento das cabeças...
donde: espera aí, que já vou dar-te um fraterno abraço de três dias e aproveitamos para fazer o que eles, não sabem, não querem e não podem fazer: pensar em conjunto, para os comandar.
Publicado por MatosB às 12:52 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 25, 2008
diário de um cão - do outro lado...
uúffffff... estou tão mal!
eu que me senti tão feliz ontem! tão... bem! corri! pulei! fui atrás da esfera felpuda e a correr à frente deles, nas relvas e àrvores... e depois... o desastre! passei mesmo mal a noite! vomitei! tenho febre!
e depois olharam para mim como se eu fosse o demo! não me compreendem!
o que vale é que me levaram à médica hoje de manhã... não gostei das injecções. e aquele forma de me apertarem a penca que me faz abrir a boca mesmo sem querer e me atiram comprimidos lá para dentro!
é de um cão ficar danado!
tenho impressão que aqueles ossos que apanhei na rua e me queriam tirar da boca na noite anterior, estão na origem da minha grande indisposição...
estou com um sono! foram simpáticos: deram-me uma comida estranhíssima, à base de arroz com uma carne que me soube a ave, mas não percebi bem o que era. nem me podia mexer... tiveram de me dar a comidinha à mão... uma fitinha fixe porque assim tinha companhia...
agora vou repousar... afinal, estou doente!
Dan.
Publicado por MatosB às 03:48 PM | Comentários (3) | TrackBack
março 24, 2008
porque - II
Um blog, um bom weblog, serve, essencialmente, para ser escrito. Não há a mínima garantia de que irá ser lido. Se for lido, muito lido, ou imensamente lido, surgem outros factores que levam a escrever.
Grog; às segundas terças, e noutros dias também.
Publicado por MatosB às 09:31 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 22, 2008
diário de um cão - do outro lado...
É disto mesmo que eu gosto! Correr! Foi o que fiz, nem sei durante quanto tempo! Foi para a frente e para trás, foi até o perder de vista. A sério! deixei de o ver! olhava, mas não o via! só quando me uivou com aquele som fininho que faz com a boca e me chamou pelo nome é que percebi onde estava.
Relvas, areia e água! Muito bom! é mmuuuuito bom!!!!!
Depois é que foi uma chatice: não me importo de viajar de carro, mas gosto mais de ir nos bancos... e não me deixa ir lá. Fico a ver os outros carros, pelo vidro de trás, que, admito, tem uma ampla visão.
Mas é um bocado estranho ver a paisagem a fugir em sentido contrário... e as pessoas são mal educadas, porque quando aproximam as coisas que os transportam daquele onde vou, acham piada a ver-me assim especado a olhar de penca no vidro e fazem-me caretas!
Mas lá fui ter com as crias dele. E haviam montes de outras crias deles, mas não me deixaram entrar no sítio onde estava. O que vale, é que fui passeado por vários. sempre me ajudou a passar o tempo.
Encontrei um felino, psicopata, que sopra que nem um fole estragado. Coitado do bichinho; acho que quer assobiar, mas não consegue: limita-se a ficar com as costas empoladas, pelo eriçado e a soprar que nem um doido. Eu só queria brincar e correr com ele, mas foi muito anti-social.
A noite chegou e fiquei admirado: quando as nuves se afastaram, veio a minha amiga lua, linda, claríssima!
Ele está cansado. Estou para ver onde hoje vamos dormir...
Dan.
Publicado por MatosB às 05:40 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 21, 2008
porque
- [...] porque é que escreves assim?
- porque posso, porque quero e porque crio.
- mas por quê?
- porque alguém, num momento determinado por mim, irá "l e r - m e".
- determinado por ti?!?
- sim. no sentido de que só é lido depois de que é disponibilizado. fica sujeito a ser encontrado acidentalmente por quem usa um motor de busca, ou por alguém que vem em busca de um texto, ou de alguém que venha "ver" como anda cada um.
- isso é o mesmo com qualquer um que escreve...
- não. "os outros", dependem de um editor. eu não. nós não.
- estes?
- estes e ou outros bloggers.
- isso dos blogs não tem repercussão na vida real.
- tem. tem porque é o contrário (a vida tem ecos nos blogs) e tem porque se não fosse o blog, não estavas com esta conversa e conteúdo.
- pois...
Publicado por MatosB às 05:23 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 20, 2008
ensaius musicais - letra da canção "vidas"
caiu facilmente da letra de uma canção.
"...não vez que é de nós o jardim que se fez..." enquanto a letra dele soa numa oração cantada, eu perco-me, na hora, no minuto e no segundo que passa, somado ao dia, ao mês e ao ano que insiste em desfilar, parte de uma curtíssima metragem do universo - uma fita do tempo - comparável à queda de água do percurso de um riacho qualquer, acidente de uma viagem com origem determinável, mas sem fim à vista, na vista curta. turva. não por ausência de luzes várias desde qua a tua luz se foi, mas porque em cada centro emissor dessa rara claridade vive uma espécie de qualidade individual, pouca em si mesma, parcial, resumida, incompleta, mensurável.
isso só é possível de ser percebido porque existiu a possibilidade de comparação ao longo do percurso.
o amor, esse veneno da vida, corrosão da segurança e da rotina institucionalizável, esse estado de espírito tendencialmente prolongado no tempo, aqui definido, como grau, como intensidade do sentimento de plenitude - mero género da espécie dessa qualquer-coisa que os poetas, as bruxas e os alquimistas tentam sintetizar sem sucesso.
é como cantar "gosto de ti como quem gosta de um Sábado" a uma quinta à tarde. tarde.
falta a aglomeração das várias claridades numa só, mais intensa ou verdeira, porque, sentida ou percebida bilateralmente, como "res" - mas como coisa comum.
coisifica-se um sentimento pela entrega comum. termina quando acaba o "comum" e volta-se à comunidade de almas gravitacionais.
"deixa-me voltar a dormir" e imaginar o tudo de bom nessa imagem fragmentada do que sou; cada vez mais longe, esse período de recolhimento pessoalíssimo onde o desligar deste lado é o ligar-me ao não resolvido e ao inresolúvel momento interior que sobrevive em dimensões paralelas ao acordado, numa singular actividade cerebral, colectivizável nos seus termos através da escrita e da fala, mas que não se confunde com aspiração. é antes uma acção imaterial, menos voluntária, mas nem por isso menos verdadeira para quem não vive a realidade do pesadelo. ganha forma e sentido realista esse filme que fala de uma "matrix", onde o desacompanhado de ideias e o mais desatendo olha a espectacularidade do combate marcial, enquanto lhe tentam indicar a essência da iniquilação da sã individualidade que procura o bem colectivo na contradição da realização pessoal, uma vivência da teoria da mão invisível que se percebe, mas que nunca há-de ser compreendida, porque (te) falta a coragem de a pôr em prática.
"dar-te a paz que perdi". ou não. não é sinónimo de ter sossego. antes viver sem paz mas cheio de qualquer coisa que chega para manter a coerência de vida, de actividade, ou de luta, num mundo cada vez mais retalhado, impessoal e sem sentido pela clara opção económica, é mais do que viver um ideal. os ideais morreram com os elfos. já ninguém acredita neles - os elfos. para os ideais, há ainda alguns loucos, desfasados, desajustados terroristas do status quo imposto, como o foi Cristo para os zelotas e para os romanos.
sentir. já nem sei isso - há quem o conte e quem te cante nesse referão "já não sei se sei o que é sentir o teu amor...".
"faz voltar o que tens porque é meu" o ser e meu o ter de o ser no tom laranja do sol que se põe. sem falar - não tenho como, nem com quem - adivinho o paladar contido na farta repetição de um copo, arredondado, de pé alto, bem translúcido, onde o vinho, sangue olhado, é balanceado, devagar, num movimento circular, paralelo ao odor de um incenso qualquer que se espalha devagar pela sala e pela memória de um odor agradável.
mistura de sentidos sem tino, à solta pelo eu e pela casa, como uma "rave" de desconhecidos dentro de mim, interessados em destruir o pouco mobiliário que me aguenta em pé e onde posso pendurar roupagem deste personagem.
tacto da língua acordado pelo líquido agreste, dedos que adormecem no frio de um estado perceptível de desilusão numa cidade vazia de amigos em férias, de familiares ausentes e cheia de ocupações feitas à pressa numa república à espera de estudantes.
Não se trata de voltar a um estado sóbrio da vivência, porque se pode, ou porque se quer, ou porque se tem saudade, mas porque se é qualquer coisa de diferente e de mais rico, em que um somatório de dois seres é bem mais do que as partes - uma forma de pleonasmo e de uma ideia de aplicação no plano sentimental mas sem fundo sentimentalista.
"ilumina-me" passou de canto a grito e deste a um som a ecoar no escuro de um salão, pela voz de um fantasma do que foi. forte. fá-lo tu, ou a tua Nossa Senhora, ou ambas, que eu, gasto, não vejo, não sei e não sinto como.
Publicado por MatosB às 03:24 PM | Comentários (0) | TrackBack
março 18, 2008
sem ponto
samba sem pandeireta
olho a nu
o esgar de qualquer coisa
vejo o nada
levaram-ma
a calma da noite)
fico
aberto
o ventre ao inferno
onde Dante seria aprendiz
mas eu feliz
ausência de cor
é preta
noite sem dia
vens tu assim
anjo-diabo
num sorriso de morte
ensombrar o passado
comprometer o futuro
sem côr
olho a nu
(relvas do sul
não percebo
se é planície seca
ou deserto fértil
em mim
o fado tocado
sem guitarra
tentação atirada
água sem terra
aberta
por ti
No Grog; às segundas terças de cada mês.
Publicado por MatosB às 01:11 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 15, 2008
pérolas - sueca
"[...] o Alex!?! o Alex é um diabético numa loja de doces..."
Publicado por MatosB às 02:51 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 14, 2008
sem pé

ou te viras de costas e ficas à tona, ou perdes o pé e ficas à toa;
isso de remendo e cola é coisa de pneu de bicicleta; nem uma ligadura juntaria
o que partido se foi; sendo, são quatro os parafusos - mais cravados que rodados
para encaixar; o tempo em calo o osso se tornou;
que se ganhe novo pé no caminho feito restauro!
Publicado por MatosB às 10:36 PM | Comentários (0) | TrackBack
março 10, 2008
diário de um cão - do outro lado...
finalmente, algo que me distrai! adoro ficar a ver aquela coisa redonda com as farpelas deles lá dentro a andar à roda! encanta-me que as coisas que entram lá às cores, ficam todas brancas quando andam à roda, para depois voltarem a ter cor quando o carrocel pára.
e o cheiro é bom. faz-me confusão esta coisa dos pelos. e a eles também. eu, pelo menos, sou normal. eles não! são tão despidos! e usam as farpelas para compensar a falta de pelo natural. por outro lado reconheço, que largo pelo por todo o lado - algo que me começa a dar ideia que os irrita, principalmente ao mais velho.
já conheço melhor os barulhos deste sítio onde vivo. incomodam-me, mas já não salto cada vez que a coisa branca de fazer frio onde guardam a comida, decide acordar e rosna para mim.
passeio-os cada vez mais longe - pelo menos obrigo-os a fazer exercício. o que me aborrece mesmo a sério é que, quando vão dormir, me deixam sozinho. posso passear pela casa toda - parece que não se importam - mas dormir com eles é que não. enfim.
eu sei.
são estranhos.
Publicado por MatosB às 01:55 AM | Comentários (1) | TrackBack
março 08, 2008
periclitante
ainda tentei ir.
acordado por um som digital, conciencializo a vida analógica. levanto-me sem a ideia das horas que são, arranjo alguma roupa na mochila e parto na companhia do companheiro arfante.
o tempo corresponde ao interior, cinzento, frio e a ameaçar com chuvas. no Alentejo, já dou conta de que a metereologia piora e percebo o erro do que empreendi. não vou estar lá, nem aqui, nem acolá. ou estar sequer como devo.
paro. largo a música ensurdecedora, passeio-o e a mim e decido comunicar a desistência. Há uma clivagem entre o espírito e o corpo, o primeiro, ressacado, o segundo, desgastado. Entendem - dizem-me.
fico por ali, parado a olhar a paisagem, única e una, como sempre. dou barraca, que é como quem diz, armo a tenda.
dentro, ignoro a ventania e o espanto do companheiro felpudo que me olha com um ar mais inteligente que o meu imaginado. faço-lhe uma careta, aterro com ele e durmo o que falta.
o pior foi voltar.
é o que falta.
é o pior.
Publicado por MatosB às 11:40 PM | Comentários (0) | TrackBack
imagens

Publicado por MatosB às 12:49 AM | Comentários (0) | TrackBack
março 03, 2008
o poder da palavra
há quem já se tenha referido ao poder da palavra sobre a espada. há até quem tenha feito disso o mote. mas de facto, de entre grandes projectos políticos de optimização de recursos e de incentivos à produção na Função Pública, também há algumas pessoas, peões da vida e da causa pública, que com um simples "obrigado" às equipas que dirigem, conseguem mais que o "incentivo político", seja de que forma ele for promovido.
a essas pessoas, reconhece-se-lhes a qualidade de lieder, porque se impõem pela inteligência e pelo exemplo. e já agora, pela palavra.
Publicado por MatosB às 06:52 PM | Comentários (1) | TrackBack
fevereiro 29, 2008
tons
vem eco
mostra-me
no teu som
deixa-me
ver o longe
como em sonho
traz-me
a tenda e a areia
a este deserto
onde estou
Publicado por MatosB às 04:45 AM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 28, 2008
pérolas
[...]
- então... e vais tirar que Curso?!?
- estudos estrangeiros...
-... pá! sem acabar o Mestrado?
- este curso é fácil; é de "estudos americanos";
- fácil?!?
- é só preciso saber que tiveram uma revolução, a independência e que depois apareceu a Microsoft...
- ?!?
Publicado por MatosB às 02:50 PM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 27, 2008
diário de um cão - do outro lado...
Sei que sou irrequieto; mas eles são... esforçados. de facto, até são engraçadotes. sempre que estou aborrecido, encosto-me todo no chão e fico a olhar fixamente para eles; só mexo os olhinhos. já descobri, que se for buscar a esfera felpuda e a prender entre as minhas patas e a penca, ma tentam tirar; acho que é só para me provocar. eles brincam! e têm um sentido de humor razoável, porque se a levo comigo na boca, correm atrás a chamar por mim.
tal como eu, gostam de se rebolar na areia - menos mal.
são um bocado implicativos quando comem: não partilham e olham de lado, como se tivessem medo que lhes fosse tirar a comida deles.
castigo-os sempre que posso, porque encosto-me ou mando-me para cima deles quando menos esperam e esfrego-me neles; ficam que tempos de ar sério a tirar pelos das vestimentas.
são amiguitos. passeio-os montes de vezes, sempre que posso, mas são um bocado rotineiros nas voltas que dão.
tento puchá-los para outros lados, mas não facilitam.
manias...
Dan.
Publicado por MatosB às 01:15 AM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 26, 2008
sin tierra

não me escondo.
já não.
tudo acima das nuvens (e à volta) está inanimado, menos elas, gélidas, escuras, enormes, à espera do fim dos tempos, movimentando-se milímetros em décadas.
olho daqui e vejo esse deserto frio - vida.
lembrei-me da palavra perante a vista: inóspito.
percebo o cansaço, o isolamento, o desafio e a satisfação de quem se põe a caminho e diz "eu quero aquilo".
vejo-o, porque deixam.
percebo-o, porque vejo.
adivinho-o porque se sente.
sente-se o que foi aquela viagem: foi dupla, ao cume do que é externo e ao âmago do interno.
em simultâneo.
perfeito.
ou sublime?
(imagem: A.C.)
Publicado por MatosB às 02:05 AM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 13, 2008
mais uma vela
P A R A B É N S NITA!
Vive muito.
Vive bem.
Publicado por MatosB às 12:01 AM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 12, 2008
com jecturas

Publicado por MatosB às 02:27 AM | Comentários (1) | TrackBack
fevereiro 11, 2008
diário de um cão - do outro lado...
Doidos! São doidos! Estes humanos entram na chuva esquisita que cai só num sítio e depois saem e nem sequer se sacodem!
Em vez de se rebolarem no chão, enrolam-se em mantas!
E isto tudo para quê? Para saírem à rua… a andar!
Eu gosto é de correr e de saltar. E abocanhar. E mordiscar. A cria atrevidota já percebeu o meu jogo preferido. Definitivamente, estou preocupado com o outro, que insiste em mostrar-me a esfera felpuda.
O mais velho é que tem fases: ora fala comigo e me desafia como gosto, ora fica ali a olhar para coisas tempos infinitos. Só sei que está vivo porque de vez em quando me pisca o olho e me dirige a palavra.
Mas como me chama, sempre vou para junto dele. Fiquei danado quando espirrei com violência e ele se riu muito. Qual é a piada de um cão espirrar?
A cria atrevidota hoje veio ter comigo! Fui passeá-lo! Parece-me que fica contente quando o deixo ir comigo para fora de casa. E brinquei com ele: deixei-o tentar tirar um pau da minha boca. um bocado mnótono. deixei-o ganhar umas vezes e ele gostou.
O homem só veio a casa já no fim do dia e saiu a correr com as crias. Devem pertencer a um grupo, porque iam todos vestidos de igual.
Regressou sozinho e cansado.
Enfim: já é noite. Apesar de estarmos sozinhos, faz-me alguma companhia – reconheço.
E lá vai ele dormir.
Dan.
Publicado por MatosB às 09:50 PM | Comentários (1) | TrackBack
sonhos em sons
foi no som compassado
que te imaginei e ouço
deixo-me embalar
moço
é como um canto ondulado
em árabe falado
é como um lago parado
adivinho-te leve
curvas dançantes
pena que não te veja no Sol
não te ouça no vento
nem te sinta no mar
pena que nem te conheça
saiba ou seja
Publicado por MatosB às 02:47 AM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 09, 2008
diário de um cão - do outro lado...
"bem... aqui a vida é mesmo diferente da que tinha; a parte engraçada é que ando a ser olhado com curiosidade por muitas criaturas diferentes que vivem aqui por perto, o que tem uma coisa contra: estão sempre a tentar tocar-me e os que conseguem, dão-me palmadas na cabeça. por acaso é devagar mas haviam de lhes fazer o mesmo para ver se gostam. quando estou em casa fico um pouco aborrecido; não me estou a divertir muito.
mas entretanto descobri que o homem tem crias, mas infelizmente estas têm um problema qualquer, porque insistem em mostrar-me uma esfera que salta quando cai no chão, pequena, felpuda e verde e depois atiram-na para longe e ficam espantados a olhar para mim, como se fosse suposto eu fazer qualquer coisa. e também falam que se desunham; não se entendem é muito bem entre eles, porque, apesar de não se morderem, estão sempre a dar patadas um ao outro. provavelmente são da mesma ninhada humana.
uma das crias é mais atrevidota porque quis ver a minha boca por dentro e brincou com a minha língua. estive para lhe puxar a dele. mas acabou por ser simpático e até me coçou as costas. para humano, é uma cria muito inteligente, porque o ensinei a deitar-se no chão comigo num instante, em vez de sentar a cauda curta e redonda naquelas coisas altas. fiquei a pensar se aprenderia facilmente a ir buscar a esfera felpuda se eu a empurrar com a minha penca; pode ser que ele pense ser divertido... são tão estranhos!
o dia correu bem até o homem olhar para mim de uma forma estranha enquanto falava para um rectângulo preto que emitia sons. fui traído. houve um queixinhas que lhe contou quais as palavras que não suporto ouvir quando são ditas e me dão vontade de fazer coisas mesmo sem grande convicção. comi bem. mas ele e a senhora simpática que me escovou (e percebe imenso de psicologia canina) são semíticos: arranjaram maneira de me darem pouco granulado para comer, que aliás, não tem a mesma qualidade a que estava habituado.
à noite ele saiu um bocado sem mim e fiquei angustiado, mas passou-me quando ele voltou pouco depois. e lá fomos para o frio - que me soube bem para esticar as pernas. agora que já não estou com sono é que ele quer dormir... criaturas estranhas."
Dan.
Publicado por MatosB às 10:26 AM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 08, 2008
diário de um cão - do outro lado...
são completamente estranhos estes homens; a começar pelo sítio onde vivem: é enorme! tanto espaço! não tenho é amigos dos meus. paciência.
não é que a vida me tenha sido muito difícil, mas, habituado a ordens como estou, este homem é um caos. baralha-me. deve ser mais um teste.
e não se cala! são verborreicos, estes homens!
e os barulhos estranhos que produzem? bem! aterrador; desde o raio do recipiente onde me traziam a ração, que estalava por todo o lado, até às minúsculas caixas pretas de onde saiem barulhos que me fazem cócegas nos pés.
mas parece gostar de passear. ao menos isso.
e vendo bem, nem me posso queixar: faz-me imensa comapnhia: fica horas, imóvel, a olhar para rectângulos de papel, ou então, senta-se a fazer barulhinhos com as pontas dos dedos em varas rectangulares de plástico enquanto olha para uma superfície com imagens.
de vez em quando, vou olhando para ele (confesso que desconfiado) e levanto-me para perceber um pouco melhor este sítio, que parece dividido por funções.
Já percebi que há uma parte em que não posso estar: é onde ele prepara a comida dele. há mais portas, mas estão fechadas. já vi que somos parecidos.
lá está ele a falar. vou sair outra vez. irrequieto, este homem...
vou dando notícias.
Dan.
Publicado por MatosB às 02:48 PM | Comentários (2) | TrackBack
fevereiro 07, 2008
paralelos

[...]
- e então e... essa figura lendária era Mestre?
- era;
- porquê?
- porque estava muito próximo da perfeição;
- ser Mestre é ser perfeito?
- é estar próximo de ser perfeito;
- porque é que só está próximo?
- porque, num dado momento, pode aparecer alguém mais próximo da perfeição do que ele; ou que tenha a sorte de, nesse momento, o Mestre não estar tão perfeito;
- então a sorte vale mais que ser Mestre?!?
- não; ser Mestre impede-nos de ficar nas mãos da sorte;
- [...]
- percebeste?
- deixas-me pensar um bocadinho nisso, pois deixas?
- sim; meu pequeno mestre;
Publicado por MatosB às 04:01 AM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 05, 2008
acordares
acordar devagar não chega, porque tem de se chegar com gosto a este lado da vida logo no início do dia. cumprimentem-no.
esticar todos os músculos - espreguiçar; empurrar, como se quisesse mandar fora os dedos das mãos e dos pés.
conciencializar onde se está, abrir olhos devagar e em vez de ver objectos, percepcionar espaços.
segredar no ar "ohayo gozaimasu" enquanto o corpo, em piloto automático, roda e se apropria do espaço e do que ou quem lá estiver.
é bom.
é melhor se houver retorno. por exemplo, acompanhar tudo isto com um sorriso. de preferência, doce.
ou receber um tratamento idêntico.
há quem lhe chame - "acordar bem".
Publicado por MatosB às 09:00 AM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 04, 2008
vocábulos
[...]
- huh... repete lá se faz favor?
- esquartejar é o contrário de cortejar ou são o mesmo?
- onde foste buscar o "esquartejar"?
- ao Brutus do Asterix...
- ahn... e o "cortejar"?
- ouvi...
- pois... não são sinónimos; mas como cortejar é como namorar, ás vezes,esquartejar e cortejar têm relação.
Publicado por MatosB às 01:54 PM | Comentários (2) | TrackBack
fevereiro 03, 2008
commando's

"[...] prepare for glory!!!".
Publicado por MatosB às 05:03 PM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 02, 2008
está quase!

soon! in a pub near you!
Publicado por MatosB às 01:00 AM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 01, 2008
montes&campos
saudades
dos campos
em redor de ti
Évora
não tarda
já vou
já digo
já fico
perto de ti
Terra
Publicado por MatosB às 09:39 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 30, 2008
sentimentos
Parabéns pai.
Publicado por MatosB às 09:08 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 29, 2008
a andar (de mota)

entre o bruto selvagem
do que quer que se lixe
e a absoluta resistência
num "agora não" à mudança
és tu (Amor) assim
louca
desgarrada
em correria sem fim
na pessoa escolhes a via
optas por amar mal a vida
quando amas erradamente
por isso que vives
um contínuo acidente
e caindo
nele
te dói tanto...
Publicado por MatosB às 06:00 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 27, 2008
con fusões
- o meu irmão está a perder?
- sim;
- e aquilo está a doer-lhe?
- só lhe doi dentro do coração; mas sabes que mais?
- o quê?
- quando o teu irmãozito perder, de facto, ganhou; confuso?
- sim; então, ele ganha quando perde?
- sim Maria; quando ele perde, tanto ele como nós, todos ganhamos...
Parabéns ao Rodrigo pelo empenhamento pessoal e o seu segundo lugar no apuramento; parabéns às Mestres pelo resultado da preparação séria dos outros.
Publicado por MatosB às 02:24 PM | Comentários (0) | TrackBack
juntos

juntos criamos a ideia
somos punho numa vontade
sem a força da imposição
somos maço de ferro
nessa mão fechada
do tamanho do meu coração
onde cabemos todos
nessa concha de dedos dobrados
fiéis unidos em oração
curvados sem ser sob pressão
Publicado por MatosB às 04:27 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 24, 2008
vidas

naquela noite vivida
foi nas cores dos caixilhos
que julguei a cor da vida
pelos vidros contrastados
sem reflexo nem nexo
como montras partidas
passado inerente ao dia
escura melancolia
de novo em noite vivida
Publicado por MatosB às 11:12 PM | Comentários (0) | TrackBack
vidas
- hi!
- hello.
- how long are you here?
- hummm... some 20 minutes.
- ahah! no! I mean, in this city!
- enough time to my kind of work;
- and what do you do or a living?
- I'm a spy.
- really? and your friend?
- he is being spied.
- oh!? is he! and by who?
- by me.
- ahah! thats a good one! why is laughing like that?
- like what?
- I mean... with that silly expression in his face...
- he is drunk.
- oh! so, he is not going to dance I supose...
- depends... salsa? or flamengo?
- !!?!!
Publicado por MatosB às 06:26 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 23, 2008
vidas
- don't you give me those bad-joke excuses! tonight we are going out!
- of course we are!
- we are going to eat some paella!
- of course we are!
- and have some cheese with beujolais red wine!
- of course we are!
- after dinner we are going to find a place and dance some "salsa"!
- of course we are!
- tonight we are going to drink a lot of "cassis"!
- of course we are!
- [...] hummm... you are agreeing to much easely with all this...
- yep.
- why is that?
- first: salsa, is not from my country; and neither is "paella"; and I have the report to finish...
- yeah... welll... we can still go to dance...
- of course we are! I we will dance "salsa" if you just dance flamengo, ok?
- flamengo? hummm... don't know what that is...
- never mind... is just a brand of a portuguese cheese...
Publicado por MatosB às 06:30 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 20, 2008
pérolas
"o vinho [...] é uma SCUT para o Nirvana..."
in "clube dos estarolas"; aos Domingos.
Publicado por MatosB às 03:24 PM | Comentários (2) | TrackBack
janeiro 19, 2008
ele vem aí!

Publicado por MatosB às 02:36 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 18, 2008
a gostos inconfidentes
- [...]
- e isto aos bocadinhos é o quê?
- marmelada caseira; queijo flamengo; pão alentejanado; continua-se no vinho tinto;
- não gosto; mas podemos continuar a conversa...
[algumas horas depois]
- a carne não estava nada má pá; e o arroz também...
- pois não estava; ainda bem.
- e a marmelada com queijo... é muito bom! também! e isso aí no tacho é o quê? cheira bem! é franguinho?
- é borrego; para ensopado.
- pois; não gosto; e aquilo é para o quê?
- cozido;
- boa; quando é?
- para o dia a seguir a comeres ensopado de borrego;
in "clube dos estarolas"; (admissão reservada).
Publicado por MatosB às 06:46 AM | Comentários (4) | TrackBack
janeiro 17, 2008
. §
.
Publicado por MatosB às 07:53 AM | Comentários (0) | TrackBack
arrancamentos

o agora
é só
o que se quer é
saber
reconstruir
com verdade
um tempo só
agora
Várius Bárius
Publicado por MatosB às 01:24 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 16, 2008
pérolas
"a vida é um teatro, e eu sou seu assistente..."
In "feijanices de pedra", por José Caucasiano.
Publicado por MatosB às 06:33 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 14, 2008
chaves para a vida
- o teu amigo lá do kung-fu, não caiu e aplicou-me uma chave!
- foi?!? assim sem mais?
- bem... não... tentei um osoto...
- surpreendeu-te a chave dele?
- pois... ele não parecia saber nada disso...
- e o que concluíste?
- que ele sabia defender-se...
- ou que o substimaste?
- [...] ele tem o mesmo código de honra?
- sim; quase todos vivem pelo mesmo código de honra;
- do que é que estão a falar? qual código? o quê?
- nunca mentir; ajudar os outros; proteger os mais fracos;
- ah! isso... e se não forem assim conosco?
- nós continuamos a ser.
- pois! quantos mais, melhor!
- pois! isso é ser cristão, pois é?
- !!?!
Publicado por MatosB às 08:21 PM | Comentários (4) | TrackBack
escolhas

olhar de cima
é um exercício
de afastamento da arrogância
olhar de longe
um desiderato
de fé
olhar daqui
é perceber
porque nem sempre
olhar é ver.
Várius Bárius
Publicado por MatosB às 05:31 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 13, 2008
questões de fragmentos
se a vida É
e sendo é um Todo
e Nele tendo nós parte
o que termina,
se parte
e parte quem?
parte-se o quê
que se põe de parte?
fica assim a parte
à parte
e finda
o que mal começou?
Várius Bárius.
Publicado por MatosB às 04:01 PM | Comentários (0) | TrackBack
bixus
- porque é que os homens desenham estes bichos?
- para ser... arte?!?
- acho que estão enganados; acho que é para espantar os seus próprios fantasmas...
- ?!?
*
*"Libélula", de René Lalique.
Museu Calouste Gulbenkian.
Publicado por MatosB às 07:51 AM | Comentários (0) | TrackBack
donde...
encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
n

